terça-feira, 31 de dezembro de 2013






Passou mais um Natal repleto de bons momentos, afinal estar em família é das melhores coisas do mundo. Aquela luzinha que nos brilha nos olhos, aquela magia no sorriso, aquela felicidade que, apesar de vã, nos ensina o gosto pela vida, sabem? Ela não apareceu... avizinha-se um ano em que a distância vai, novamente, existir de forma fria e repugnante, o medo de uma ausência permanente vai consumir-me fortemente até que o meu coração páre de bater, e assim é impossível a felicidade genuína aparecer. E, agora, encontro-me pousada sobre a minha própria melancolia, a colher esperança em cada molécula de ar e a olhar para o pouco sol que bate nas flores, no fundo não estou à espera de um novo ano, estou só à espera de mais um dia.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Época natalícia


É natal. O calendário diz que é natal. A árvore é acompanhada pelo presépio e pouco mais, a decoração pouco se deveu à imaginação, o espírito incandescente que vivia dentro de mim nesta época ainda não apareceu e os dias correm fluentemente como em qualquer mês do ano em que vença a preguiça. Aquela energia genuína, aquela vitalidade e aquela criança a correr pela casa não surgiu desta vez. Talvez seja pelo cansaço da rotina, pela biologia celular a revolver-me as entranhas ou já pela ansiedade antecipada do turbulento início de ano. Não sei. Quero dedicar-me e fazer do dia de natal um dia especial. Apenas preciso de paz, sorrisos felizes e corações calorosos. Quero que os momentos em família parem no tempo, para que possa acreditar que esta é só uma fase e que vou voltar a viver o natal como antes. É natal. O calendário diz que é natal.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Presente


Antigamente eu comi algo ao pequeno almoço, vesti aquela roupa, cumprimentei aquelas pessoas e a últimas coisas que fiz e disse foram aquelas. É com discursos redundantes como estes que falamos do dia de ontem como de um baú repleto de teias de aranha. Porquê que tais truísmos nos escapam? Será por o presente ser tão curto? Será, talvez, porque a cada minuto que passa o presente se torna longínquo e passa a chamar-se passado? Aqui e agora é o presente. O presente que tão cruelmente se esconde atrás de uma fração de segundo. O segundo que, ao escapar-se de um ponteiro, insiste em esvair-se no tempo, em afirmar a impossibilidade de ser clonado, como uma possível imitação de um quadro banalizado, uma cópia de uma carta enrugada ou um fósforo reacendido. Não, rodar a mola daquele despertador antigo do sótão não faz mover as nuvens, nem a curvatura do caule das plantas, nem as pedras que foram pontapeadas na rua, não apaga sequer o suspiro do último parto nem muito menos o grito de um louco. O tempo não atende a relógios alheios. O presente nada diz sobre nós, é somente uma fotografia nossa que deixa curiosidade nos outros, mas que nos mantém no anonimato. 
Poderemos dizer "agora" quando os mares congelarem, quando as flores forem feitas de vidro, quando os raios de sol ficarem estanques no ar, quando todas as palavras se tornarem rígidas e formarem uma melodia sem ritmo, quando as cortinas da janela se transformarem em pedra, quando o planeta deixar de girar e quando toda a matéria se reduzir à solidez e se afirmar imutável. Quando Deus quiser parar o tempo saberemos o que é o agora, o que é um presente duradouro e que outrora conhecíamos apenas num segundo, porque quando dizemos que estamos no presente e se, efetivamente, terminarmos a frase, já estaremos no futuro. Por quantos presentes e quantos futuros já passei enquanto escrevia este texto? Não sei, mas agora tudo é passado.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013


Não há muito que dizer. Talvez a vida se resuma em poucas palavras. Chegada ao fim do primeiro semestre da universidade nem sei como refletir. Basta meia dúzia de meses para uma vida ficar destruída. Amigos do coração não é possível que os haja tão precocemente, as minhas pernas têm andado como marionetas, a imaginação é mais escassa do que se vivesse numa gruta sem luz, a previsível rotina que tinha deu lugar à incerta turbulência que paira todas as manhãs no meu despertador, a agonia de sentir que cada passo que se dá é mais uma letra na nossa lápide, dá-me vontade de me dissipar e fazer da minha existência uma molécula de oxigénio. Não suporto como esta mudança tradicionalmente correta tratou a minha vida e os meus sentimentos como se eu fosse um tapete! Como se me reduzissem ao pó que é pisado todos os dias! Como se só servisse de aconchego estético e onde os gatos se vão roçar ao fim do dia! Um futuro constrói-se sem felicidade? Sem afetos e sem uma vida minimamente orientada? Estou cansada de viajar com um destino escrito no bilhete, mas sem destino escrito no coração. Estou desesperada por não saber onde isto me vai levar. Tudo me corre mal, parece que o trabalho que faço é em vão, e às vezes não existe sequer ferramentas para haver trabalho, a cidade está a afastar-me de tudo, da paz, do amor, da felicidade, da constância e de todos os valores que regem o mundo! Vivo no medo de perder algo que a distância luta por me roubar, insiste em me arrancar! Mas vou ganhar esta batalha, vou desafiar as minhas forças e quebrar as leis do universo! Vou aprender a voar no tempo e a saber esperar pelos momentos de ouro. Estou derrotada pelas inconstâncias da vida, toda eu me sinto como uma cicatriz perpetuada. E não, não estou a ser dramática. Estou a ser meramente um espelho da minha consciência, que navega sem rumo pelo mar de gente que existe na cidade, todos com mentes formatadas, infelizes e homogéneas. Mas alguém que veio da serra nunca será um autómato dependente dos mecanismos das cidades! Será antes alguém revolucionário que se alimenta de tédio para vingar na vida! Será alguém que de algo mau faz gerar algo com essência e que nos suporta os objetivos de quem nos quer longe. Talvez a luz exista mas, por enquanto, está tudo muito nublado. E talvez a vida se resuma em muitas palavras, será?

