sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Partida...

Já passa da meia noite e, como todos os dias, não fujo à rotina dos pensamentos. A ansiedade domina-me e prende-me no calendário, no dia 9 de Setembro. Olho para a mala de viagem que comprei e vejo nela espelhada o meu futuro próximo, ao qual quero fugir quem nem louca. Preciso de mais anos de infância, de inocência, de preparação, de experiência, de ponderação! Preciso do meu presente e do meu passado. Preciso que o futuro se reduza a pó e vá morar para lugares mais longínquos que o próprio significado que lhe atribuem. Estremeço sempre que penso em horários, as pupilas dilatam-se sempre que imagino transportes públicos, o corpo fica frio quando por momentos me torno na futura pessoa solitária num quarto distante e inquietante, quase fico sem ar no momento em que ofereço impressões digitais carinhosas às fotos que vou levar comigo e o mundo cai-me nas mãos quando soletro aquela palavra, aquele nome que existe em carne e osso e que faz parte de mim...

domingo, 25 de agosto de 2013

Semente da vida

Amor é o tema principal dos meus versos, da minha vida
Enquanto agora é pura alegria no futuro é dor de ferida
Tanto eu queria escrever sobre outro temor, outro problema
Mas o coração pede aos meus dedos que invadam este poema
O amor à distância sempre me pareceu coisa de cinema
Mas desta vez bateu-me à porta mascarada em angústia extrema
Quando já acreditava que pertencia aos outros ou à ficção
A distância dominou o meu corpo e corroeu-me a razão
Agora tenho medo das estradas e dos finais tristes aversão
Não me venham esfregar factos de quem não aguentou a pressão
Porque o amor vale tudo e em tudo se transforma
De um sentimento profundo torna-se na mais seguida norma
O amor está na solitária flor que brotou com coragem
Está no casal de cavalos da mais bela carruagem
Está espelhado no céu e no sorriso de Deus
Está até presente nos genuínos e breves adeus
Preside nos cantos escuros e no pão que se serve na mesa
É o mais forte escudo usado em legítima defesa
Surge logo de manhã refugiado nos autênticos raios de sol
Penetra na própria seiva do mais formoso girassol
Veste-se de Rei, manipula ações e pontos de vista
E em poemas e pinturas é sempre o protagonista
Quando o amor passa a ter coroa torna-se na semente da vida
E nunca passará de tudo a nada por uma cruel despedida
A vícios e maldades externas sempre me oporei
O único vício és tu e esse eu constantemente alimentarei
Como uma fora de lei que vai ser enclausurada
Mas vai lutar pelo futuro de uma vida sonhada
Se o amor fosse virtude, eu possuí-a o poder divino
E se o amor fosse nitidez, eu seria algo cristalino
Sinto-me perdidamente sufocada pela corda a que chamam curso
Mas este fogo constante vai dar as mãos ao meu discurso
Um discurso genuíno que vem à tona quando mais me falta o ar
Me falta o ar pelo medo entre a diferença de ir e ficar
O meu corpo vai, porém a alma fica
Por isso trata bem de ti, porque tu és a minha vida
O nosso amor ultrapassa montanhas e qualquer oceano
Quanto estou contigo nem me sinto um ser humano
Despida de preconceitos, isenta de negatividade
É assim que me torno perante tamanha bondade
Raridade, que te torna um oásis entre a tempestade da vida
Que faz de ti um príncipe e de mim a Bela Adormecida
Que faz de ti o solo e de mim faz o jardim
Porque sem a tua existência qualquer flor chegaria ao fim
Qualquer rio deixaria de correr e de conhecer o mar
Por isso a tua entrada na minha vida eu vou sempre abençoar
Por tudo isto que disse peço que me façam um favor
Sejam a continuidade de alguém e lutem por um verdadeiro amor

