sábado, 29 de dezembro de 2012

Voluntariado 21#

O objetivo era somente o de desejar boas festas, mas acabei por ficar à conversa horas a fio. E puff! Dissiparam-se por completo os meus problemas. Soube tão bem! Haviam caras tristonhas quer por problemas pessoais, quer por vindas recentes de hospitais ou pelo pessimismo que às vezes lá nos bate à porta. Mas, felizmente, consegui pôr um sorriso em todas aquelas caras de jovens. Até que pus um senhor, com uma voz excelente, a cantar. Falou-se de árvores genealógicas com a senhora que tanto gabou as prendinhas do neto, falou-se de propriedades com o senhor de negócios, falou-se dos banquetes de natal com a cozinheira nata lá do lar e tocou-se em saudades que fez desprender algumas lágrimas. No fim, todos lá diziam uma palavra calorosa como despedida. Mesmo quem não falasse, fazia questão de acenar com a mão. Gestos maravilhosos, estes!
Boas entradas, amigos.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

(in)evitável prolepse

Viajo neste velho autocarro ao ritmo do vazio e ao sabor do nada. Torna-se constante o processo de auto-reanimação onde me enredo, onde a respiração turbulenta ganha ênfase. Ainda que emergindo como cerne o auto-conhecimento e a maturidade, sei que não passam de estímulos estusiásticos e fervorosos. Já nem as músicas que ouço me dão forças, nem os quadros belos e coloridos que imagino a forrar as paredes do autocarro, nem o melhor poema de Fernando Pessoa, nem o miradouro mais empolgante, nem o melhor parque de diversões em que estive, nem as viagens fabulosas que concretizei… Ainda ontem estava de bibe a sentir o primeiro dente a cair e, hoje, sem me aperceber, estou já a preparar-me para a maior prova de fogo da minha vida, onde me torno escrava de um mundo credível, em oposição ao afável. Mesmo sem garra e motivação, observo a paisagem a mudar, o mundo a espiar-me, o frio a convencer-me, o idiota que mora dentro de mim a consumir-me, as lágrimas a controlarem-se e as frases promissoras que ouvira, a suster-me. O próprio escuro de tão conhecido que é tornou-se desconhecido, tal como o verde das folhas e o azul do céu e a transparência da água e os tijolos das casas. Sou um bebé prematuro nesta vida de adultos, pensava eu. O comum tornou-se estranho e o imaginário entranhou-se, porque a realidade tornou-se demasiado enfadonha. Só precisava de algumas pessoas importantes, daquele orvalho da manhã em frente à minha casa, do meu sossego, daquele reflexo da minha porta de entrada que me dizia sempre ao vir da escola que estava despenteada, daquele portão vestido de verde gasto pelas arranhadelas do meu cão, daquela cadeira onde me sentei ao portátil horas e horas fanáticas da minha vida, das minhas músicas que já nem parecem as mesmas e até do frio do meu quarto, porque estar frio do coração é bem pior. Quero isto mais do que nunca. Quero isto como Romeu queria Julieta, como Dante queria Beatriz, como D. Pedro queria Inês de Castro ou como Tristão queria Isolda. No entanto, vejo só imagens desfocadas na minha mente, fruto da corrosão do medo pelo enteado do medo. Mas, ainda assim, só imagino formas seguras de saltar pela janela, para correr veemente em direção à minha vida. À vida que não me esmurra com eloquências, que me protege com ímpeto, que não guarda os sentimentos em caixas seladas, que não me escorraça com desafios impossíveis, que nunca me traria saudade e que jamais destruiria os meus sonhos. Refugio-me no espírito alegre de quem me rodeia, nos seus livros de experiências, na frieza com que encaram a distância, na cegueira que os faz acreditar que aquele ambiente de festa lhes vai dar sanidade mental e, apesar de não me camuflar, fico apagada num canto a espremer superstições, a criar preconceitos, a desenrolar o novelo da mais etérea negatividade e a dissecar dúvidas com a consciência. Cingia-me às ilógicas especulações que andavam a nadar perdidas pela minha massa cinzenta. Ali, naquele primeiro autocarro, para mim tudo acabava e, para eles, tudo começava. E quando saí, percebi que nada disto (ainda) tinha sido real. Estive somente sentada na cama do meu quarto a ouvir música. Sentada por entre lençóis inocentes e longe de novas fechaduras. Mas isto espera-me... espera-me o elegante vulto, de cigarro na mão, na próxima esquina… esse vulto chama-se futuro. E o futuro é já amanhã!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Ricardo Araújo Pereira 7*

“Quando se soube que os enfermeiros contratados pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo iam auferir 3,96 euros à hora, gerou-se alguma indignação. "É ofensivamente baixo", disse o sindicato dos enfermeiros; "é um balúrdio", pensou aquela gente que acha que os salários em Portugal são muito elevados (excepto os dos gestores de topo). Depois dos descontos, cada um destes enfermeiros leva para casa entre 250 e 300 euros. Mais do que suficiente para os profissionais que vão a pé para o trabalho, moram num parque de campismo, não têm muito apetite, apreciam viver às escuras e desprezam o banho. Aquela ínfima percentagem que desperdiça dinheiro em transportes, renda, alimentação, luz, gás e água, é natural que tenha dificuldades. Talvez assim aprendam a abdicar de alguns desses luxos. (…) Esta descida equipara os salários dos enfermeiros ao das empregadas de limpeza. A partir de agora, a limpeza e desinfecção de um ferimento e a limpeza e desinfecção de uma instalação sanitária são remuneradas da mesma forma. Para o Estado, um doente não é muito diferente de uma sanita. Compreende-se: é raro o doente que está interessado no empreendedorismo, que aposta na inovação e que promove o aumento da competitividade, que são os valores sagrados do nosso tempo. Uma sanita, por outro lado, é das peças de porcelana mais empreendedoras, inovadoras e competitivas.”

sábado, 22 de dezembro de 2012

Voluntariado 20#

De volta às histórias, às lições de vida, às risadas e à mais pura genuinidade transparecida pelas experiências passadas. Um Feliz Natal para todos!

