domingo, 17 de fevereiro de 2013

Refém

Nascem-me diamantes nos lábios como carimbos de supostos sábios. Brotam-me espinhos no coração como vestígios da nítida presunção. Surgem-me espadas nos dedos como sinais de escondidos medos. Enfiam-se-me pedras nas veias como rastos de esgotadas ideias. Desenham-se-me caveiras nas impressões digitais como marcas de poucos indícios vitais. Estou corroída pela chuva humana, maltratada pela máquina do tempo da decadência e engolida por frívolos estímulos. No tempo em que não se falava de bipedismo e éramos macacos, o mundo não conhecia emulações, se não as da lança e da presa. No tempo em que a palavra se vestia de preceito, as pessoas eram patriotas e tinham desejos vernáculos. No tempo em que possuía pouco mais do que raios solares e fruta madura, eu era reconditamente feliz e era-o por isso mesmo, por ser ignorada e viver um sonho oculto. E se o eco do passado existisse, eu não estaria de malas feitas em cima desta velha colina, tão triste, solitária, enrugada e pagã. Não estaria no cume de mim própria, com a consciência aniquilada e com o desejo de abandonar os escombros da vida, onde os mortais se arrastam com a barriga cheia de champanhe e camarões. Onde os punhais se viram para a fantasia. Onde assombrações efusivas se atulham na meta. Onde céticos flutuantes se deixam afetar pelo cupido dos sortilégios. Onde a queratina dos preconceitos ainda não conheceu a lima. Desisto! Estou pronta para partir, já que me resta alguma razão! Espero algo melhor. Basta-me a simplicidade… não é pedir muito. Choro desalmadamente, grito sufocante, arranho-me com a bruteza que a vida me ensinou. Porque não me levas?! Ah… Já fiz tudo o que tinha para fazer! Já vi pobreza, escravidão, fome, guerra, valores desumanos, discrepância… Basta! Já vi o que precisava. Mas sou humana, e com muito desgosto me sinto como uma raça tida como evoluída. Só quero cuspir para as culturas e para as etnias, demolir os corredores dos infortúnios, bombardear as minas do orgulho, envenenar os âmagos do prestígio, apagar a hominização da história do mundo e consertar, se forças me restarem, as portas escancaradas das posses. Aqui fico, tristemente, a apodrecer ao relento e a reduzir-me aos meus voláteis pedaços de carne que, aos poucos e poucos, serão levados para o inferno.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Ricardo Araújo Pereira 9*

(…) Agora que passam 20 anos sobre o envio da primeira mensagem SMS, talvez seja tempo de avaliar o contributo que esta forma de comunicação tem dado à língua portuguesa. (…) A ideia central do estudo é a seguinte: a mensagem SMS é uma simplificação que complexifica, no sentido em que é constituída por abreviaturas de tal forma intrincadas que acabam por requerer, elas mesmas, descodificação. No entanto, esse fenómeno não constitui obstáculo à compreensão do texto. Como diz Moreira, "o excesso de simplificação da escrita obscurece o conteúdo da mensagem que é, felizmente, em geral, nenhum". Moreira dedica um capítulo à análise da expressão "tá td?” (…). (…)"A falta do advérbio acrescenta um jogo de subentendidos entre emissor e receptor que tem interpretação múltipla. Que significa a desaparição do 'bem'? Que não há lugar para o bem naquela relação comunicativa? Ou, pelo contrário, que a presença do bem é tangível a ponto de ser desnecessário articulá-la verbalmente? (…) Sobre "jokas", Moreira debruça-se no capítulo seguinte. Em primeiro lugar, nota que, naquela abreviatura de "beijocas", a introdução do k não contribui para a poupança de letras que caracteriza a maior parte destes textos, daí retirando as devidas conclusões: "O k de 'jokas' não revela uma preocupação com a economia dos caracteres, mas sim com a introdução de um elemento de novidade: o que se diz é que estas 'jokas' são diferentes de eventuais 'jocas'. Em que consiste essa diferença? Modernidade e exotismo são valores que nos ocorrem imediatamente, e parece ser esse o objectivo da utilização de letras de outros alfabetos." (…). "A linguagem usada em sede de SMS revela, de um modo geral, aquilo a que poderíamos chamar 'literacia de chimpanzé', no sentido em que lança mão dos recursos de que um chimpanzé vagamente familiarizado com uma gramática também lançaria, como utilizar os sinais de pontuação para desenhar caras sorridentes ou tristonhas, por exemplo."

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Boa melancolia

Tumblr_lorq2tpkaf1qj8oivo1_500_large
Supostamente esta tarde devia ser aproveitada para pegar nos livros, mas não! Ao invés disso prefiro ver a chuva a cair ao som dos Avenged Sevenfold, banda que ando a consumir com frequência. Mas, por um lado, o jogo de monopolio tem um olhar sedutor e, por outro, tenho de resolver este dilema sobre o que vestir para a festa de anos de logo à noite.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Fevereiro, começas mal

Tumblr_mhg8ntklti1s3llopo1_1280_large
Sim, este mês tinha tudo para ser bom, ou quase tudo, vá! O sol, por norma, é mais frequente, as férias de Carnaval sempre ajudam a relaxar e as passeatas que tenho planeadas prometem!
No entanto, a gripe não passa, os trabalhos de grupo não vão acabar tão cedo, os trabalhos de casa nem vou comentar, os testes intermédios estão à porta e a meteorologia não se decide e enfim, a minha monotonia é semelhante à da tinta que reveste a escola.
Que venha Março o mais rápido possível, sim? 

Conversas de sala de aula

Um aluno abandona a sala de aula...
- Para onde é que ele vai?
- Para um sítio melhor que nós! Olha, se calhar vai para o médico.
- Sim, é um sítio bem melhor que este.
- Pois.
This news is appalling to me even though it happens every Sunday night. :< In other news- the Super Bowl is going on right now!

sábado, 2 de fevereiro de 2013

O cenário é este:

Uma montanha de lenços do meu lado esquerdo, uma caixa de comprimidos do lado direito, um chá no meu colo, os olhos postos no termómetro e, à minha frente, uma data de cartas e papéis escritos por mim à imenso tempo. É esta a melancolia deste Sábado à tarde. E dá-me para isto! Nos intervalos deste tédio à que explorar o instagram, ao qual aderi ontem à noite. Será um dia produtivo, portanto -.-
Mas agora vou limpar a casa, porque a sujidade não adoece. Adorava ter a garra e a coragem para escrever um texto neste fim-de-semana, mas desculpem-me.