sábado, 23 de novembro de 2013

Currículo profundo

A discrepância entre corpo e mente não é única no mundo
Os chamados valores humanos vivem num lugar imundo
De paredes desiguais e experiências paranormais
De diferenças colossais e de crimes ditos banais
Com frases sintaticamente corretas é como comovem o mundo
Aqueles senhores das Américas com um currículo profundo
São mais uns nauseabundos que não conhecem a religião
Mas quando entram nos tribunais julgam-se detentores da razão
Desconhecem a pobreza e o porquê de um sacrifício
Para eles fato e gravata é o verdadeiro ofício
Fictício, onde se escondem em palavras e em recalcados preconceitos
Porquê que se não dão a cara têm tantos direitos?
Querem posar para o retrato da bondade da vida
Mas não se pedem envelopes, pedem-se cestos com comida
São seres sedentários que até uma carraça repelem
Mas a crua realidade é que eles com elas competem
Sempre tiveram aulas de postura e de dicção
Mas não vivemos numa montra nem somos bonecos de algodão
Se constroem discursos e tanto sabem falar
Que manipulem o mundo e a guerra tentem acalmar
Vocês são injustos como a liberdade dos cruéis
E são vistos na rua como seres infiéis
Deixam a camisa amarrotada como pedaços de amor amarrotados
A empregada que venha com os seus pés cansados
Eles caminham na rua com um andar calculado
Como quem usa um esquadro para criar um passo estereotipado
Desfilam pelas calçadas com um mistério sobredotado
Como se trouxessem no bolso um segredo abafado
Percorrem caminhos onde o vício é rei e a persuasão é rainha
Os galanteios que usam já soam à mesma ladainha
Pela civilização são totalmente fanáticos
Lá caminham sem sentido e completamente apáticos
Acham-se o centro do mundo, o umbigo do tempo democrático
Mas para eles não há existência além do seu portão automático
Porquê que se desviam do sol se é a coisa mais genuína que têm?
E porque ignoram os pobres se é a coisa mais preocupante que vêem?
Porque somos bípedes se isso só nos tornou mais imponentes?
E porque na ânsia de vencer mentem com todos os dentes?
Enquanto uns acordam sobre leves almofadas de penas
Outros são acordados por percevejos às dezenas
Enquanto uns adormecem ao sabor de confortantes massagens
Outros tentam adormecer por entre o som das carruagens
Urge-se mudar as mentalidades, criar uma revolução
Destruir antagonismos e viver em oração   
Há falta de cemitérios de justos e de sangue nas estradas
De peles que conheçam cicatrizes e de calçadas esburacadas
Não queremos nobres de nome que saibam assinar ultimatos
Queremos gente que não conheça os limites dos contratos
Não queremos montras recheadas enquanto houver quem durma à frente delas
Queremos políticos que não saibam o que é comer à luz das velas
Terrível desequilíbrio neste maldito capitalismo
Onde tudo se cria em função do suposto civismo
A injustiça preside logo após partos frementes
Quando os bebés são postos em berços diferentes
Muito se deseja do mundo, muita expectativa paira no ar
Mas por um ser humano esperamos para que se possa amar. 

sábado, 16 de novembro de 2013

Palavras soltas 2*


O lado negro do mundo nada mais é do que um cigarro falante. 
Tanto segredo escondido em livros proibidos, tantas vidas reduzidas à área de uma garrafa fechada, tantas palavras vãs metidas em microfones, tantas promessas esquecidas, tantos livros deitados à fogueira, tantas mortes silenciosas, tantos pontos de encontro vazios, tantos projetos amarrotados, tantas obras de arte cuspidas, tanta vitalidade naufragada, tantas inseguranças maquilhadas, tantos preconceitos a cheirar a aço, tantos estereótipos na forma de betão, tanta imaginação à sombra, tanta essência no lixo, tanto bom caráter no fundo de uma sala, tanto diamante perdido entre boatos sujos, tantas lágrimas de crocodilo embutidas em corpos de sereia, tantos terrenos com gente mas que ainda assim se chamam de áridos.  
Os perigos estão escritos, mas todos vão ao seu encontro.

domingo, 27 de outubro de 2013

Miguitos, desculpem

A ausência de publicações deve-se à falta de internet na minha casa em Coimbra! E além disso, já entramos na época das frequências. Beijinhos

Universidade

Já lá vai um mês de universidade! Mas ainda só consigo ver a cidade de Coimbra como um local de passagem, como a rotina típica dos transportes e das festas à noite. Passo o tempo a contar as horas para ir embora, para chegar a casa e sentir-me novamente criança, para aconchegar-me nos lençóis e saber que tudo o que me rodeia é realmente meu e foi escolhido com o maior carinho, para me sentir acolhida pelas memórias e histórias de cada metro quadrado, para sentir o sol do ângulo da minha janela, para ver o mundo da perspetiva do meu telhado.
Tive um batismo muito especial, tenho uma madrinha encantadora e super parecida comigo, acredito que estou no caminho de arranjar amigas para a vida, acredito também que a minha paixão pelas fardas me vão prender àquela vida e espero veemente que a saudade não me mate por dentro como tem acontecido... Muito se fala de experiências de outros estudantes e todas as histórias acabam da mesma maneira: as lágrimas por se deixar a vida de Coimbra. Mas enquanto, do outro lado, estiver à minha espera uma pessoa de coroa na cabeça, a minha vida nunca pertencerá a Coimbra.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Palavras soltas


Obcessão em forma de coração. Amor em forma de brasão.
Saudade escondida em olhos de pirata. Racismo cozido numa pele de mulata.
Alma guerreira alojada numa armadura. O eco do passado nos tempos de ditadura.
O tempo preso ao bolor do pão. A inocência perdida em forma de condão.
O stress agarrado numa unha. A essência despejada numa alcunha.
A surpresa a morar num bebé prematuro. O realismo espelhado num cruel futuro.
A injustiça na aliança do dedo de um juiz. O aroma perpetuado num barato verniz.
O sol escondido numa montanha. A maldade senhoria de dentes de piranha.
A esperança adormecida num penhasco. O desperdício existente no fundo de um frasco.

domingo, 13 de outubro de 2013

Conversas que deixam saudade

Luísa: Que merda é aquela de toda a gente agora pôr o nome na nutella?
Eu: É giro porque podes pôr lá o teu nome e é só enviar o código postal que é de graça.
Luísa: Só as pessoas sem cabeça nenhuma é que se metem nisso!
Eu: Acabei de me sentir decapitada.
Luísa: Era esse o objetivo!

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Terceira semana na uc


A palavra "adaptar" continua a ser difícil de ouvir, o conformismo pelas tradições continua insuportável e a injeção de espírito positivo continua forçada... Cada passo que dou naquela cidade é como se transportasse um peso enorme em cima das costas. Um passo lá equivalem a dez passos aqui. Preciso do cheiro a infância que só a minha casa tem, preciso de cada recanto da minha vila escondida num vale, talvez precise de nascer novamente! 

domingo, 29 de setembro de 2013

Segunda semana na uc

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Mais uma semana que passou! E ainda bem que já lá vai! As saudades sufocaram-me até ao último minuto e, mais uma vez, a contagem dos dias tornou-se uma travessia pelo deserto. Sempre que haviam praxes ia-me abaixo, tal como quando saí da minha primeira aula de matemática de cariz altamente traumático. Ainda permanece na minha cabeça um mistério. O de saber como as pessoas ficam nas festas até de madrugada e no dia seguinte aparecem nas aulas de manhã como se nada tivesse acontecido. Totalmente frescas, enérgicas e sem olheiras! Esta conjugação da vida escolar com a vida social ainda não faz muito sentido na minha cabeça. Agora sinto alguma pressão em marcar presença nas praxes e sempre vou achar que as aulas já me tiram tempo que chegue. Eu preciso do meu espaço, preciso de umas horas do dia para estar no meu canto a repousar e a mastigar as saudades que me atormentam. Por mais que isto alimente o meu tédio eu quero este tempo solitário para mim mesma! Os minutos antes de adormecer não me bastam para refletir. Só vos digo que os fins de semana passam demasiado rápido e nem quero pensar que amanhã por esta hora já não estarei aqui, na minha terra, na minha vida...