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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Morrer na praia

Era noite e a orla da praia definia-se como a minha subtil e fiel companhia. Caminhava em direção ao mar ou o mar em direção a mim, onde o substrato de névoa envolvente se assumia como o soluto do meu abstracionismo. Os meus músculos trabalhavam ao preço de trocos e gemiam consoante o bater das ondas, fruto da tempestade enfurecida. Seguia-me a lucidez da amnésia, a certeza da incerteza e a consciência da inconsciência. Racionalidades triviais de um ser humano! Os sonhos e divagações eram as rédeas da minha mente, contudo a realidade emergia nos chocalhos remexidos pelas rodas dos carros, nos vultos balsâmicos a deambular pelas ruas lá ao longe e na bravura do desmedido mar. Arrastava-me por entre as irregulares pegadas de poeira de identidades perdidas ao sabor da minha própria crise de identidade. Lá, longe dos labirintos de betão e rodeada pelo silêncio formalista, recolhia a pequenez transcendente da vida, através dos grãos de areia que entravam nos meus sapatos e dos salpicos salgados que se afundavam nos meus cabelos. As luzes das ruas iam desligando-se e eu ia caindo, até me enterrar aos poucos e poucos em torno das pisadas nómadas. Sentia a areia molhada nas vias respiratórias e vi que seria o fim. Eu estava no sítio mais genuíno que poderia estar. Não havia luzes por perto, estava numa praia, que a própria natureza criou ao depositar sedimentos, estava sozinha, perdida e a água tão naturalmente vestia um caráter de devassa com jeito de indagadora. Não havia, aparentemente, nenhum vestígio da nossa espécie. Acontece que a própria natureza me mostrou a dependência da civilização. A dependência daquelas luzes artificiais que, ao apagarem-se, me apagaram também a mim… No entanto, a espuma da praia beijou-me suavemente, enquanto as luzes simplesmente deixaram de dissipar fotões e, no dia seguinte, lá estavam elas a iluminar falsamente o mundo palpável onde vivemos. Era noite e a orla da praia definia-se como a minha subtil e fiel companhia.

Ricardo Araújo Pereira 6*

“Toda a gente devia ter o seu Miguel Relvas. Dá jeito em qualquer ocasião. Um estudante não sabe a resposta a uma pergunta e, para distrair o júri da oral, exibe um Miguel Relvas. Um gatuno entra numa casa e, para entreter os cães, atira-lhes um Miguel Relvas. Uma mulher é apanhada com o amante e, para desviar a atenção do marido, apresenta-lhe um Miguel Relvas. Infelizmente, só o Governo tem o privilégio de ter um Miguel Relvas. (…) Na altura em que foi confrontado com o facto de, em duas legislaturas seguidas, ter alegado frequentar o segundo ano do curso de Direito, quando na verdade tinha feito apenas uma cadeira do primeiro ano, Miguel Relvas disse que se tratava de um lapso. Quando constatou que a deliberação da ERC não referia a "pressão inaceitável" do ministro, o presidente do organismo disse que se tratava de um lapso. Um lapso a propósito de um homem que tinha incorrido em dois lapsos, com uma cifra final de lapsos que acaba por ascender a três. Esta salsada de lapsos passou sem reparo. É uma orgia de enganos. Um bacanal de equívocos. (…) No momento em que escrevo, Miguel Relvas ainda não se demitiu. Talvez no lapso de tempo que decorre entre a escrita deste texto e a sua publicação, ocorram outros lapsos que o obriguem a demitir-se. (…) A troika bem avisou que um dos problemas mais graves do País era a dificuldade de despedir gente na função pública. Agora é possível apostar, na internet, no momento que Relvas escolherá para se demitir. É dinheiro deitado à rua. O mais provável é que todo o povo português se demita antes de Miguel Relvas.”

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Ricardo Araújo Pereira 5*

"(…) Cavaco Silva disse que o programa de ajustamento não está a resultar e que a culpa é da troika. A troika disse que o programa de ajustamento não está a resultar e que a culpa é do governo. Passos Coelho disse que o programa de ajustamento está a resultar em cheio, e precisa apenas de tempo para implementar o seu modelo táctico e consolidar os automatismos. (…) Quem precisava de uma orientação, obteve três. Por maldade, diz-se que Portugal não tem um rumo. A verdade é que tem vários. As pessoas queixam-se de barriga cheia. (…) Em Portugal, uma comissão informal de economistas e comentadores reuniu-se e, a olho, decidiu que os culpados pela crise eram aqueles que tinham vivido acima das suas possibilidades. Quem eram, exactamente, essas pessoas?, perguntaram alguns ingénuos, esperando uma lista com nomes e moradas. Somos todos nós, responderam os severos comissários, santos agostinhos do pecado económico-financeiro: todos tínhamos estado em falta. Adão pecou e transmitiu-nos o pecado original, e ao mesmo tempo terá contraído uma dívida (provavelmente, junto do proprietário da macieira), transmitindo-nos também o endividamento original. Em resumo, a culpa da crise é de todos, a culpa do fracasso no combate à crise não é de ninguém. Como país, evoluímos da culpa para a não-culpa. É mais um indicador em que estamos a fazer progressos."

domingo, 2 de dezembro de 2012

Aquela palavra, aquele sentimento...

