sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

(in)capaz de suportar

Ao subir a este rochedo, muitas derrocadas houveram, muitos esforços conseguidos, muitas áreas polidas me deixaram escorregar... enfim. Julguei estar já isolada de pensamentos que outrora eram constantes a todos os segundos, mas enganei-me. Ainda sofro. Feliz, mas apenas amante do passado. Confiante, mas só esperançosa no que já passou. Relutante, mas somente fiel às luzes que se apagaram. Saltitante, contudo apenas crente na água que corria. Alegre, porém só visionária dos ventos remotos. Cintilante, todavia apenas recordo o fogo que se apagou, sem brasas deixar... A porta fechou-se, as luzes apagaram-se, o lume deixou de arder, as últimas gotas do copo secaram sem marcas dos lábios deixar, a escuridão dos cantos da sala tomaram relevo, os quadros revestiram-se de teias de aranhas, os armários ficaram vazios, as sombras eram apenas dos espíritos, a única presença era apenas do eco, o chão empoeirou-se de pó e cinzas, as portadas fecharam-se, os passarinhos deixaram de cantar, o galo foi degolado, o sino deixou de tocar, os animais domésticos da casa ficaram mortos e crus na estrada negra de alcatrão, as pedras da calçada ganharam musgo, e musgo negro, o trânsito estancou, as luzes da rua fundiram, o sol deixou de brilhar, os eclipses vieram para ficar, o rouge passou a ser a cinza dos corpos queimados, os diamantes passaram a ser as pedras lançadas pelos vulcões, a comida deixou de ser comida, o chão deixou de ser pisado, a fome e o racismo deixaram de ser debatidas, as doenças nem corpos tinham para se proliferar, as cores deixaram de existir, a primavera ficou extinta, e o mundo desapareceu... Fiz uma vénia ao medo, coroei a aflição, fui serviçal do engano, mas fui cleópatra do amor...

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