terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Aniversário do blog!


Tudo começou à uns belos 5 anos. Estreou-se como algo óbvio e objetivo, algo com pouca personalidade. Mas a mentalidades foi-se renovando e cresci alguns palmos em tamanho. Fui apostando na subjetividade e no caráter filosófico. Quis criar o meu mundo e um conteúdo a que as pessoas tivessem acesso apenas aqui, neste blog, neste cantinho personalizado. A ideia inicial era bem distinta. Apenas queria escavar uma mina de conforto e paz, queria absorver-me apenas dos meus pensamentos e desabafos, no fundo, queria ser a minha própria psicóloga. Penso que, no presente, o conceito vai bem mais além disso. Adotei uma postura diferente e persegui um rumo mais corajoso. Enquanto antes me limitava a esclarecer factos, agora exponho uma atitude crítica, faço de mim uma personagem dotada de sentimentos, de angústias, de vitórias, de medos, de traços efémeros de qualquer ser humano. O blog tornou-me mais humana, sem dúvida. A escrita levou-me à compreensão de mim própria e tem-me levado à aprendizagem contínua da vida. Sei que ao fim de um dia mau posso contar com as minhas teclas e com o pedaço de fundo branco que me dão para escrever, posso fazer de um dia de chuva um arco-íris, posso descortinar o porquê de uma lágrima ou a razão de uma discussão, posso desvendar o mistério de um beijo ou arranjar explicação para um sorriso exagerado. No fundo, ao fim de cada dia, sei que posso contar comigo própria. E sabem porquê? Porque entre mim e os meus devaneios não existe nada. Entre nós e a nossa verdadeira escrita não existe política, não existe injustiça, nem crenças, nem crueldade. Apenas existimos nós, os nossos dedos e a nossa mente. Todos os dias me foco na exclusividade literária e acho que é uma das coisas por que vale a pena viver.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Resumos natalícios


Mais uma consoada que passou e mais um nascimento do Menino festejado! Sim, vamos crer que ele nasceu realmente por esta altura, mesmo que os documentários da Discovery o refutem. Fechemos os olhos, vivamos o espírito e desfrutemos de momentos em família. Foi isso que aconteceu e foi, talvez, dos melhores natais de sempre! Não apenas pelas prendas, que foram estranhamente muitas, mas pela união de todos e pela vontade de sorrirmos genuinamente. Por entre piadas, histórias e jogos de cartas o Natal passou a correr e já deixa alguma saudade! O dia da consoada significa imenso para nós. Não é apenas o dia em que nos trancamos na cozinha a fazer bolos, não é apenas o banquete cheio que nos enche os olhos nem é apenas a árvore de natal nova a reluzir no canto da sala que nos faz viver o espírito mais intensamente. A verdade é que qualquer pormenor tem o seu destaque, mas a companhia é realmente especial todos os anos. O dia começa sempre com um levantar aflito da cama. Ingredientes comprados, aventais postos e toca a trabalhar! Num instante saíram da cozinha quase dez sobremesas, até que os preparativos para a mesa de jantar começaram. O que restou foram pequenas ilhas de farinha e açúcar espalhadas pela cozinha que foram o resultado de desastres típicos. A mesa é fulcral. Desde os guardanapos encarnados ao azeite caseiro, desde as entradas à masterchef às pinhas rodeadas de cetim vermelho, tudo conjugava na perfeição e rimava com as nossas maçãs rosadas! Pusemo-nos todos bonitos e caprichamos na ementa. Sabemos que depois do trabalho culinário todos nos encontramos com alegria na noite de consoada. É um encontro garantidamente mágico. As fotos reinaram, bem como o vídeo ao abrir as prendas. Foi a conjugação perfeita para uma consoada perfeita. A missa do galo seguiu-se e o fim da noite foi marcado pelo cansaço. Dormimos. Acordamos. E foi com os raios de sol que fizemos a mesa para o almoço de natal. Sim, era, finalmente, Natal! Lá pusemos os gorros de pai natal e fomos levados pelos filmes natalícios e pelo espírito competitivo do novo jogo de cartas que aprendi. Foi divino! Que hajam muitos natais assim.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Ceia