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Primeira semana na uc

A minha cabeça está mais confusa do que um novelo! Pensava chegar a casa extremamente aborrecida e angustiada ou com um sorriso rasgado e um positivismo nos olhos, mas acontece que estes sentimentos extremistas deram lugar a uma indiferença tal que me desorienta a todos os níveis, na medida em que nem eu própria me entendo. Depois de já passada a primeira semana na universidade, estranhamente, não consigo ter uma opinião formada acerca desta experiência, não consigo fazer uma descrição subjetiva e emocional acerca da minha primeira semana a viver na cidade de Coimbra. Acho que por enquanto só sou capaz de narrar friamente os acontecimentos. Talvez o choque tenha sido tão grande que me colocou numa situação pós-traumática, ou talvez as saudades de casa me tenham condicionado o apego por aquela rotina. É certo que as praxes foram leves relativamente a outras zonas e a práticas de outros anos, já que a receção se reduziu a brincadeiras, músicas e perguntas sem maldade. Com alguma força interior, vontade em fazer amigos e espírito descontraído as praxes aguentam-se bem! As pessoas são amigáveis e acolhedoras, a cidade é simpática e não tão grande como julgava, os professores parecem-me razoáveis, as matérias parecem-me interessantes, mas as saudades fazem-me sentir que nada disto vale a pena... Todo este esforço em busca de uma concretização pessoal não me dá a felicidade que possuía quando não havia uma distância entre alguém especial. Trago a força dele na algibeira, o sorriso dele estampado no meu, o seu coração numa caixinha de ouro e o resto, só Deus sabe! Tento manter-me firme como um pinheiro novo cheio de garra para conhecer o mundo, mas por dentro sou uma flor murcha, pisada pela coragem de outros, seca de carinhos, despida de cor, abandonada pelo sol e presa às derrotas da vida.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Chegada a casa

Cansada. Sonolenta. Com muito que contar. Com coisas para arrumar. Com saudades ainda por matar.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Após os resultados

Passaram dois dias. Fizeram-se já duas viagens a Coimbra. Já se arranjou um quartinho jeitoso e as coisas parecem encaminhadas. No entanto, o stress acumula-se e a rotina vai-se alterando, enfim, o mundo está a mudar à velocidade de xita! Parece que a própria pressão das coisas se está a sentir a ela própria pressionada! Estas viagens estão a dar cabo de mim e sinto-me como alguém que está a ser obrigada a focar-se em interesses alheios, a seguir forçosamente um caminho traçado por terceiros, a bater palmas ao que é tradicionalmente aceite. E tudo porque me enfiam num carro e me põem a ver casas, tudo porque sufocam os meus ouvidos com palpites acerca do curso e da bagagem, porque todos os outros se vestem de pioneiros para que eu, por "instinto", os siga! A situação é extremamente fácil para vê as coisas do lado de fora... no final das contas eles só têm de dar o empurrão que implica somente gastarem uns euros de gasolina! Perguntam-me o que sinto? Medo.

domingo, 8 de setembro de 2013

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Please

Dia 3 de Setembro. A ansiedade continua a ser a rainha do dia, continua a atormentar-me e a seguir-me como um animal portador de um apetite voraz. Tudo me passa pela cabeça. Imagino praxes exigentes, uma cidade assustadora à noite, uma casa longe do mundo, dos risos e do calor humano, o espírito competitivo dos alunos, um dia de matrículas arrepiante por nada nem ninguém me ser familiar e, pior de tudo, uma distância sufocante que não posso apagar e que não posso sequer encurtar por mais que use todas as minhas forças. Terei tempo para pensar? Para dizer um "bom dia" por telemóvel a alguém especial? Para arrancar uma flor e ir a cheirá-la até à escola? Ou a pressão do tempo sobre mim será tão grande que nem vou ter oportunidade de chorar para me aliviar? Assolam-me pensamentos negativos, é um facto, mas tento pensar nos amigos que farei, nos bons centros comerciais que estão naquele lugar, nos jardins que transpiram sossego e estão repletos de boas energias e na movimentação típica de uma cidade que se torna misterioso, divertido e desafiante, e que me vai aproximar dos seres humanos das cidades: amigos das festas, amantes de estradas barulhentas, ambientalizados aos transportes públicos e mais que habituados àquela azáfama entre estudantes e turistas, entre praças e estações.
Afinal, se tantos aguentaram e passaram firmemente por tudo isto, porquê que hei-de ser diferente?

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Partida...

Já passa da meia noite e, como todos os dias, não fujo à rotina dos pensamentos. A ansiedade domina-me e prende-me no calendário, no dia 9 de Setembro. Olho para a mala de viagem que comprei e vejo nela espelhada o meu futuro próximo, ao qual quero fugir quem nem louca. Preciso de mais anos de infância, de inocência, de preparação, de experiência, de ponderação! Preciso do meu presente e do meu passado. Preciso que o futuro se reduza a pó e vá morar para lugares mais longínquos que o próprio significado que lhe atribuem. Estremeço sempre que penso em horários, as pupilas dilatam-se sempre que imagino transportes públicos, o corpo fica frio quando por momentos me torno na futura pessoa solitária num quarto distante e inquietante, quase fico sem ar no momento em que ofereço impressões digitais carinhosas às fotos que vou levar comigo e o mundo cai-me nas mãos quando soletro aquela palavra, aquele nome que existe em carne e osso e que faz parte de mim...

