sábado, 20 de abril de 2013

Oscar Wilde 3

"Influenciar uma pessoa é dar-lhe a nossa própria alma. O indivíduo deixa de pensar com os seus próprios pensamentos ou de arder com as suas próprias paixões. As suas virtudes não lhe são naturais. Os seus pecados, se é que existe tal coisa, são tomados de empréstimo. Torna-se o eco de uma música alheia, o ator de um papel que não foi escrito para ele. O objectivo da vida é o desenvolvimento próprio, a total percepção da própria natureza, é para isso que cada um de nós vem ao mundo. Hoje em dia as pessoas têm medo de si próprias. Esqueceram o maior de todos os deveres, o dever para consigo mesmos. É verdade que são caridosas. Alimentam os esfomeados e vestem os pobres. Mas as suas próprias almas morrem de fome e estão nuas. A coragem desapareceu da nossa raça e se calhar nunca a tivemos realmente. O temor à sociedade, que é a base da moral, e o temor a Deus, que é o segredo da religião, são as duas coisas que nos governam."

Ponto da situação

Apesar do teste de ontem ter corrido mal (nada que não esperasse) a boa disposição fala mais alto, bem como o espírito novo em tratar dos preparativos para os meus anos!

quinta-feira, 18 de abril de 2013

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Ricardo Araújo Pereira 13*

"Quando, na semana passada, se soube que o ministro Miguel Relvas até teve equivalências a três cadeiras que não existiam, a notícia levantou sobretudo problemas filosóficos. (…) Ou seja, Miguel Relvas, que foi licenciado antes de o ser, pode agora deixar de o ser sem nunca o ter sido. Quem está em maus lençóis não é Relvas (como, aliás, é costume sempre que há problemas com Relvas) mas a Lusófona. Pode uma universidade tirar ao ministro algo que ele nunca teve? E se Miguel Relvas se licenciar na floresta e não estiver lá ninguém para ouvir, a licenciatura fará barulho? Porque é disso que se trata: do barulho que se pode fazer com a licenciatura. (…) Antigamente, a licenciatura servia para arranjar emprego. Hoje, é capaz de atrapalhar. (…) A licenciatura é só para enfeitar. Acaba por ser um escândalo que Miguel Relvas precise mesmo de se licenciar para que o tratem por doutor. Creio que cada pessoa devia poder escolher a forma de tratamento deferente que lhe parecesse mais apropriada e aplicá-la ao ministro sem necessidade da mesquinha verificação de que ele possui realmente as habilitações que permitem esse tratamento. É o que vou passar a fazer relativamente ao almirante Miguel Relvas. (…) Os novos factos revelam que o ministro estudou não só cadeiras que existiam como cadeiras que não existiam. Normalmente, a matéria das últimas é bastante mais vasta do que a das primeiras. E a bibliografia bem mais difícil de encontrar. (…) O escuteiro-chefe Miguel Relvas encontra-se agora, injustamente, numa posição ingrata. Já se sabia que tinha feito um curso com equivalências, e sabe-se agora que eram equivalências a cadeiras imaginárias. Por isso, o visconde Miguel Relvas tem com a sua licenciatura a mesma relação que Portugal tem com a dívida: talvez consiga cumprir as suas obrigações, mas precisa de mais tempo. O melhor é reestruturar a licenciatura. Vamos esperar que o juiz desembargador Miguel Relvas consiga chegar a um acordo com a universidade."