                          
Ainda não tinha aberto os olhos, mas já viajavas pelo meu córtex cerebral. Já vagueavas pela minha casa e largavas o teu perfume. Já me sussurravas ao ouvido as lendas da paixão, os versos do surrealismo e as lengalengas do soberbo sentimento que nos une. Até que bates à porta e eu acordo. E mesmo antes de estremecer pelo frio da realidade, começo a sentir um turbilhão de emoções que se ressoam como tímidas badaladas nas cavidades do meu coração. Surge, inequivocamente, a saudade antecipada, que tanto mergulha nos interstícios dos poros. Fico impávida e rígida. E, como todas as manhãs, cruzo-me com o medo. O medo mascarado no pudor da vida, na prevista incerteza, nas pegadas que já vejo delineadas à minha frente. Mas agarro-me a ti e às partículas impalpáveis que emanas, a que chamam esperança. Fixo-me no teu genuíno olhar, no teu puro tacto, na tua inexaurível segurança, no teu oásis de humildade, na tua essência que faz de ti um Rei e cinjo-me à febre triunfal que me mantém as veias quentes. Assim me solto das garras das normas que me chicoteiam as costas, que me amarram na racionalidade, que me lançam nos abismos da explicação, que me esfregam contratos na cara, que me esboçam caricaturas da mais mágica invisibilidade e que enterram o amor em tubos de ensaio. É ao fugir destes limites impostos pela realidade que provo, sem fórmulas matemáticas, que o amor não se explica nem se escreve nestas banais linhas, apenas se sente.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O que a minha mãe diz não se escreve

"Este ano não há árvore de Natal cá em casa!", disse a minha mãe em jeito de raspanete e determinada em convencer-me. Depois destas palavras quiz arrancar-lhe as razões para dizer uma barbaridade dessas. Falou-me da crise e das dificuldades que Portugal atravessa. Revoltei-me! Uma crise não pode destruir tradições. A árvore de Natal não é sinónimo de presentes em abundância. É sim um bonito símbolo que deve ser preservado. O que seria da união das famílias ao decorar a árvore? O que seria das crianças que acreditam no Pai Natal? O que seria da sua inocência que tanto é alimentada pelas luzinhas cintilantes? O que seria da sua criatividade em fazer o presépio? E tanto eu me divirto a arrancar musgo para fazer o presépio, pensava eu. O Natal inclui a árvore, do tronco às folhas, das raízes à copa! Porque a árvore é um típico símbolo. E os típicos símbolos não podem desaparecer. O Natal não é só o frio e, obviamente o signicado religioso, mas a árvore verdejante do canto da sala. Nem que se ponham presentes de esferovite, mas árvore de Natal tem de haver! E assim acordamos que sempre haverá árvore de natal.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A febre e o telejornal

A manhã começou de termómetro na mão. E o dia passou por entre espreitadelas ao relógio. Chegada a noite, dei por mim entusiasmada ao ver o telejornal. Tá certo. Só podia estar doente!

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Ricardo Araújo Pereira 4*

"Quando, em 1917, a Mãe de Deus, Todo-Poderoso, Senhor do Universo, decidiu visitar o concelho de Ourém, toda a gente percebeu que o futuro de Portugal estava no turismo. Se a zona centro, menos favorecida do que outras na beleza da paisagem, era capaz de atrair viajantes pertencentes àquele importante segmento do mercado turístico, que sucesso poderia ter, por exemplo, o Algarve? Para o Governo, contudo, o turismo será uma fonte de rendimento interessante, mas não a principal. O futuro de Portugal passa sobretudo pelos impostos, e é neles que o Governo tem aplicado toda a sua criatividade e iniciativa. De todas as vezes que as medidas foram apresentadas, houve sempre alguém - fosse uma pessoa com influência e prestígio na sociedade portuguesa, fosse o Presidente da República - que tomou a palavra para dizer: cuidado, há um limite para os sacrifícios do povo português. E, no entanto, semanas depois, novos aumentos. E as mesmas vozes voltavam a avisar: atenção, os sacrifícios têm um limite. O limite da algibeira dos portugueses é como a linha do horizonte: por mais que nos aproximemos dele, nunca o atingimos. Passos Coelho e Vítor Gaspar descobriram que, tal como a terra, também a algibeira dos portugueses é redonda - e serão ambos apontados como pioneiros quando se fizer a história da astronomia dos bolsos. Atrás de sacrifícios, sacrifícios vêm. E só os sacrifícios que fizemos no passado nos oferecem agora a possibilidade de estar na posição privilegiada de poder fazer novos sacrifícios. Mas são as leis do mercado: quando um bem escasseia, o seu valor aumenta. Como há poucos empregos, os que existem são caros. E estaremos perto do momento de viragem, em que o Governo deixará de pedir aos portugueses e passará a oferecer-lhes. É por volta da altura em que se atinge este volume de impostos que se costuma oferecer ao trabalhador dois presentes: umas grilhetas e um chicote."