Quando penso em Natal imagino automaticamente a pele rosada da minha mãe na ceia de Natal a condizer com o gorro vermelho que a obrigo a usar nessa noite, todos os anos. Atarefada com o banquete, de barriga já bastante cheia e mais uma refém do agradável calor da lareira. Mas o Natal vai bem mais além das maçãs encarnadas da minha mãe. Estar em família, numa completa harmonia é algo que só o Natal pode oferecer. O espírito é contagiante, especialmente quando se vê a árvore rodeada de prendas, por isso agradeçamos todos aos senhores Reis Magos. Sim, o ambiente é importante, mas a euforia de rasgar embrulhos é a mesma desde à muitos anos! A sala onde ceamos tem imensos pontos de destaque vermelhos e símbolos que respiram Natal. A alegria marca sempre esta altura do ano. Talvez o aconchego familiar apimente as piadas, talvez a luzes cintilantes da árvore façam os nossos olhos brilhar ou talvez a mesa recheada nos crie sorrisos, não sei, mas a verdade é que há sempre o que dizer, sempre que opinar e discutir. E quando há opiniões divergentes lá vem o meu pai oferecer o vinho maduro da garrafa que esperava pela sua abertura à anos. E com ideias destas ficamos todos ainda mais rosados. Às vezes, por entre silêncios e esperas pelo próximo prato, penso no frio que terão os mendigos, no pedaço de papelão que nunca irá substituir uma lareira, no simples pão que marca o seu jantar e no rosto gelado e desfalecido que terão todos aqueles que se iluminam debaixo de um candeeiro de rua. É triste. É egoísta da nossa parte. Mas mudar isso implicaria mudar o mundo, mudar as mentalidades. E como se muda o mundo se nenhum de nós se chama Deus?

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Amnésia


Esqueci-me de quem era e todos à minha volta pareciam confusos. O mundo deixou de ser concreto, ninguém se lembrava do avanço da tecnologia, do abalo das torres gémeas, do último livro a ser publicado ou da última notícia do telejornal. Ninguém se lembrava das crenças do seu país, do que comiam ao pequeno almoço, da frustração com que acordavam todos os dias, ninguém se lembrava do seu nome nem do que os definia. Senti uma estranha ligação às pessoas, às que outrora eram desconhecidas. Pairava tanta loucura, tanta estranheza, mas ao mesmo tempo tanta ternura, tanta magia. Garanto-vos que o mundo não era uma incerteza nem tinha pegadas de decadência. Era, sim, um mundo culto, onde podíamos confiar em qualquer ser com sangue nas veias. Consegues imaginar um mundo sem maldade onde te aproximas de alguém pelo facto de sermos todos humanos? Consegues imaginar uma igualdade de etnias, de valores, de estratos sociais, sem qualquer pirâmide a derrubar a justiça? Consegues imaginar a felicidade que é acordares e nunca mais te lembrares daquele dia triste que te queimou por dentro? Consegues imaginar o que é não saberes o conceito de fome, de lágrima, de dor, de pena, de orgulho? Consegues imaginar o que é acordar todos os dias e descobrir tudo novamente, com um sorriso singelo no rosto, sem protestar ou exigir um lugar reservado em frente ao computador? Eu sei que não consegues. Ninguém consegue. Queremos ser conhecedores de um mundo e de outro, somos ambiciosos, crescemos em mente a olhos vistos, sofremos pressões alheias que nos fazem querer ser superiores aos outros, enquanto que se vivêssemos na amnésia nunca saberíamos sequer verdadeiramente o nome de alguém. Saberíamos mas esqueceríamos mal olhássemos para uma rosa, que aos nossos olhos seria uma flor belíssima e rara de todas as vezes que olhássemos para ela. Todos sabemos que andamos de mãos dadas com a presunção, com a antecipação do verdadeiro viver, andamos numa corrida desenfreada pelo desassossego. Eu própria escrevo por egoísmo, porque me quero sentir melhor ou ouvir algum elogio, e tu, que estás a ler, lês por preguiça, porque não há nada mais cómodo do que ler. Todos escrevemos e lemos só para atingir pontos de intelectualidade. Diz lá que não é verdade? Vivemos na real ilusão, na consciente solidão, na perspectiva de que todos somos mais importantes do que aquela rosa que vemos no nosso jardim, mas não somos. No entanto, suplicar pela amnésia seria afirmar que o mundo acabasse, e pior do que o mundo acabar, era um dia acordares e não me conheceres.