José Luís Nunes Martins 4#

A morte que trazemos no coração - ilustração
(...) Um olhar atento sobre o mundo humano fará perceber sem dificuldade que a paciência é a sabedoria posta em prática. Mais se conquista com a determinação de um fundo que não esmorece, do que com forças explosivas que tão depressa aparecem como se desvanecem sem deixar rasto. Qualquer caçador ou pescador, artista ou cientista, poeta ou general, saberá que os bons resultados demoram, sempre. É essencial pois dominar a ânsia de precipitar e manipular os tempos. O homem não é senhor do tempo, mas pode e deve ser senhor de si mesmo. Os fardos da nossa existência carregam-se de forma mais tranquila quando nos damos conta do vigor que temos para os transportar. Quando percebemos que a força dos ombros é maior que o peso da cruz. O tempo não se respeita senão a si mesmo, segue o seu ritmo sem cuidar de se demorar neste intervalo mais do que naquele... quase tudo passa, quase tudo cresce e quase tudo morre. Há tempo para tudo, saiba o homem aproveitar aquele em que lhe é dado ser... quase tudo!Claro que parece sempre pouco o tempo de quem tarde se dá conta desta essência dinâmica da vida. Mas, ainda assim, será bem mais sábio ajustar-se ao ritmo natural da sua existência do que tentar recuperar tempos desperdiçados, numa lógica que abdica do hoje tentando sempre sem sucesso resgatar o ontem, não se dando conta do amanhã que também desaparecerá se se continuar perdido dentro da sua própria vida. (...) Por isso nos enganamos muitas vezes, quando à pressa, complicamos com imaginação aquilo que o tempo preencheria com simplicidade. (...) Mas uma espera obriga a suportar todo o tipo de ataques, exteriores e interiores. As esperas doem. As esperas fazem sofrem. Quando vivemos na paciência, somos senhores da renúncia e escravos da liberdade... optamos por uma guerra profunda contra o pior de nós mesmos. (...) As esperas permitem descobrir e filtrar entre os homens aqueles que têm maior valor... são os que ficam, quando os outros, entretanto, se foram - levados por uma força qualquer daquelas que se alimentam das nossas fraquezas. (...) A esperança é a arte da espera. Há que ser paciente perante a dúvida, diante da pressa, face a face com os pesadelos reais. O homem paciente vive acima do seu sofrimento. Constante na sua firmeza, sofre mas faz o seu caminho para diante. Carrega a vida e a dores com as suas esperanças, numa paz que é a suprema coragem.

Conversas em sms

L*: Já resolves-te o problema da máquina?
Eu: Não. Estou passada, só vou ter a máquina um dia antes do teste e é se tiver! Detesto passar as coisas em cima da hora e já não é a primeira vez que me acontece. Depois ainda querem que andemos calmos. Com máquinas destas, a avariar dia sim dia não, nem os calmantes nos valem!
L*: Realmente é preciso ter azar. A tua máquina tem variações de humor estranhas. Ou está grávida e tem as hormonas aos saltos ou tem dupla personalidade!
Eu: Bem, espero que esteja grávida, assim sempre há a possibilidade de parir uma máquina melhor -.-

sábado, 13 de abril de 2013

Voluntariado 23#

Mais uma manhã de sábado bem passada! As lágrimas converteram-se em sorrisos e a monotonia em alegria inesperada. Apesar da ausência destes últimos tempos, não fiquei esquecida :)
Acolheram-me com a natural simplicidade que a vida lhes ensinou e travamos ótimas conversas sobre vidas atribuladas. Teceram-se elogios, trouxeram-se à tona lembranças e deram-se muitos abraços e beijinhos, porque lá o dia do beijo é todos os dias! Mais uma vez me comoveu ver as pessoas atentas às nossas palavras e a responderem com carinho, apesar de limitadas fisicamente. Acrescido a isto, fiquei mais uma vez impávida, pensativa e felicíssima ao contemplar gestos que falam bem mais que um discurso sintaticamente correto. Saí de lá como se tivesse encontrado um tesouro!

Frase do dia: "Rezo todos os dias pela felicidade da menina!" (senhora B*)

A ansiedade nas ondas do mar

Paralisam-me as ondas do mar pela sua rapidez e determinação. Também nós, movidos pelos ventos da sociedade, somos forçados a seguir um rumo. Aquelas porções de água a remexerem-se conforme os dias vão passando, onde se vêm antagónicos reflexos de dia e noite, causam-me uma ansiedade tal que só é explicada pelas minhas ambíguas teorias. E logo me ponho a dissecar os sintomas deste nervosismo que decorre da vitória do tempo sobre uma vida humana na maratona da existência, até que me vejo afundada nesta ansiedade, que descrevo como uma espécie de nuvem de líquido ácido no estômago. É estranho, mas é a única maneira de explicar esta terrível sensação que nos consome.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Oscar Wilde 2

"As criaturas vulgares não nos impressionam a imaginação. Ficam limitadas ao seu século. Nenhum encanto as pode transfigurar: Conhecemos-lhes o espírito como os chapéus. Elas passeiam no parque de manhã e tomam chá, tagarelando à tarde. Têm sorrisos estereotipados e boas maneiras. São transparentes. Mas uma atriz! Como é diferente uma atriz... Por que não me diz que só vale a pena amar uma atriz?"