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

(des)aproveitar as férias

Angel vs Demo | via Facebook
Estas férias, se é que se podem chamar férias, estão totalmente sob o domínio da ansiedade. As próprias idas às praia são feitas por frete, o simples ato de me vestir de manhã é uma grande chatice, os calafrios que sinto dentro de mim bloqueiam a minha visão para novos horizontes, uma música triste nunca me arrasou tanto como agora e uma melodia pura e positiva nunca me foi tão indiferente. A candidatura está feita desde segunda! E sinceramente, saí de lá com o mesmo fardo com que entrei, coisa que julgava não acontecer. Continuei receosa pelo futuro, sem saber ao que me agarrar, portadora de um leque enorme de medos. Afinal aquele clique no botão "submeter" em nada mudou as minhas ambições, o meu conformismo e a melancolia que insiste em morar dentro de mim. Quero ter forças para dar e vender, quero ter a alma de um guerreiro, quero sentir que o meu estômago é de ferro, quero voar sobre montanhas e oceanos só com o poder da mente, juro que quero! É o que eu mais quero. Mas sinto que já me estão a nascer as asas inúteis que me vão levar para longe, já sinto as penas a roçar-me friamente nas costas, já sinto aquela textura áspera a ferir-me, já prevejo a vida irregular que vou ter em cada irregularidade destas pobres asas, já carrego o seu peso com tamanho esforço tal como vou carregar o tumulto do futuro às costas.
Quero sentir no corpo a robustez de que preciso para aguentar a distância, que me é já tão nítida e presente que acabo por sofrer por antecipação. A pergunta é: será mais um mês ou três anos de agonia?

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Kilómetros de amor à porta da faculdade

Vejo os dias a passar com uma ridícula lentidão
Dizer que sinto ansiedade é uma mera abreviação
Estou mergulhada em incertezas e enterrada em opções
Sinto-me moldada pela pressão e desesperada por afirmações
Corrói-me a velocidade dos dias, suga-me a prisão de cada segundo
Estou sufocada num poço onde nem sequer vejo o seu fundo
Penso nas malas que vou encher, nas viagens que vou fazer
Na terapia de choques a que me vou submeter
Sei que está na hora de ponderar, abdicar e decidir
Mas sou uma simples criança que já a sua vida está a esculpir
Dentro de mim vivem fantasmas que me atiram à obscuridade
Mas apesar desta tempestade, só peço um resquício de claridade
A própria incerteza preside na minha futura morada
Se o mistério fosse tóxico, já tinha morrido envenenada
Não sou nenhuma flor de estufa que carrega um fardo de expectativas
Porque enquanto elas seguem o sol eu não sigo crenças normativas
Peçam somente à flor que responda às fanáticas leis da vida
Porque ela vive no luxo e eu na frustração do dia-a-dia
As vozes que se pronunciam já soam à mesma badalada
Se a insegurança fosse tortura, já tinha levado uma facada
Para a Universidade me arrasto como um ato de castidade
Deixo-me levar ao sabor da minha crise de identidade
Defino o céu e o amor como subtis e fiéis companhias
Mas desola-me saber que essas serão as únicas alegrias
No fundo sou mais um autómato movido por um mecanismo oculto
Mas estar longe de quem se ama é um fortíssimo tumulto
Lá vou recolhendo a pequenez transcendente da vida
Onde o silêncio formalista me ameniza a despedida
À entrada da faculdade esperam-me seis vultos
O que eles têm de assustador é o facto de serem ocultos
Espera-me o sumptuoso vulto da ciência
Que vai continuar a estremecer o meu chão com tamanha violência
Que me vai tornar mais culta e dotada de conhecimento
Mas queimar as pestanas vai ser o frequente acontecimento
Espera-me o confiante vulto do medo
Que vai ficar na história por todos tratar com desprezo
Que me vai surgir no desconhecido ou no próprio escuro
E me vai manipular às portas do meu futuro     
Espera-me o sociável vulto do carisma
Que me vai obrigar a ver as coisas de outro prisma
Que me vai massacrar com a euforia da amizade
Mas só os amigos de verdade é que me dão visibilidade
Espera-me o adulto vulto da independência
Que mais tarde ou mais cedo vai ser da minha convivência
Que me vai fazer gerir contas de casa e lidas diárias
E me vai fazer prestar atenção às receitas culinárias
Espera-me o desvairado vulto festivaleiro
Que me vai assombrar como um arruaceiro
Que se vai vestir de palhaço para que eu prove a vida noturna
Mas eu cá prefiro a minha iluminada vida diurna
Espera-me o vulto egoísta da saudade
Que nunca julgará que o medo de perder quem se ama é crueldade
Que me vai escorraçar e deitar nos escombros da vida
E no fundo esta vai ser a minha maior ferida
Ferida que vai estar brutalmente aberta, desperta
Em contacto com bactérias e de tristeza coberta
Coberta por um substrato de raiva incandescente
Onde o soluto do meu sangue é um amor fervente
Assim levo comigo a certeza da incerteza e a consciência da inconsciência
Mas o medo que os kilómetros de estrada acarretam vai estar em eminência
Assim projeto nestes versos a nova etapa da minha vida
Posso estar derrotada por agora, mas irei sentir-me acolhida!