sábado, 3 de novembro de 2012

Dirigindo-me à saudade

Não me lembro de ti. Não, enquanto não tive despedidas. Subornaste-me enquanto pudeste. Tiraste-me a amnésia, mas tornaste-te no sol negro da minha vida. Lambeste-me os preconceitos, mas revestiste-me de paradoxos. Não passas de uma estadista que negoceia sentimentos. És despudorada, abominável e corrosiva. Saboreio a tua eloquência logo pela manhã. Cheiro-te nos sonhos. Toco-te através do vento. E tão desavergonhadamente finges que não existes! Escondes-te nos penhascos da vida, mas és detentora de multidões. És a criadora de angústia. És a origem da autodestruição. És o gemer da alma. És a esperança morta. És a tesoura dos tendões e o aspirador dos anticorpos. És a tinta preta do coração. És o recalcamento dos vestígios da finda presença. És a razão da frieza da noite. És a insónia. És a chave das portas outrora encerradas. És o préstimo do superego. És o que resta de um grandioso sentimento. És o cupido das recordações. Mas, no fundo, declaras-te Némesis a ti própria. És real, quando o tremer dos pilares do mundo gera um compasso perfeito com os batimentos do meu coração. Quando te tornas na muralha espancada do desassossego. És fictícia, quando consigo viver sem ti. Quando te tornas esbatida ao lado da fúria. Não tenho justificações para ti. Apenas guardo um livro de memórias coloridas que construí e, que por desaparecer, tu apareceste. Estás presente nos carrinhos de rolamentos, nos bibes do jardim, nas fronteiras dos países, nos ácaros das malas de viagem, no ladrar de um cão, no miar de uma gata, numa porta de apartamento, nas aventuras do passado, na areia da praia… Mostra que é possível resistir à tua existência. Porque não te sentir, seria tão mágico como um cão ladrar em versos.

domingo, 28 de outubro de 2012

Voluntariado 18#

É um lar (talvez) como tantos outros. Alberga tantas e tantas personalidades. E quem diria que essas mesmas personalidades me completassem tanto? Desde a senhora sem um único cabelo branco, aos senhores adeptos de cartas. Desde a senhora com o colar do seu marido ao peito, à que tem saudades de costurar. Desde a vida dos campos que elas tanto recordam, às vidas dos filhos e netos de que tanto se orgulham. Desde a estima que umas têm pelos seus brincos de ouro, à saudade de cozinhar e de ter a casa cheia. Desde os apreciadores do sol a entrar pela janela, aos que gostam de cantar. Desde aqueles que não se cançam de repetir o seu nome, às unhas lindíssimas que muitas conservam. Desde os que nunca se esquecem de desejar felicidades, à fé que muitas possuem. Desde os conselhos sábios que guardam na ponta da língua, aos abraços sentidos.
E é por gostar tanto deles e lhes dar tanta dedicação que tenho medo que amanhã já não os encontre...

Domingos à tarde

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Subtilezas

Era de manhã e as pupilas tinham acabado de se retrair. Tal como ontem, o sol já ia alto. Muitos passos já se tinham dado nas ruas. Muitas decisões já se tinham tomado. O dia já não era uma criança. E pensava cá para mim: que grande lontra sou! Espreitei pela janela com os meus olhos paralelos ao rebordo da mesma, como quem tem medo da civilização.
Não sou alguém que tenha nascido na Grécia por entre templos, ideias ousadas e teorias promissoras. Não sou uma filósofa. Mas a lógica das coisas seduz-me e as dicotomias alimentam-me. E, apesar de limitada pela geometria desta janela, ponho-me a divagar por entre humildes pensamentos, até me perder nos labirintos da razão e do coração. Ou até que leve um abanão da consciência e desça à terra. Mas, por enquanto, debruço-me sobre este cenário deleitoso, onde me ponho a dissecar ações e pensamentos preliminares. Fico a imaginar o quão trabalhoso deve ter sido pintar aquelas riscas brancas da estrada, a observar em como o grupo de crianças ao fundo da rua se tornou numa ilha de júbilo por entre preconceitos humanos, a pensar se o empresário do ramo de flores o vai entregar a alguém que realmente ama. Pergunto-me porque as pessoas se desviam do sol, sendo provavelmente a coisa mais genuína das suas vidas. Porque somos uma espécie bípede, se isso só nos tornou mais imponentes e fanfarrões, alardeando valentias próprias. Porque não dizemos bom dia às pessoas, se sentimos os nossos pulsos a bater. E ponho-me a conspirar sobre os pensamentos atarefados das pessoas. O que irão fazer a seguir? Qual será o seu destino? Onde irão almoçar? Ou será que amanhã estarão noutro país? E lá continuo absorta aos meus afazeres, descortinando o singelo e repelindo formalidades.
Esta sou eu. Uma fiel sonhadora, inimiga de utopias e amante dos porquês.

domingo, 7 de outubro de 2012

Voluntariado 17#

Retomei as minhas idas ao lar. Que bom que foi! Encontrei pessoas bem melhores de saúde. Outras com novas histórias que contar. E outras sempre prontas a ensinar-me novos vocábulos. Que melhor presente pode haver que este? Tinha já saudades do seu carinho e da sua cara sorridente a desejar felicidades. Conheci três pessoas novas. E bem novas que parecem! Adorei-as.
Tive, ainda, o prazer de conhecer familiares seus de Lisboa. E lá me disse um senhor, ironicamente, a acenar com a cabeça que aqui, o campo, é um bocadinho diferente de lá, da cidade.

Frase do dia: "Ainda ontem à noite estava a pensar na menina. E digo-lhe isto de coração."