sábado, 6 de abril de 2013

José Luís Nunes Martins 3#

Deus e a crise
Nesta crise de dinheiros e verdades há matéria mais que suficiente para a construção de uma clássica tragédia grega (ou um fado à maneira antiga). Forças superiores que traçam destinos aos seres humanos e lhes testam o carácter e a dignidade... Forças que, apesar de todo o valor e por maior que tenha sido o heroísmo humano, acabam sempre de forma triste. Os mercados parecem ser hoje as personagens a temer e a quem devemos agradar oferecendo sacrifícios. Deus, que alguns procuram em regime de “morto ou vivo”, terá uma palavra a dizer a este respeito. Existem várias formas de viver e ser feliz, algumas mais superficiais e outra verdadeira. Talvez dois tipos de razão, aquela que a inteligência humana é capaz de abarcar e outra não acessível, para já. Talvez a nossa responsabilidade seja tão grande como a nossa ignorância. Mas a vida vive-se para diante, e é nas nossas mãos que está muitas vezes depositada a esperança da fé de outros. Não devemos esperar que as coisas boas aconteçam. Nem para nós, nem para os outros. Temos de ser nós a criá-las. Cabe-nos esse papel divino. Uma das ideias mais vezes adulteradas é a de que a existência de Deus retira, por si só, liberdade aos homens, que a Sua vontade anula a nossa. Errado. A liberdade humana é reforçada e ampliada pelo facto de existir algo superior que a criou, defende e promove, sem esperar outra coisa em troca senão que quem a possui trate de ser feliz por si e para os outros.

Ricardo Araújo Pereira 12*

Não sei se o leitor se lembra de um político que foi, em tempos, bastante proeminente em Portugal. Chamava-se, salvo erro, Aníbal Cavaco Silva. Parece-me que era isto. Durante algum tempo, esteve muito presente na vida portuguesa. Depois, foi tendo cada vez menos intervenção, e limitava-se a emitir algumas mensagens curtas através daquele sítio da Internet que foi inventado por um adolescente americano com o objectivo de falar com os seus colegas e amigos acerca das suas colegas e amigas. Mas, nos últimos tempos, o político de que lhe tenho estado a falar desapareceu. Uma vez que ninguém parece interessado em avisar as autoridades, permitam-me que lance eu aqui o alerta do costume: Desapareceu de seu palácio Aníbal Cavaco Silva. Quando foi visto pela última vez, vestia fato escuro e gravata azul. É de estatura média e em princípio não dispõe de meios financeiros para se deslocar ou garantir o seu sustento, uma vez que, segundo se sabe, a reforma não lhe chega para as despesas. Se alguém possuir informações que nos possam levar ao seu paradeiro, por favor contacte a Polícia de Segurança Pública. (…) Enquanto esperamos, recordemos algumas das suas opiniões mais interessantes, emitidas no tempo em que ele verbalizava pensamentos. (…) Beneficiamos todos do seu sacrifício, porque a jornalista citou um texto de 2001 em que o autor se insurge contra o então primeiro-ministro António Guterres, que pretendia cortar na despesa pública para fazer face à diminuição do crescimento económico. Escreve Cavaco Silva: "O que terão pensado os meus alunos da Universidade ao ouvirem o primeiro-ministro e o ministro das Finanças afirmarem perante as câmaras de televisão precisamente o contrário do que lhes ensinei e que leram nos livros de macroeconomia e de finanças públicas? Porque estamos em época de exames, entendi que era meu dever não ficar calado. O argumento é falso." E acrescenta, para ilustração dos seus alunos: "Quando o crescimento económico de um país abranda, a política correcta é precisamente deixar que a receita fiscal baixe automaticamente e não cortar na despesa pública. (...) Se quando um país é atingido por uma crise económica se cortasse a despesa pública, a crise ainda se agravava mais. É por isso que não se deve fazê-lo." Em 2001, o professor Cavaco Silva tinha o dever de não ficar calado, para que os seus alunos não fossem induzidos em erro. Em 2012, tem estado bastante silencioso perante o mesmo problema. (…) Se todos os portugueses se matricularem num curso de economia, talvez o Presidente da República intervenha, para que o Governo não nos imponha uma solução que qualquer economista considera desastrosa. Se, em vez de cidadãos, formos alunos, talvez tenhamos direito a uma palavrinha. (…) o que me impede de votar nele são as leis da física: não me é possível votar, em 2012, no Cavaco de 2001. Mas talvez este nos desse jeito, agora.

Vender rifas

Deixou-me exausta!

terça-feira, 2 de abril de 2013

Crueldade

Sim, é cruel voltar a ouvir o despertador! Voltar a respirar uma rotina que se odeia! Voltar a recordar a insanidade mental! Voltar a viver antigas angústias! Voltar a dar de caras com o pesadelo em forma humana! Voltar à opressão dos horários! Às inúteis matérias! Aos fugazes e insaciáveis intervalos! Voltar a vermo-nos a nós próprios opoderados pela escola como o mastigar se apodera de um pedaço de pão.
A work of minimalist art for april.