domingo, 25 de agosto de 2013

Semente da vida

Amor é o tema principal dos meus versos, da minha vida
Enquanto agora é pura alegria no futuro é dor de ferida
Tanto eu queria escrever sobre outro temor, outro problema
Mas o coração pede aos meus dedos que invadam este poema
O amor à distância sempre me pareceu coisa de cinema
Mas desta vez bateu-me à porta mascarada em angústia extrema
Quando já acreditava que pertencia aos outros ou à ficção
A distância dominou o meu corpo e corroeu-me a razão
Agora tenho medo das estradas e dos finais tristes aversão
Não me venham esfregar factos de quem não aguentou a pressão
Porque o amor vale tudo e em tudo se transforma
De um sentimento profundo torna-se na mais seguida norma
O amor está na solitária flor que brotou com coragem
Está no casal de cavalos da mais bela carruagem
Está espelhado no céu e no sorriso de Deus
Está até presente nos genuínos e breves adeus
Preside nos cantos escuros e no pão que se serve na mesa
É o mais forte escudo usado em legítima defesa
Surge logo de manhã refugiado nos autênticos raios de sol
Penetra na própria seiva do mais formoso girassol
Veste-se de Rei, manipula ações e pontos de vista
E em poemas e pinturas é sempre o protagonista
Quando o amor passa a ter coroa torna-se na semente da vida
E nunca passará de tudo a nada por uma cruel despedida
A vícios e maldades externas sempre me oporei
O único vício és tu e esse eu constantemente alimentarei
Como uma fora de lei que vai ser enclausurada
Mas vai lutar pelo futuro de uma vida sonhada
Se o amor fosse virtude, eu possuí-a o poder divino
E se o amor fosse nitidez, eu seria algo cristalino
Sinto-me perdidamente sufocada pela corda a que chamam curso
Mas este fogo constante vai dar as mãos ao meu discurso
Um discurso genuíno que vem à tona quando mais me falta o ar
Me falta o ar pelo medo entre a diferença de ir e ficar
O meu corpo vai, porém a alma fica
Por isso trata bem de ti, porque tu és a minha vida
O nosso amor ultrapassa montanhas e qualquer oceano
Quanto estou contigo nem me sinto um ser humano
Despida de preconceitos, isenta de negatividade
É assim que me torno perante tamanha bondade
Raridade, que te torna um oásis entre a tempestade da vida
Que faz de ti um príncipe e de mim a Bela Adormecida
Que faz de ti o solo e de mim faz o jardim
Porque sem a tua existência qualquer flor chegaria ao fim
Qualquer rio deixaria de correr e de conhecer o mar
Por isso a tua entrada na minha vida eu vou sempre abençoar
Por tudo isto que disse peço que me façam um favor
Sejam a continuidade de alguém e lutem por um verdadeiro amor

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

(des)aproveitar as férias

Angel vs Demo | via Facebook
Estas férias, se é que se podem chamar férias, estão totalmente sob o domínio da ansiedade. As próprias idas às praia são feitas por frete, o simples ato de me vestir de manhã é uma grande chatice, os calafrios que sinto dentro de mim bloqueiam a minha visão para novos horizontes, uma música triste nunca me arrasou tanto como agora e uma melodia pura e positiva nunca me foi tão indiferente. A candidatura está feita desde segunda! E sinceramente, saí de lá com o mesmo fardo com que entrei, coisa que julgava não acontecer. Continuei receosa pelo futuro, sem saber ao que me agarrar, portadora de um leque enorme de medos. Afinal aquele clique no botão "submeter" em nada mudou as minhas ambições, o meu conformismo e a melancolia que insiste em morar dentro de mim. Quero ter forças para dar e vender, quero ter a alma de um guerreiro, quero sentir que o meu estômago é de ferro, quero voar sobre montanhas e oceanos só com o poder da mente, juro que quero! É o que eu mais quero. Mas sinto que já me estão a nascer as asas inúteis que me vão levar para longe, já sinto as penas a roçar-me friamente nas costas, já sinto aquela textura áspera a ferir-me, já prevejo a vida irregular que vou ter em cada irregularidade destas pobres asas, já carrego o seu peso com tamanho esforço tal como vou carregar o tumulto do futuro às costas.
Quero sentir no corpo a robustez de que preciso para aguentar a distância, que me é já tão nítida e presente que acabo por sofrer por antecipação. A pergunta é: será mais um mês ou três anos de agonia?

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Kilómetros de amor à porta da faculdade

Vejo os dias a passar com uma ridícula lentidão
Dizer que sinto ansiedade é uma mera abreviação
Estou mergulhada em incertezas e enterrada em opções
Sinto-me moldada pela pressão e desesperada por afirmações
Corrói-me a velocidade dos dias, suga-me a prisão de cada segundo
Estou sufocada num poço onde nem sequer vejo o seu fundo
Penso nas malas que vou encher, nas viagens que vou fazer
Na terapia de choques a que me vou submeter
Sei que está na hora de ponderar, abdicar e decidir
Mas sou uma simples criança que já a sua vida está a esculpir
Dentro de mim vivem fantasmas que me atiram à obscuridade
Mas apesar desta tempestade, só peço um resquício de claridade
A própria incerteza preside na minha futura morada
Se o mistério fosse tóxico, já tinha morrido envenenada
Não sou nenhuma flor de estufa que carrega um fardo de expectativas
Porque enquanto elas seguem o sol eu não sigo crenças normativas
Peçam somente à flor que responda às fanáticas leis da vida
Porque ela vive no luxo e eu na frustração do dia-a-dia
As vozes que se pronunciam já soam à mesma badalada
Se a insegurança fosse tortura, já tinha levado uma facada
Para a Universidade me arrasto como um ato de castidade
Deixo-me levar ao sabor da minha crise de identidade
Defino o céu e o amor como subtis e fiéis companhias
Mas desola-me saber que essas serão as únicas alegrias
No fundo sou mais um autómato movido por um mecanismo oculto
Mas estar longe de quem se ama é um fortíssimo tumulto
Lá vou recolhendo a pequenez transcendente da vida
Onde o silêncio formalista me ameniza a despedida
À entrada da faculdade esperam-me seis vultos
O que eles têm de assustador é o facto de serem ocultos
Espera-me o sumptuoso vulto da ciência
Que vai continuar a estremecer o meu chão com tamanha violência
Que me vai tornar mais culta e dotada de conhecimento
Mas queimar as pestanas vai ser o frequente acontecimento
Espera-me o confiante vulto do medo
Que vai ficar na história por todos tratar com desprezo
Que me vai surgir no desconhecido ou no próprio escuro
E me vai manipular às portas do meu futuro     
Espera-me o sociável vulto do carisma
Que me vai obrigar a ver as coisas de outro prisma
Que me vai massacrar com a euforia da amizade
Mas só os amigos de verdade é que me dão visibilidade
Espera-me o adulto vulto da independência
Que mais tarde ou mais cedo vai ser da minha convivência
Que me vai fazer gerir contas de casa e lidas diárias
E me vai fazer prestar atenção às receitas culinárias
Espera-me o desvairado vulto festivaleiro
Que me vai assombrar como um arruaceiro
Que se vai vestir de palhaço para que eu prove a vida noturna
Mas eu cá prefiro a minha iluminada vida diurna
Espera-me o vulto egoísta da saudade
Que nunca julgará que o medo de perder quem se ama é crueldade
Que me vai escorraçar e deitar nos escombros da vida
E no fundo esta vai ser a minha maior ferida
Ferida que vai estar brutalmente aberta, desperta
Em contacto com bactérias e de tristeza coberta
Coberta por um substrato de raiva incandescente
Onde o soluto do meu sangue é um amor fervente
Assim levo comigo a certeza da incerteza e a consciência da inconsciência
Mas o medo que os kilómetros de estrada acarretam vai estar em eminência
Assim projeto nestes versos a nova etapa da minha vida
Posso estar derrotada por agora, mas irei sentir-me acolhida!