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Ricardo Araújo Pereira 3*

“Acaba por ser reconfortante que, em tempos de crise, um chefe de Governo faça sonhar o povo e adopte um discurso em que a política se deixa permear pela poesia. A política não é boa, e a poesia também não, mas não há dúvida de que uma anda a permear a outra. Além de deverem suportar o insuportável, os portugueses são incentivados a olhar para o desemprego como uma oportunidade. (…) E, como sonhar não custa dinheiro, sigamos o exemplo de Passos Coelho e descortinemos oportunidades em todas as desgraças. Porquê ficar apenas pelo desemprego? Os acidentes rodoviários são uma oportunidade para trocar de carro. Os incêndios são uma oportunidade para organizar uma grande churrascada com amigos. As cheias são uma oportunidade para fazer um passeio de barco bem romântico. E a cadeia é uma oportunidade para descansar e descobrir novas sensações no duche. O desemprego talvez seja a oportunidade mais promissora, e por isso aquela que o Governo mais acarinha. (…) A única formalidade a cumprir cabe ao trabalhador despedido, que deve dirigir-se ao seu ex-empregador para lhe agradecer a oportunidade. Depois de beneficiar dessa oportunidade, deve aproveitá-la para empreender e inovar. (…) O problema é que a oportunidade do desemprego esgota-se na eventualidade, felizmente remota, de o desempregado encontrar emprego. Nessa altura, perdeu a oportunidade. E, embora não mereça, talvez deva receber nova oportunidade, até para animar a sua vida. O ideal é manter-se desempregado, estado em que se mantém permanentemente a aproveitar a oportunidade. É possível que haja quem não aguente e morra. Mas a morte, não sei se já adivinharam, é uma oportunidade. Para fertilizar a terra, por exemplo. É aproveitar, portugueses.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Beneficência? Não, obrigado.

É irónico! Construímos estradas mais largas, mas temos pontos de vista mais restritos. Inventamos boas máquinas fotográficas, mas a nossa vida é somente a preto e branco. Há sinalização e passadeiras em todos os cantos, mas nunca iremos perder o nosso tempo a cumprimentar o vizinho da rua da frente. As montras estão repletas de saltos altos, mas continuamos tão pequeninos. Trocamos um lugar numa montanha por um lugar acolchoado num avião. Trocamos um rosnar de um animal por uma música onde reinam os efeitos especiais. Trocamos a essência natural de um prado por um perfume banal. Trocamos a fruta das árvores por um sumo de frutas com gás. E trocamos a textura de um tronco ou das níveas espumas das praias pelas teclas do telemóvel da última geração. Estamos a atravessar uma crise de valores. Não o subscrevo por ser mais uma frase vítima de forte banalização. Mas por sentir nos poros uma reviravolta no tempo, nos costumes, nos pontos de vista, nas tendências. Vivemos por entre ocorrências alegóricas, onde o perfecionismo que nos veste e reveste segue, agora, as pisadas de caminhos onde o luxo é rei e a eloquência é rainha. Quanto mais a moeda se desvaloriza, mais nós desvalorizamos os outros. Quanto mais delineados estão os estratos sociais, mais delineamos o nosso estilo pessoal para ficar no topo da pirâmide. Estamos constantemente a trocar alianças com o nosso ego. Somos os fiéis cordeirinhos do mundo contemporâneo. Os escravos da publicidade. Os obcecados das grandes superfícies. E os criadores diretos do bombardeamento de marcas. Mas até o moderno nos cansa. A riqueza nos dá náuseas. As rotinas nos tornam dependentes de comprimidos coloridos. E enfim. Vivemos tão sedentos de necessidades imaginárias que o terreno se torna próspero para uma crise de valores. São truísmos como estes que nos levaram ao auge da incúria. É sim um erro crasso. Mas as reviravoltas acontecem. Os antagonismos sucedem-se. As modas antecipam-se. E nós manipulamo-nos. Quero acreditar que um dia acarinhemos pressões alheias que nos levem a perseguir novos rumos. Que nos levem a reconhecer os prodígios que são os ditados populares. Que as vivências das nossas avós não nos passem despercebidas. E que não continuemos a camuflar-nos nos vícios. Somos todos uns grandes poetas. Uns fingidores!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

As palavras não me cativam. As letras não me alegram. O tempo não me sorri.
Sem motivação alguma!

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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Ricardo Araújo Pereira 2*

“No tempo em que os animais falavam, havia tamanha quantidade de ocorrências alegóricas que ninguém se lembrava de assinalar que a existência de animais falantes também era notável. Os fabulistas eram gente que se maravilhava mais depressa com os prodígios morais do que com os prodígios naturais, e por isso deram muita atenção aos primeiros e nenhuma aos segundos. Como se não fosse mais frequente encontrar na natureza uma lebre fanfarrona, uma cigarra preguiçosa ou uma raposa hipócrita do que um único bicho falante. O tempo em que os jornais contavam parece agora tão distante como o das fábulas. Não sei se o leitor se lembra: um jornal dava uma notícia que embaraçava um membro do Governo e este, movido por vergonha própria ou pressão alheia, demitia-se. Hoje, há pouca pressão e ainda menos vergonha. Aquilo que vem nos jornais já não demite ministros.”

