sábado, 18 de fevereiro de 2012

First disco

Por entre tortos caminhos e bermas descabidas, uma discoteca avistei. Rezei para que me não arrependesse, fiz figas para que não fosse algo desprovido de sentido e consciencializei-me que ia ser uma experiência de vida como tantas outras. Um cenário de fumo, de volumes altos, de escassez de roupa, de dança, de espampanantes personalidades, cores inimagináveis de bebidas e meras gotas nos usados copos de cristal, onde todos se procuravam destacar naqueles decímetros quadrados com um distinto batimento de pés e mãos, proliferando auto-confiança. Ali, a inocência é posta de parte, as regras são quebradas, o álcool e o tabaco tornam-se o passaporte de entrada e a euforia é total! Vejo aqueles "frequentadores" como pequenos diabinhos, com o trident e os chifres, como quem se desvia do mundo real. Foco-me naqueles que ébrios se encontram, naquele desfilar de quem entra, nos que melhor sabem as letras das músicas, nos olhares que se concentram nos alvos da festa e em todo o cenário hipnotizante e florescente, que nos amarra com tonturas e incessantes e trémulos feixes de luz branca que reveste as pessoas de píxeis, como se fossemos desenhos animados. Ser social, naquele local, é estender a mão e sentir o ritmo da música, é manipular o nosso instinto de nos dissiparmos pelos ares, tal como o cinzento fumo, é banalizar a rotina, pisar os costumes, deitar fora a pacatez e dizer não à clausura! Entramos com uma constante nuvem hipotética, mas saímos com a ideia definida de que a diversão não é nenhum crime, contudo, ter uma vida de vícios é perfeitamente discutível.

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