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Novidades do blog

Agora já podem partilhar no twitter, no facebook e no google, bem como reencaminhar um post meu diretamente por email!


Oi

Olá gente! Peço mil desculpas pela enorme ausência aqui no blog, mas a verdade é que ultrapassar uma fase horrível de exames, seguida de um forte escaldão, não é fácil. E como se não bastasse bateu-me à porta uma amigdalite. Mas vá, vou retomar à escrita e às minhas apreciações em breve! Beijinhos :)

Selo - Versatile Blogger

A Catarina Pinho do "Batom e botas da tropa" seleccionou-me para o selo do seu blog! Agradeço imenso este voto de versatilidade, muito obrigada!


Regras: 

- Colocar o selo no blog. 
- Escrever 7 coisas sobre mim. 
- Atribuir o selo a 15 bloggers e avisá-los. 

7 coisas sobre mim: 

- Sou extremamente perfecionista a todos os níveis. Há quem diga que sofro de um transtorno qualquer obcessivo compulsivo pela forma peculiar de arrumação, ahah
- Adoro desporto em geral! E amo, particularmente, ténis de mesa.
- Sou uma apaixonada pela escrita, por toda a subjetividade que a envolve e pelos seres livres e genuínos que nos tornamos ao navegar pelo mundo das palavras e dos versos.
- Sou aficionada pela moda! Acho o estilo vintage muito peculiar, que faz dele algo totalmente extraordinário. A moda alimenta-me o perfecionismo, constrói um enorme conforto à minha volta e serve de base a qualquer personalidade vincada.
- Vivo de braço dado com a fotografia. A simples forma de enfatizarmos um recanto numa fotografia diz tanto de nós próprios! Acho este mundo dos ângulos e das perspetivas uma das melhores terapias.
- Considero-me uma sonhadora à moda antiga. Uma sonhadora que vive única e exclusivamente para ser feliz e que faz tudo pelas pessoas de quem gosta! O problema de me apegar tanto às pessoas é que pode trazer desilusões, mas enquanto o mundo me acolher eu serei a pessoa mais feliz do mundo! 
- Acho que sou filha da natureza. Amo qualquer campo verdejante, qualquer praia deserta, qualquer caminho abandonado, qualquer refúgio inóspito e qualquer paisagem que ainda não tenha conhecido as mãos do Homem! E amo-o ainda mais quando este mundo me torna desprovida de razão.

15 bloggers nomeadas: 

1- Ana Poças, Ideias Soltas...
2- Mariana, Miss Tangerine
4- Sara Moreira, Mundo animal
5- Maria, FashionCrack
6- Vanessa, Pure Lovers
10- Kitty Fane, O amor é um lugar estranho
11- Inês, Prestige

Fico por aqui, porque são estes blogs que considero realmente versáteis e fascinantes!

domingo, 30 de junho de 2013

Cleópatra do amor

Desesperei ao sentir as dores reais do comodismo
Caminhei a passos largos em direção ao abismo
Camuflei-me a mim própria com conjeturas fugazes
Abracei a inconstância como os alcoólicos audazes
Abafei o meu espírito com os olhos postos na rebeldia
Mas isto foi um mero ato fruto da cobardia
Dentro de mim boiavam as frustrações da rotina injusta
Aguentar aquilo tudo, só com uma mente muito robusta
Ouvia as quimeras a rugir-me debaixo da pele
A quererem liberdade como quando um pintor pega no pincel
Baloiçavam as algemas das obrigações nos meus pulsos
Já só queria ver os fantasmas do meu cérebro expulsos
Até que um dia o mundo virou decerto do avesso
Corri para a felicidade com um enorme apresso
Rapidamente o meu coração tomou as rédeas da minha vida
E num ápice me tornei pelo mundo acolhida
Tudo fez sentido com esta viragem monumental
E a alegria instalou-se com um sentimento sobrenatural
Nesta ilha de sonhos só me apetece brindar
Brindar ao aroma das flores e ao sol que voltou a brilhar
Festejar o simples facto de uma fêmea dar à luz
E criar uma sociedade nova isenta de tabus
Assim me soltei das cruéis garras das normas
Que me amarravam na racionalidade e me chicoteavam as costas
Que me lançavam explicações e tornavam a vida menos clara
Que objetivavam sentimentos e esfregavam contratos na cara
Que esboçavam caricaturas da magia da paixão
Mas a química entre alguém não tem limites nem explicação
Viver sem este impulso equivalia a um desmaio
E nunca será possível beber o amor de tubos de ensaio
Aterroriza-me ir de malas feitas a caminho da cidade
Procurar um novo rumo às portas da Universidade
Todos sabemos que de veias quentes a distância endoidece
Mas está mais que provado que o sentimento fortalece
Ser refém do amor até Deus faz comover
É a capacidade de olhar pelo outro até outra lua nascer
É o desejo de presenciar até envelhecer
É o saber demonstrar, mas não o saber escrever
Mas é muito mais que isso, é fazer a bondade florescer
É possuir um olhar puro e dar interpretação ao viver
Antes chorava pelo stress das expectativas não atingir
Agora só choro pelo medo da mutualidade deixar de existir
Olho para trás e só vejo a estrutura de um túnel invernal
Ao qual ultrapassei veemente com uma atração colossal
Agora vivo o momento e não dramatizo
Porque as minhas pupilas tomaram a silhueta de um sorriso
Se numa gota reside o amor eu vivo num constante oceano
O meu sentimento é verdadeiro e deveras soberano
Perante um pedido de casamento eu logo direi: aceito
Se a minha vida fosse uma flor, ele seria o amor-perfeito
Vivo na esperança de este ser um amor eterno
Porque sem ele ao meu lado congelaria com o frio do inverno
Respiro a qualquer segundo com o pensamento num desejo
O de poder acordá-lo todos os dias com um beijo
As promessas não são efémeras nem o “para sempre” é vão
Tudo, agora, faz sentido nos labirintos do coração
É bom saber que depois de uma trovoada seguem-se raios de sol
E a vida se transforma num subtil canto de rouxinol
E assim agradeço na minha vida este alvoroço
Porque assim se rejeita a fobia de viver em carne e osso
Uma vénia faço à perfeição e uma coroa coloco ao temor,
Declaro-me serviçal da fealdade e Cleópatra do amor

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Exames, foram-se!

Exams! | via Facebook
E lá se passou esta primeira fase de exames! Não sei se num ápice, se a velocidade de tartaruga, mas sei que tremeu os pilares do meu mundo outrora sossegado. Muito se estudou (ou não) e muito se constatou acerca do que iriam ser os exames. Seja nas bocas dos alunos ou nas bocas do telejornal, a dificuldade devoradora de cada pergunta do exame, o pânico que se instalou naquelas horas e os protestos aliados à greve dos professores, fizeram deste ano um ano marcante. Por mais que já esteja de férias não consigo estar alheia à desgraça que fiz! O de Português correu muito bem, estranhamente. Escrevi com fluidez e, ao contrário do que frequentemente acontece, a interpretação correu bem melhor do que a gramática. Já o de Biologia não foi famoso! Como sempre haviam rasteiras nas escolhas múltiplas e as perguntas de resposta extensa exigiam uma grande relação entre as matérias. O de Matemática nem comento! Só acho extremamente crítico para os alunos quando os próprios professores dizem que o exame não foi compatível com os nossos conhecimentos e quando afirmam a elevada dificuldade e extensão da prova. Mas enfim. Sabem que mais? Estou de férias!