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Asas do tempo

Como gostava eu de adquirir asas e presenciar uma história de vida, fazendo uma prolepse no tempo. Poderia voar a sério, pois saberia que o vento que me soprava na cara não seria mais um fruto dos meus sonhos ou de um provável sonambulismo. Poderia vir à tona deste mar de curiosidade que me afoga. Voaria até um sítio lá no além, um sítio entre o horizonte e a nossa vida, um sítio longínquo e que um dia todos esperam alcançar. O futuro. Queria ver alguém com um sorriso rasgado e um espírito incandescente. Alguém a crepitar de alegria, a empreender solidariedade e a espalhar palavras de alento. Alguém a fomentar a paz, a crescer em ética, a transpirar inovações e a reservar algumas poupanças. Alguém a rir que nem uma criança inocente, alguém a banir os cruéis, alguém a dar-se ao respeito, alguém rodeado de animais e alguém a viver fervorosamente. Ou talvez visse alguém com um histórico de desilusões aguentadas, olhares sufocados e pupilas tremendamente grandes. Alguém com pestanejares cessantes, más recordações, furtos de alma e lágrimas precoces. Alguém dotado de ríspidos devaneios e ásperas incógnitas ocupadas por pretextos. Quereria escrever sobre uma profissão. Abordar uma família. Reter o nome de grandes amigos. Descrever o seu marido. Descrever, quem sabe, os seus filhos. Poder ver como seria a sua casa. Desde a brisa de primavera a dançar com as cortinas de renda da sala de jantar à varanda com roupa a pingar as últimas gotas de detergente. Desde a tinta ousada das paredes às modestas portadas de madeira antiga. Desde a toalha usada da mesa do jardim à colcha neutra da sua cama. Desde a erva fresca aparada à uns minutos às espécies autóctones e tropicais a competirem entre si. Desde os recantos da lareira negra aos vasos de porcelana. Desde os trevos a brotar livremente à macieira que daria maçãs todos os anos. Seria este belo aparato repleto de segredos que faria da sua vida um sonho até à última diástole do seu coração.
E se fosse eu a protagonista da história?

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Ricardo Araújo Pereira

"Um português passeia nas ruas de qualquer cidade europeia e sente a admiração de toda a gente. O ministro das finanças alemão terá telefonado a Angela Merkel para lhe dizer que talvez as medidas de austeridade pudessem ser um pouco menos duras. Desempregados que já tinham as malas feitas para emigrar voltaram a pendurar a roupa no cabide e desataram a projetar micro, pequenas e médias empresas. É infalível: seleção que faça brilharetes nos campeonatos internacionais obtém o respeito do resto do mundo."

domingo, 15 de julho de 2012

Conversas às 3:00 am

- As bonecas de porcelana são tão bonitas. São perfeitas!
- Mas não parecem felizes. Se calhar é de propósito.
- Bem visto. Assim de repente até parece que fiquei com medo delas.
- São só bonecas de porcelana. E se acordassem, elas sabiam que nós as percebíamos e não nos faziam mal.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

segunda-feira, 9 de julho de 2012

2ª fase de exames

Ter de interromper o nosso divino descanço para pegar em livros é um sacrifício enorme. O sono é tanto que julgo que estes próximos dias não vão render muito, mas veremos.

domingo, 8 de julho de 2012

Verdes perspetivas

Paz? Talvez ninguém a conheça. As medidas da minha casa, o meu peso, a minha altura, as notas que tive, a largura da minha cintura… Lá esses números desaparecem, sabias? Lá não vivemos em função de algarismos árabes. Onde? Num refúgio primitivo onde acordamos por entre ecos ressoantes de sinfonias puras, vemos a relva crescer por entre telas pintadas de fresco, somos provocados pelo olhar genuíno dos animais robustos, somos drogados pelo cheiro a malva dos campos, somos incessantemente autênticas crianças saltitantes e ingénuas, não conhecemos eufemismos e aparências de plástico, respiramos sofregamente um oxigénio que transporta pólen, não temos medo da noite das montanhas serranas, sabemos que possuímos um esqueleto que se move em função da felicidade e não em função de preconceitos, queremos plagiar o ambiente que vivemos para o possuirmos numa outra vida, somos somente escravos da nossa vontade e tornamo-nos amantes do bater do nosso coração. Um mundo onde a única demagogia pessoal é roubar fruta sumarenta ou flores que nos osculem perante tamanha beleza. Um mundo onde a hostilidade não se esconde por entre embargos e rígidas etapas, de tão escassa que é. Um mundo salpicado por purpurinas que repousam nas gotículas, que refletem o arco-íris e que, por sua vez, namoram com as borboletas de cromossomas perfeitamente combinados. Um mundo onde caótico seria destruir um ninho de pássaros, o buraco de areia das tartarugas ou um coral. Um lugar atulhado de sonhos. Sonhos como clichés estereotipados. Se tal tendência nómada substituísse o sedentarismo deste pontinho do universo, todos nos esqueceríamos que o mundo em que existimos, existe. Porque é lá que a paz se encontra.

sábado, 7 de julho de 2012

Lar

Já tinha saudades de despoletar sorrisos neles e de sorrir perante tanta sabedoria e experiência.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Exame F.Q.

Posso dizer que foi melhor que o exame de biologia e que o teste intermédio de F.Q., de resto correu mais ou menos. O que agora quero e mereço são umas semaninhas de puro descanso! E depois, lá voltarei a pensar em médias.
Mais pormenores, dia 9 de Julho.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Exame bio/geo

Bem, ao que parece sou só mais uma que, depois de duas horas e meia entre corações palpitantes, saí do exame igualmente deprimida do que quando entrei.
2ª fase, como penso tanto em ti.