sábado, 6 de dezembro de 2014

NATAL!



Lights everywhere 😁✨Estamos já a poucos dias do natal e o espírito envolve toda a casa com harmonia. As compras estão quase concluídas e mal posso esperar para saber se acertei nas minhas escolhas. Mas até lá, os embrulhos terão de se manter debaixo da árvore e a curiosidade será uma constante. Posso dizer que este ano paira realmente o ambiente natalício no ar, o que não aconteceu no ano passado. A vontade de decorar a árvore foi grande e a antecipação para todos os preparativos da ceia de Natal está a deixar-me ansiosa! Seja pelo cetim vermelho, seja pelas bolas de tecido da árvore, seja pelas luzes, pela velas, pelo presépio, o natal devolve sorrisos! Este ano fiz pressão para que a árvore fosse branca e os meus pais foram uns fofos e foram comprar uma de uma altura considerável, coisa que nunca tinha havido nesta casa. Ter uma árvore branca mais alta do que eu, transporta-me para as montanhas de neve por onde passa o trenó do Pai Natal. Sim, ele para mim sempre vai existir! Afinal, todos temos um lugar reservado para a criança que há em nós e já diz a frase que uma fruta madura demais apodrece. Por isso, esmerem-se na decoração e verão que o Natal se vai tornar mais convidativo e os momentos em família mais sorridentes. Bons preparativos!

Caloirices


Bem, aqui estou eu para falar da minha experiência sobre a nobre sensação de ter uma caloira! Sim, nobre! E não a trataria por caloira, nem afilhada, nem por sinónimos que façam subjugar a superioridade ao facto de eu já não o ser. Eu também olhei para o alcatrão da estrada, também suspirei para que as praxes acabassem, também olhei para o céu à procura de um raio de luz que me trouxesse paz, também senti nos joelhos o que era o "respeito" pelos doutores, o que era o declinar da cabeça para que passássemos despercebidos, também sei o que é esperar que nos venham dizer um simples "olá" pela manhã, para que nos transmitissem a segurança que só o lar, outrora, nos oferecia. É, por isso, que em nada me sinto superior a ela! Ela deu-me vida, deu-me um sorriso novo, deu-me as certezas que eu precisava para continuar a lutar. E tudo começou com um relógio em comum. Ela entende-me! Sorrimos e ela aproximou-se. A coragem foi o ponto forte até que o pedido foi tão instantâneo como a minha admiração. Julgava-a de excelente coração e de uma simpatia rara e acertei em cheio! À medida que as conversas se alongavam fui-me apercebendo cada vez mais da sorte que tinha tido. Ela sempre me compreendeu, sempre conversamos sobre todos os assuntos, desde a meteorologia aos assuntos amorosos, acolheu-me, aconselhou-me e respeitou-me com uma transparência como nunca ninguém o tinha feito. Sei que com ela posso contar, definitivamente! E ela comigo, só para que conste. Sabem o que sinto? ORGULHO. Orgulho por me ter escolhido e pelo futuro brilhante que sei que ela tem pela frente! Desejo-te a melhor vida que alguém poderia ter, porque eu cá estarei para te mimar e para te ouvir.
Um grande abraço I*