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Fim do secundário

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Há quem diga que esteve à espera da chegada deste dia durante 12 anos! Afinal, este fim é o passaporte para o começo da liberdade, mas a verdade é que quando vemos tantos anos de recordações sorridentes a escapar-nos das mãos, a saudade vence. Agarrada às minhas origens, como sou, nunca aguardei com carinho a chegada desta data. Olhar para trás e recordar os momentos intensamente felizes com a turma torna-me na pessoa mais triste do mundo. Vamos todos começar uma vida nova e, por isso mesmo, eu bem sei que as promessas de nos encontrarmos com frequência se vão desvanecer mal façamos a primeira viagem para a Universidade. Angustía-me olhar para aquelas salas de aula vazias e ter a perfeita noção de que a nossa peculiar presença vai desaparecer daquela escola, a qual suporta tantas e tantas boas memórias e ousadas aventuras. A vida académica traz-nos muitas oportunidades e alegrias, como dizem, mas é preciso estofo para nos conformarmos com o abandono do nosso ninho da infância. Tantas referências se levam no coração. Desde as funcionárias que se lembram de nós desde a nossa entrada para 5º ano, como se de ontem se tratasse, à porta da sala de aula onde se fez um teste difícil. Desde as pancas e as histórias memoráveis dos professores mais polémicos (nome simpático para se dizer "péssimo professor"), àquelas fotos do anuário que tanto nos fizeram rir. Desde os jogos na educação física que faziam de nós seres competitivamente felizes, às próprias desavenças entre justiça e injustiça. Desde as visitas de estudo que, apesar de escassas, nos uniam por completo, aos truques malévolos que arriscámos usar para acedermos aos testes antes de os fazer. Desde os Dias Abertos de antigamente (sim, já lá vão uns anos!), onde deixavamos a nossa marca positiva quer pelas tortilhas espanholas, pelos bolinhos e chás ou meramente por uns passos de dança, de que tanto nos envergonhamos mas que, lá no fundo, nos orgulhamos, a todos os trabalhos de grupo que tanto nos deixaram de nervos em franja. Desde os sermões sobre ter ou não relógio aliados à nossa típica falta de pontualidade às 8:30, à comida que se levava para as aulas de Visual. Desde a pressa em ir para a catequese nas aulas de física e química, à aprovação desenfreada do lema: A primeira aula não se dá e a última não se recebe! Desde o sorriso com que entrei, ao rosto infeliz com que saio. E, apesar de saber que vou lutar por manter pessoas especiais no meu coração, independentemente da distância, torna-se sufocante e quase impossível não largar uma única lágrima que seja. Assim fui, assim estou, assim irei, mas ficarei, porque a minha vida mora cá e o sentido dela mora bem perto daqui!

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Infância que já lá vai

Divago por entre humildes pensamentos onde o cerne é o coração
Mas pela geometria desta janela reduzo-me às leis da razão
Ali vai um grupo de crianças que na fealdade são veteranos
É uma ilha de júbilo por entre preconceitos humanos
Vivem um sonho oculto e têm a alma estimada
Se a saudade fosse cultura, eu era sobredotada
Ainda ontem me diziam que o meu nome era menina
Mas o de agora não passa de adolescente sadia
Vivo presa às recordações que giram em torno da infância
Mas no fundo estou consciente de que o presente é a ganância
Com tamanha alegria ia colecionando dentes de leite
E com tamanha angústia agora peço ao mundo que se endireite
Quando me olhava ao espelho punha lacinhos no cabelo
E quando me ponho a constatar apercebo-me que vivo num cubo de gelo
Antes desenhava com ternura um mundo de bonecos deformados
Agora encaro os infortúnios como sentimentos acarinhados
Era de sorriso rasgado que conhecia o peso da amizade
E é de cara desfalecida que conheço o peso da responsabilidade
Tanto me chamavam elétrica, mas era pura vitalidade
E agora chamam-me apática, mas é injeção de comodidade
Era reconditamente feliz por viver um sonho permanente
E agora o passaporte da vida é a fórmula resolvente
Antes de tudo e todos tirávamos bom proveito
Agora possuímos um esqueleto que se move em função do preconceito
Pouco interessavam os cromossomas ou as figuras de estilo
Agora de tanto estudar parece que me auto-mutilo
Vivia de refúgios primitivos preenchidos de sinfonias puras
Agora tenho de escrever para ser a protagonista de aventuras
Os labirintos da previsão não passavam de algo obscuro
Agora alimento-me do receio do meu triste futuro
Antes vivíamos para a família e éramos conhecedores da bíblia
Agora tratamos friamente os outros como mobília
Não sabíamos o valor da vida, mas sabíamos viver
Agora seremos reféns do desrespeito até o nosso corpo envelhecer
Antes amávamos o bater do nosso coração
Agora parece que esperamos pela chegada do caixão
Antes pouco interessava se os meus versos faziam rima
Agora esta última sílaba é coisa de grande estima
Antigamente a bondade assumia-se como um elemento régio
Agora céticos flutuantes são espetados pelo cupido do sortilégio
Antes o amor era encarado como constante enigma
Agora é acrescentado à sociedade como mais um paradigma
No passado andávamos à chuva por mera diversão
No presente andamos como figuras de cera tão mal esculpidas de coração
Opá, não havia mania nem maldade, só inocência
Agora o altruísmo é visto como um resquício de clemência
Porque em criança o nosso nascimento era visto como um dom
Agora passado o paraíso grito: o inferno deve ser tão bom!