domingo, 10 de junho de 2012

Bairro pobre

Era uma rua comprida, estreita e atulhada de dissabores e agonia em cada porta. Era essa a única calçada com pedras mal cimentadas que seguia as pisadas de um povo trabalhador, que armazenava as lágrimas e o suor de uma vida esmerada, que segurava os antagónicos pontos de vista e que sustentava o vidro estilhaçado das rotinas noturnas. Desde aquela madeira tingida das portas ao surro do sabão das casas abandonadas, desde o ar faminto que pairava no ar às mãos castanhas e estendidas dos mendigos, desde os calos dos pés gretados dos homens às rugas definidas das mulheres campesinas, desde gatos moribundos à espera de um osso seco à ferrugem das maçanetas, desde a bola de farrapos rota e desfeita das crianças às carcaças dos pães podres que lambiam, desde os sorrisos exageradamente amarelos às doenças proliferadas pelos dejetos dos animais, desde a lousa das casas e das sepulturas ao talho da esquina que albergava órgãos carunchosos de animais ao relento, desde o nevoeiro que sobrevoava os telhados repletos de líquenes ao ar taciturno e triste da cara dos que tinham os dias contados. Aqueles árduos engenhos até ao pôr-do-sol, aquelas vidas sem ornamentos, aqueles magros mas saudosos filhos, aquela humildade pura, aquela honestidade sã e aquela garra perene figuravam como feições de uma raça sem preconceitos. As saias compridas e fluidas das mulheres a roçar no chão deslavado das varandas rimava com os ventres afagos prontos a dar à luz novas sombras consumidas por moscas. A água espumante lavava os largos paralelos da estrada, enquanto o escasso perfume a detergentes baratos invadia as lixeiras e dava anos de vida às velharias. E à noite, as luzes dos candeeiros do último século destacavam as sombras dos buracos das camisas rotas de quem por ali passava. Uma vida divorciada de futilidades, artificialismos e artimanhas e que constitui, justamente, um oásis de magnanimidade, onde é o suor que une e cimenta os paralelos do chão que pisamos.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Grr

Cheguei a uma altura em que o tempo é tão banal como a bolha de ar do último livro que encapei, e tão maçador como ouvir o despertador tocar semanas e semanas às sete e meia. Só o que há de negativo deixa rasto. O suor dos pés, tal como o seu cheiro agradável, os cabelos desgrenhados, as olheiras cavadas, as mãos mais tremeliques, o rosto com menos expressão, a roupa atabalhoada pelo quarto, a cama por fazer, as ideias por pôr em ordem, e tudo por causa da porra da extensão dos programas, aos quais os professores têm de seguir honradamente que nem fiéis servidores.

Omg

Depois de atravessar uns trinta e tal graus de temperatura, com três malas às costas, onde o pensamento que reina é o dos exames, os nada desejados exames! Chego a casa. Ligo a televisão. Eis que me aparece a letras grandes: COMO NOS PREPARARMOS PARA O EXAME? RESOLVER MUITOS EXERCÍCIOS, MUITOS!
Omg, perseguição.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Saudades antecipadas

Aquela escola, aquele espaço, aquele mundo de reações e mudanças, onde se fundiram histórias, entrecalaram-se amizades, onde se criou o espaço e o tempo por entre livros e sermões. Uma história de vida que não quero perder.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Humores

Envolta em tédio, é como posso definir os meus humores. Tédio pelo stress dos testes, pela pressão dos exames, pelo cansaço acumulado, pelo desespero de saber que no dia seguinte me esperam novas horas sentadas numa cadeira gasta (não tão gasta como eu!), me esperam umas olheiras mais cavadas e profundas que no dia anterior, me esperam novos desefios, me espera mais pó de giz (tão pálido quanto eu), mais sono, menos energia, menos inovações e mais um papel em que interpreto uma estatueta de cera. Acho incrível como a estatística usa os estudantes deprimidos como escravos, como ainda assim a beleza das médias se faz à custa dos que não dormem, como se está a formar uma sociedade de jovens tão dependentes de comprimidos como os idosos. É assim que nos querem impôr o interesse pela escola? Será com este aspeto corcunda que vamos "dominar" o mundo? Duvido.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Marketing

Sabem aqueles momentos em que os nossos olhos brilham quando vemos algo que adoramos à venda? E conseguem imaginar uma mulher com um riso falso a vir em direção a vocês? E conseguem ainda acreditar que comigo todas elas inventam que têm precisamente o que vou comprar, referindo (obviamente) que é um excelente artigo? Pois, pois, conversa da marketing. Aquela simpatia extrema e aquela amabilidade longe de ser genuína dão comigo em doida. Ou é porque uns sapatos são confortáveis, ou porque uma camisa assenta bem na cintura ou ainda pelo lenço condizer perfeitamente com os olhos e tom de pele, tretas! E o que mais me aborrece é venderem-me uns sapatos e depois prenderem-me os olhos aos mil e um sprays que me querem impingir para conservar a cor deles. Que queremos ser bem recebidos, isso queremos todos. Mas sairmos de uma loja entediados por ouvir a frase: quer este? e este?, não me parece animador. 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Apresentação oral

Mais um dia de nervos e de folgor! Mais um dia em que das duas uma, ou corre muito bem ou corre muito mal. Mas até lá vou navegando em águas calmas, em torno do capítulo VII de "A Cidade e as Serras", em torno do pessimismo de Jacinto que insiste em apoderar-se de mim aos poucos e poucos. Que assim seja!

Testes intermédios

Não há muito que dizer. Estou do lado esquerdo! 
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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Tecnologias, malditas!

