domingo, 8 de julho de 2012

Verdes perspetivas

Paz? Talvez ninguém a conheça. As medidas da minha casa, o meu peso, a minha altura, as notas que tive, a largura da minha cintura… Lá esses números desaparecem, sabias? Lá não vivemos em função de algarismos árabes. Onde? Num refúgio primitivo onde acordamos por entre ecos ressoantes de sinfonias puras, vemos a relva crescer por entre telas pintadas de fresco, somos provocados pelo olhar genuíno dos animais robustos, somos drogados pelo cheiro a malva dos campos, somos incessantemente autênticas crianças saltitantes e ingénuas, não conhecemos eufemismos e aparências de plástico, respiramos sofregamente um oxigénio que transporta pólen, não temos medo da noite das montanhas serranas, sabemos que possuímos um esqueleto que se move em função da felicidade e não em função de preconceitos, queremos plagiar o ambiente que vivemos para o possuirmos numa outra vida, somos somente escravos da nossa vontade e tornamo-nos amantes do bater do nosso coração. Um mundo onde a única demagogia pessoal é roubar fruta sumarenta ou flores que nos osculem perante tamanha beleza. Um mundo onde a hostilidade não se esconde por entre embargos e rígidas etapas, de tão escassa que é. Um mundo salpicado por purpurinas que repousam nas gotículas, que refletem o arco-íris e que, por sua vez, namoram com as borboletas de cromossomas perfeitamente combinados. Um mundo onde caótico seria destruir um ninho de pássaros, o buraco de areia das tartarugas ou um coral. Um lugar atulhado de sonhos. Sonhos como clichés estereotipados. Se tal tendência nómada substituísse o sedentarismo deste pontinho do universo, todos nos esqueceríamos que o mundo em que existimos, existe. Porque é lá que a paz se encontra.

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