sexta-feira, 17 de maio de 2013

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Ando eu em busca do tempo, dos sonhos, da realidade, da fantasia, do discreto e do indiscreto. Ando eu a vaguear pela brisa, a navegar sob o horizonte, a conhecer cores e cheiros e a fazer valer a minha valentia. Senti o vento na minha cara, olhei para trás e percebi que posso ser feliz. Quiz viver no auge da escuridão, mas quero sentir agora a felicidade na sua plenitude. Quiz ser pedra revestida de musgo, mas agora quero ser aquela flor que desabrocha sem medo. Sem medo de ficar sem o seu pólen, sem medo de enfrentar os seus medos.
Mantenho-me a sonhos, vivo de perspectivas, bebo cenários de vida, ultrapasso o nevoeiro. Quero ter cravada na pele uma tatuagem de asas. Quero acordar e ver ninhos de pássaros à volta da minha cama. Quero abrir a janela e ouvir um violino a dissipar as suas notas. Quero que o meu respirar tenha o aroma das rosas. Quero que as minhas pupilas sejam sóis. Quero sorrir como quem dá um beijo. Quero enfrentar a vida como quem enfrenta um precipício. Quero punir os maus olhados, quero afundar preconceitos, quero deflagrar uma revolta, quero viver de circunstâncias. Faço fisgas para que o mundo não acabe, rezo para que o tempo pare e luto para que a distância se desvaneça.
Vejo a chuva a cair lá ao longe nas montanhas e, cá ao perto, na calçada desta cinzenta rua. Vejo cada gota como um sonho. São tantos e tantos! A água fresca segue o seu rumo de lavar o alcatrão, os sonhos dissipam-se por meros temperamentos, a água límpida ao colidir com a alegria do sol origina uma festa de cores, mas os sonhos apenas colidem consigo mesmos. As gotas juntam-se e originam poças, já que muitos sonhos garantem outros. Por momentos apenas oiço a água a escorrer. Saio de casa. Corro. E envolvo-me naquela água límpida. Ao invés de olhar para a chuva, vale mais cobrir-me de sonhos, mesmo não passando eles de pura ficção. Senti-me dotada de sabedoria, de valores e de coragem. Então, fez-se sol!

domingo, 12 de maio de 2013

Bárbaros sem espada

Apontar o dedo é o que todos sabem fazer
Afinal o que é que custa gozar sem ficar a dever?
Contudo não me conformo com este bando de gente
Onde o próprio ar que respiram já vem de gente demente
Vestem a capa de santos mas tanto lhes falta a auréola
Talvez um dia percebam que a presunção contagia mais que a rubéola
Para quê lançar a semente da guerra
Se daqui a uns anos estaremos debaixo de sete palmos de terra?
Por lá flutuam maldades naquelas massas cinzentas
Se o preconceito fosse som, as mentes eram mais que barulhentas
É por ilógicas especulações que se sagram campeões
No entanto a acusação é a pior das religiões
Do temor e da ignorância nascem as superstições
E da aliança com o egoísmo fecundam-se estas estúpidas gerações
Vida de fiel cordeirinho era vida que não teria
Antes sorrir e ser rejeitada, que pecar sempre que anoitecia
Que chão tão gasto o do corredor do infortúnio
Onde a invariabilidade das pisadas são como o tempo do gerúndio
Desvio-me com sapiência das minas do orgulho
Mas só me livrarei delas talvez só lá para Julho
Maldita evolução, maldita hominização
Que transformou voláteis pedaços de carne em pura destruição
Bocas podres invadem o mundo, a cada minuto, a cada segundo
E de tanta falsidade, o mais comum é ser vagabundo
Vocês são a insónia, a frieza da madrugada
Que de tanto pregar têm a letra mais que decorada
Julgam-se detentores da luz do nosso mundo palpável
Onde pouco se importam de ter um caráter vulnerável
Desenrolem o novelo da mais etérea negatividade
Eu cá prefiro descortinar o singelo e repelir a formalidade
O vosso olhar é pior que uma buzina
Mas a vossa humildade está certamente na ruína
Assim me ponho eu a dissecar dúvidas com a consciência
Para que pelo menos prove um pouco da ciência da adolescência
Crime é matar ou ter na posse armas ilegais
E não ser mais uma vítima de crises existenciais
Mas já se diz, os cães ladram e a caravana passa
Por mais que os opressores sejam de dura carapaça
Esta é a bomba atómica pelos “outros” construída
Se Hiroshima em 10 anos a suplantou
Também há muito que o meu coração a abafou
Talvez assim me faça ouvir, me faça sentir
Nestes versos dispersos que me fazem melhor que dormir
Se a desilusão fosse praia, esta letra seria uma areia
E se a ousadia fosse palavra, isto seria uma epopeia

quinta-feira, 9 de maio de 2013

domingo, 5 de maio de 2013

Crónica: Divórcios


Para a minha avó, um divórcio só é legítimo se houver traição ou porrada. Eu concordava com ela, por mais retrógrada que fosse a teoria, e desdenhava com algum escárnio os divórcios atuais, afirmando que o único divórcio deveria ser o divórcio forçado da morte. E assim me rendia à tradição do único amor eterno. Mas bastou-me ouvir o relato de uma pessoa que me é próxima, que optou por esta “separação moderna”, para mudar de ideias e ser, até, opologista de outras razões que distanciam um casal. Vinte anos de casamento que quase se apagaram por força das circunstâncias. Ainda acreditei numa precipitação da decisão mas, de facto, há uma grande diferença entre ser namorado e ser casado, tal como essa pessoa me explicou. Ser-se namorado é abdicar de uma adolescência para estar com o outro, é viver o mar de rosas que se esperava viver um dia, é prometer e cumprir, é ter motivos para brindar todos os dias, é dar valor ao oásis de amor por entre a jovem liberdade, é ter o condão da felicidade nas duas mãos, enquanto que depois do casamento esse condão só está numa delas, já que a outra está ocupada a segurar no “contrato” de marido e mulher. Assim sendo, ser-se casado é cumprir um papel, um papel que por sua vez está escrito noutro papel. O casamento acaba por se reduzir a um pedaço de tinta! Ser-se casado é, portanto, viver na sombra da segurança que esse papel representa, é deixar de conhecer sacrifícios, já que o peixe à muito que mordeu o isco, é deixar de conquistar e seduzir, é desconhecer o prazer que se tinha por, antes, a ausência ser maior que a presença, é navegar cansado em águas mortas, é deixar de se ter a capacidade de abstração do estatuto que se tem ao enfiar uma aliança no dedo. Quantos casos destes haverão e tanta influência terão na fatia dos divórcios que se conhecem! Mas, apesar disto ser uma realidade para muitos efémeros casais, eu ainda acredito no príncipe e na princesa, no casamento e na morte, na semente que para sempre germinará e na preocupação de se cultivar um amor verdadeiro e eternamente adolescente. O que escrevi, somente serviu para destruir parte do tabu de que é o divórcio. Afinal, a tradição manteve-se em mim. O que mudou foi a minha compreensão face a estes casos. Agora considero outras razões plausíveis para que haja um divórcio. Considero e aceito plenamente, porque talvez eu também agisse da mesma forma.   

sábado, 20 de abril de 2013

Oscar Wilde 3

"Influenciar uma pessoa é dar-lhe a nossa própria alma. O indivíduo deixa de pensar com os seus próprios pensamentos ou de arder com as suas próprias paixões. As suas virtudes não lhe são naturais. Os seus pecados, se é que existe tal coisa, são tomados de empréstimo. Torna-se o eco de uma música alheia, o ator de um papel que não foi escrito para ele. O objectivo da vida é o desenvolvimento próprio, a total percepção da própria natureza, é para isso que cada um de nós vem ao mundo. Hoje em dia as pessoas têm medo de si próprias. Esqueceram o maior de todos os deveres, o dever para consigo mesmos. É verdade que são caridosas. Alimentam os esfomeados e vestem os pobres. Mas as suas próprias almas morrem de fome e estão nuas. A coragem desapareceu da nossa raça e se calhar nunca a tivemos realmente. O temor à sociedade, que é a base da moral, e o temor a Deus, que é o segredo da religião, são as duas coisas que nos governam."