Três dias antes de um teste intermédio de física e química e a máquina decide apagar-me toda a matéria de dois anos. Fiquei de cabelos em pé. É o que dá estar dependente de teclas, de atualizações, de sistemas operativos, enfim de tecnologias.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Civilização

Desgasto-me somente de assistir aos concursos de máscaras que sucede a todo o minuto pelas calçadas. Canso-me porque todo este apetite voraz me suga mais sangue que um percevejo. Aqueles vagabundos corruptos que carregam ácido nas veias e que andam tão engelhados para não caírem da linha ténue que é a vida deles. Aqueles frenéticos pela civilização, dotados de poder e, no fundo, dependentes dos animais do estábulo, do fedor do estábulo, dependentes de quem apanha lixo para sobreviver, dependentes dos pobres. Aqueles nauseabundos a quem não lembra a vida social, a religião e o apetite, se não o do canibalismo psicológico. Aqueles sedentários que repelam os bichos, que não podem ver uma carraça, quando na verdade vivem como elas. Aquelas figuras de cera tão bem esculpidas de figura, mas tão mal esculpidas de coração. Desde aqueles “toc´s” dos sapatos envernizados, àquela pele lambida de pós que aparenta ser de cristais. Aqueles robots movidos pelo fumo dos cigarros, pela poluição sonora, pelo alcatrão, pelas gravatas, pelos vestidos, pelos escritórios dos arranha-céus, pela ilha de presunção onde vivem, pela metrópole. Aqueles que admiram aquele andar calculado e dissimulado, como quem recorre a um esquadro para medir os passos. Aqueles que estupidamente se escondem atrás de pilhas de fotocópias inúteis, onde a cidade é toda ela uma fotocópia, com apartamentos encaixotados e simétricos aos que os rodeiam. Aqueles que olheiras possuem, não por ver as estrelas, mas por se deitarem tarde com as suas amantes. Aqueles de diamante no dedo que falsamente se riem e festejam as suas rotinas de gaiola. Aqueles que vivem inutilmente à espera do próximo servidor, onde não há existência para além do seu monstruoso portão automático. Talvez toda a cobardia requintada seja a mais falsa forma de viver em comunidade, talvez o nosso ego chegue para preencher todos os espaços vazios do mundo, para preencher as nossas próprias células, para envenenar os nossos atos…

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Happy girl

Uma rapariga feliz é aquela que já não vai fazer teste esta semana e que em vez disso recebe a prendinha de anos adiantada e vai às compras. Am I!!

sábado, 24 de março de 2012

Voluntariado 16#

Frase do dia: "Andam tantos a comprar apartamentos, para estarem todos mais juntos, quando de manhã nem sequer vão à porta do vizinho dizer bom dia!" (senhora E*)

quarta-feira, 21 de março de 2012

Dia de emoções

Foi um dia simplesmente fenomenal! Dele restou um papel de uma pastilha, com impressões digitais muito especiais.

terça-feira, 20 de março de 2012

Ver para crer

É impressionante como às vezes passamos por um sítio que nos passa completamente ao lado e, ao passarmos a segunda vez, paramos e vemos como a beleza em bruto nos fascina e cativa por completo.

Voluntariado 15#

Mais duas partidas inesperadas...

domingo, 18 de março de 2012

segunda-feira, 12 de março de 2012

Crime que ocultamos

Nós: mãos nos bolsos, triviais, dotados de omnisciência, senhores de verdades absolutas, sem remições, passos largos como quem produz apoteoses a nós próprios quando julgamos que a rua é uma passerel e o asfalto a passadeira vermelha. Passamos a vida a ser parceiros de uma superfície espelhada que nos mostra somente pele, cabelo esvoançante, lábios carnudos, faces rosadas, olhos pintados e roupas bonitas. E não a comida por digerir, as lombrigas do egoísmo, os vírus da presunção, as bactérias da vaidade, o mau caráter. Eles: escravos da doença, cabisbaixos, vis pela face seca, usados e deitados fora, olhar desgastado, inexistência de beleza, falta de consciência, eco de inovações, sombra ignorada, carência de elegância e sentido de moda.
Pomos de lado as rugas que os revestem, enquanto o nosso corpo é revestido de chagas, ignoramos o seu conhecimento a posteriori, quando a nossa inteligência nem o botox supera, afirmamos a sua invalidez e o facto de não produzirem, quando nós somos a metrópole da produção do egoísmo, achamo-los monótonos, mas fazemos uma vénia à mais monótona paisagem de betão em que vivemos, tratamo-los como a mobília do canto da garagem, mas a nossa futilidade é mais cinzenta que o fumo do carro que lá estaciona todos os dias… Tão sátiros que julgamos que uma bengala é motivo de desgraça, que uma camisola fora de moda é vergonha, uma caixa de medicamentos é castigo, cansaço é desassossego, idoso na família é doença… A desagregação do mundo dá-se com a queda deste primeiro bloco!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Depois de uma semana mergulhada em matemática e química, aqui estou a pesquisar sobre uma tal de Emmili Pankhurst que ao que parece instituiu o direito de voto na mulher!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Mais morta que viva

Depois de 3 horas de exercício físico intensivo, o meu corpo já só reclama uma cama.

Conversas à mesa

Mãe: Sabes, hoje é dia da mulher.
Pai: Ah, pois é...
Mãe: Hoje não cozinho! O que achas?
Pai: Vai-se ali comprar umas pizzas, e assunto arrumado.
Mãe: Olha-me que preguiçoso.
(como os homens se escapam da cozinha!)

Women´s day!

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terça-feira, 6 de março de 2012

sábado, 3 de março de 2012

Voluntariado 14#

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Frase do dia: "Tanta gente sem dinheiro para comer e que vai ver um jogo de futebol!" (senhor M*)

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Voluntariado 13#

Ficaram todos deliciados com lindos poemas daqui da terrinha! ahah
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Frase do dia: As vossas caras parecem de uma rosa, não têm nada onde se lhe apontar! (senhor A*)