sábado, 4 de fevereiro de 2012

Quebrar a monotonia

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Sim ou Não!... são as respostas que posso trazer daquele lugar, daqueles metros quadrados que roubam espaço à minha vida, que me subtrai anos de vida, que me divide as felicidades e me acrescenta rugas e olheiras pelas cascatas de meus olhos... Pela estrada levo comigo os medos, as angústias e sempre expectante de que aquele cenário hipotético finde ali mesmo. Ali, naquela estrada negra, assombrada por maus agoiros. Uma estrada com o mesmo alcatrão, as mesmas tintas, as mesmas bermas, as mesmas monótonas placas que tantas outras. Aparentemente, tudo normal. Talvez os tons da paisagem tangente àquela estrada me quisessem subornar com galanteios, mas logo olhava em vão e me lembrava do que me trouxera ali, para aquele ninho de feras ainda com sangue nos dentes. Ver aquele chão, que outrora pisei, aquela entrada, que outrora me dava esperanças, aquele corredor, que outrora me fez sorrir, aquele canto, que outrora me fez chorar de felicidade, despoletou em mim o mesmo sentimento trémulo com que abandonei aquele lugar pela última vez. Rezava e ouvia até coisas positivas, mas brotava somente em mim um sobressalto que me fazia questionar porque estava ali, o que fazia ali e porquê eu a deixar impressões digitais naquele inóspito lugar, pela segunda vez consecutiva... inundo-me de questões e de pessimismos para que a primeira vez não sirva de molde. Lembro-me de ficar enternecida quando lá cheguei e de uns dias depois andar sufocada com tamanha brutalidade inesperada. Pensei que não passava de um pesadelo, mas enganei-me, era real, e só o notei quando senti a maçaneta da porta na minha mão direita, foi então que soube que mais um pedaço de mim ali iria ficar ao fim daquele dia.

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