Ponto da situação

Apesar do teste de ontem ter corrido mal (nada que não esperasse) a boa disposição fala mais alto, bem como o espírito novo em tratar dos preparativos para os meus anos!

quinta-feira, 18 de abril de 2013

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Ricardo Araújo Pereira 13*

"Quando, na semana passada, se soube que o ministro Miguel Relvas até teve equivalências a três cadeiras que não existiam, a notícia levantou sobretudo problemas filosóficos. (…) Ou seja, Miguel Relvas, que foi licenciado antes de o ser, pode agora deixar de o ser sem nunca o ter sido. Quem está em maus lençóis não é Relvas (como, aliás, é costume sempre que há problemas com Relvas) mas a Lusófona. Pode uma universidade tirar ao ministro algo que ele nunca teve? E se Miguel Relvas se licenciar na floresta e não estiver lá ninguém para ouvir, a licenciatura fará barulho? Porque é disso que se trata: do barulho que se pode fazer com a licenciatura. (…) Antigamente, a licenciatura servia para arranjar emprego. Hoje, é capaz de atrapalhar. (…) A licenciatura é só para enfeitar. Acaba por ser um escândalo que Miguel Relvas precise mesmo de se licenciar para que o tratem por doutor. Creio que cada pessoa devia poder escolher a forma de tratamento deferente que lhe parecesse mais apropriada e aplicá-la ao ministro sem necessidade da mesquinha verificação de que ele possui realmente as habilitações que permitem esse tratamento. É o que vou passar a fazer relativamente ao almirante Miguel Relvas. (…) Os novos factos revelam que o ministro estudou não só cadeiras que existiam como cadeiras que não existiam. Normalmente, a matéria das últimas é bastante mais vasta do que a das primeiras. E a bibliografia bem mais difícil de encontrar. (…) O escuteiro-chefe Miguel Relvas encontra-se agora, injustamente, numa posição ingrata. Já se sabia que tinha feito um curso com equivalências, e sabe-se agora que eram equivalências a cadeiras imaginárias. Por isso, o visconde Miguel Relvas tem com a sua licenciatura a mesma relação que Portugal tem com a dívida: talvez consiga cumprir as suas obrigações, mas precisa de mais tempo. O melhor é reestruturar a licenciatura. Vamos esperar que o juiz desembargador Miguel Relvas consiga chegar a um acordo com a universidade."

José Luís Nunes Martins 4#

A morte que trazemos no coração - ilustração
(...) Um olhar atento sobre o mundo humano fará perceber sem dificuldade que a paciência é a sabedoria posta em prática. Mais se conquista com a determinação de um fundo que não esmorece, do que com forças explosivas que tão depressa aparecem como se desvanecem sem deixar rasto. Qualquer caçador ou pescador, artista ou cientista, poeta ou general, saberá que os bons resultados demoram, sempre. É essencial pois dominar a ânsia de precipitar e manipular os tempos. O homem não é senhor do tempo, mas pode e deve ser senhor de si mesmo. Os fardos da nossa existência carregam-se de forma mais tranquila quando nos damos conta do vigor que temos para os transportar. Quando percebemos que a força dos ombros é maior que o peso da cruz. O tempo não se respeita senão a si mesmo, segue o seu ritmo sem cuidar de se demorar neste intervalo mais do que naquele... quase tudo passa, quase tudo cresce e quase tudo morre. Há tempo para tudo, saiba o homem aproveitar aquele em que lhe é dado ser... quase tudo!Claro que parece sempre pouco o tempo de quem tarde se dá conta desta essência dinâmica da vida. Mas, ainda assim, será bem mais sábio ajustar-se ao ritmo natural da sua existência do que tentar recuperar tempos desperdiçados, numa lógica que abdica do hoje tentando sempre sem sucesso resgatar o ontem, não se dando conta do amanhã que também desaparecerá se se continuar perdido dentro da sua própria vida. (...) Por isso nos enganamos muitas vezes, quando à pressa, complicamos com imaginação aquilo que o tempo preencheria com simplicidade. (...) Mas uma espera obriga a suportar todo o tipo de ataques, exteriores e interiores. As esperas doem. As esperas fazem sofrem. Quando vivemos na paciência, somos senhores da renúncia e escravos da liberdade... optamos por uma guerra profunda contra o pior de nós mesmos. (...) As esperas permitem descobrir e filtrar entre os homens aqueles que têm maior valor... são os que ficam, quando os outros, entretanto, se foram - levados por uma força qualquer daquelas que se alimentam das nossas fraquezas. (...) A esperança é a arte da espera. Há que ser paciente perante a dúvida, diante da pressa, face a face com os pesadelos reais. O homem paciente vive acima do seu sofrimento. Constante na sua firmeza, sofre mas faz o seu caminho para diante. Carrega a vida e a dores com as suas esperanças, numa paz que é a suprema coragem.

Conversas em sms

L*: Já resolves-te o problema da máquina?
Eu: Não. Estou passada, só vou ter a máquina um dia antes do teste e é se tiver! Detesto passar as coisas em cima da hora e já não é a primeira vez que me acontece. Depois ainda querem que andemos calmos. Com máquinas destas, a avariar dia sim dia não, nem os calmantes nos valem!
L*: Realmente é preciso ter azar. A tua máquina tem variações de humor estranhas. Ou está grávida e tem as hormonas aos saltos ou tem dupla personalidade!
Eu: Bem, espero que esteja grávida, assim sempre há a possibilidade de parir uma máquina melhor -.-

sábado, 13 de abril de 2013

Voluntariado 23#

Mais uma manhã de sábado bem passada! As lágrimas converteram-se em sorrisos e a monotonia em alegria inesperada. Apesar da ausência destes últimos tempos, não fiquei esquecida :)
Acolheram-me com a natural simplicidade que a vida lhes ensinou e travamos ótimas conversas sobre vidas atribuladas. Teceram-se elogios, trouxeram-se à tona lembranças e deram-se muitos abraços e beijinhos, porque lá o dia do beijo é todos os dias! Mais uma vez me comoveu ver as pessoas atentas às nossas palavras e a responderem com carinho, apesar de limitadas fisicamente. Acrescido a isto, fiquei mais uma vez impávida, pensativa e felicíssima ao contemplar gestos que falam bem mais que um discurso sintaticamente correto. Saí de lá como se tivesse encontrado um tesouro!

Frase do dia: "Rezo todos os dias pela felicidade da menina!" (senhora B*)