domingo, 2 de dezembro de 2012

Aquela palavra, aquele sentimento...

                          
Ainda não tinha aberto os olhos, mas já viajavas pelo meu córtex cerebral. Já vagueavas pela minha casa e largavas o teu perfume. Já me sussurravas ao ouvido as lendas da paixão, os versos do surrealismo e as lengalengas do soberbo sentimento que nos une. Até que bates à porta e eu acordo. E mesmo antes de estremecer pelo frio da realidade, começo a sentir um turbilhão de emoções que se ressoam como tímidas badaladas nas cavidades do meu coração. Surge, inequivocamente, a saudade antecipada, que tanto mergulha nos interstícios dos poros. Fico impávida e rígida. E, como todas as manhãs, cruzo-me com o medo. O medo mascarado no pudor da vida, na prevista incerteza, nas pegadas que já vejo delineadas à minha frente. Mas agarro-me a ti e às partículas impalpáveis que emanas, a que chamam esperança. Fixo-me no teu genuíno olhar, no teu puro tacto, na tua inexaurível segurança, no teu oásis de humildade, na tua essência que faz de ti um Rei e cinjo-me à febre triunfal que me mantém as veias quentes. Assim me solto das garras das normas que me chicoteiam as costas, que me amarram na racionalidade, que me lançam nos abismos da explicação, que me esfregam contratos na cara, que me esboçam caricaturas da mais mágica invisibilidade e que enterram o amor em tubos de ensaio. É ao fugir destes limites impostos pela realidade que provo, sem fórmulas matemáticas, que o amor não se explica nem se escreve nestas banais linhas, apenas se sente.

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