domingo, 31 de março de 2013

Oscar Wilde

(...)
"cada um mata o que adora:
o seu amor, o seu ideal.
Alguns com uma palavra de lisonja,
outros com um duro olhar brutal,
O covarde assassina dando um beijo,
o bravo, mata com um punhal.
Uns matam o próprio amor quando ainda jovens,
Outros o fazem na velhice;
Uns estrangulam com as mãos da luxúria,
Outros com a mão de Ouro,
O que é bondoso faz uso do punhal,
Porque a morte assim vem mais depressa.
Há corações vendidos, e há comprados;
uns amam, pouco, outros demais;
há quem mate a chorar, vertendo lágrimas,
ou a sorrir, sem dor, sem ais.
Pois todo o homem mata o objeto do seu amor
E, no entanto, nem todo homem é condenado à morte."
(...)

quarta-feira, 27 de março de 2013

Vontade alheia vs vontade própria

Acordei feliz. Talvez na ânsia de encontrar a luz reluzente no fundo do túnel invernal das minhas emoções. Foi como se as minhas pupilas tomassem a silhueta de um sorriso. Senti na pele as dores reais do comodismo, as conjeturas fugazes da rebeldia, as frustrações intermitentes da rotina injusta e ouvi as quimeras a rugir-me no estômago, enquanto baloiçavam as algemas das obrigações nos meus pulsos.
Não sei se é por estar parada no tempo ou isolada de rígidos horários, mas agora percebo que nada me impede de ver o horizonte. O nevoeiro foi-se! Já consigo ver os barcos a atracar, ou cheios de peixe ou de sorrisos viajantes, e a esperança de estar em terra a chegar à margem. Os jardineiros foram-se! Vejo, agora, jardins selvagens que brotam sobre a sua própria liberdade e respiram com a mesma ousadia com que se mostram ao mundo. Também se foram os ruídos dos automóveis, que tanto se mascaravam de consciência e nos exigiam que fôssemos autómatos. O que agora vejo, ou melhor, oiço, são assobios inocentes que não conhecem necessidades morais e que não têm o objetivo de me dar as rédeas da civilização, para que, como escrava de uma sociedade moderna, atenda às normas e siga, inquestionavelmente, os padrões, como a flor da estufa que carrega, durante a vida, um fardo de expectativas por tudo ter de bom e de melhor. Dissiparam-se os pessimismos! Tenho, agora, a capacidade de suportar medos e agarrar-me a todas as minhas fontes de felicidade, para melhor encarar o futuro, mesmo tento em conta obstáculos e limites. E o ceticismo em que mergulhava? Foi-se! E vejo, então, um mundo em movimento que me cativa ou não, mas que me torna ativa no processo de conhecer. Não acordo de manhã só porque sim, não leio um livro somente por obrigação, não saio à rua por frete… O que, finalmente, vejo são as flores a sair dos seus casulos calorosos e a lançarem-se à aventura, os vizinhos a cumprimentarem-se e a provarem um pouco da essência da nossa espécie, as fêmeas a darem à luz e a depositarem humanidade na sua continuidade, as crianças a pularem de telhado em telhado onde as paredes das casas são feitas de sonhos, a ciência a fazer progressos e a remexer as raízes e as lendas do mundo, os anjos de pele clara e faces rosadas a abraçarem-se e Deus satisfeito com a racionalidade dos Homens e a irracionalidade da vida. E assim se rejeita a fobia de viver em carne e osso. É bom saber que depois de uma trovoada poderá seguir-se um dia de sol. Que assim seja a magia da vida ou a balança do estado de espírito.

domingo, 24 de março de 2013

José Luís Nunes Martins 2#


Nos momentos de crise, todos nos agarramos ao que parece dar segurança.
Quanto mais difíceis são as conjunturas, mais a vertigem do erro se apodera da nossa capacidade de decisão. A responsabilidade de vivermos sempre no tempo, que pela sua essência jamais torna atrás, vai-nos preparando, melhor ou pior, para gerir os instantes mais exigentes. Muitas vezes fingimos e fugimos, acreditando em naturezas cíclicas e em prazos longos... o que está claramente fora da verdade.
Em circunstâncias difíceis, a qualidade das nossas referências é posta à prova. É tempo de experimentar o que prometeu aguentar-nos. Mas descobre-se que quase tudo é embuste, que pouco há de verdadeiramente seguro. E é neste quase vazio que se revela a verdade: estamos sós e dependemos apenas de nós. Alguns entendem que se trata de um dom, outros de uma condenação. Uns sorriem, outros choram.
A liberdade é mais do que o poder de escolha, é agarrar a vida como matéria-prima e fazer com ela uma obra pessoal, algo que, mais que meu, sou eu. Eis o verdadeiro dom (talvez divino): ser livre. Poder dar sentido à vida, dando-lhe um ponto de partida, um rumo, um sustento e um verdadeiro fim.
A verdade só pode surgir num contexto de liberdade. Para que as coisas e as pessoas se revelem, é preciso deixá-las ser. Só quando se dá liberdade se pode esperar verdade. Afinal, a essência da verdade é a liberdade.

Ricardo Araújo Pereira 11*

"Após alguma reflexão sobre o assunto, ocorreu-me que talvez fosse importante que alguém apresentasse Vítor Gaspar a um ser humano. Podia ser um encontro discreto, a dois, só com um terceiro elemento que começasse por fazer as honras: "Vítor, é o ser humano. Ser humano, é o Vítor." E depois ficavam a sós, a conviver um bocadinho. Perspicaz como é, o ministro haveria de reparar que, entre o ser humano e um algarismo, há duas ou três diferenças. O ser humano comparece com pouca frequência nas folhas de excel, ao contrário do algarismo. E o algarismo não passa fome nem morre, ao contrário do ser humano. É raro encontrarmos uma lápide, no cemitério, com a inscrição: "Aqui jaz o algarismo 7. Faleceu na sequência de um engano numa multiplicação. Paz à sua alma." Mal o ministro tivesse percebido bem a diferença entre o ser humano e os números, poderia voltar às suas folhas de cálculo. Admito que se trata de uma experiência inédita, mas gostaria muito de a ver posta em prática. Houve um tempo em que quem não soubesse de economia estava excluído da discussão política. Felizmente, esse tempo acabou. (…) As propostas de um leigo talvez sejam absurdas, irrealistas e inexequíveis. Não faz mal: as do ministro também são. Estamos todos em pé de igualdade. A realidade não aprecia economistas. Se um chimpanzé fosse ministro das Finanças, talvez a dívida aumentasse, o desemprego subisse e a recessão se agravasse. Ou seja, ninguém notava. Como toda a gente, também tenho uma sugestão para reduzir a despesa. Proponho que Portugal venda uma auto-estrada para o Porto. Temos três, e não precisamos de todas. Há-de haver um país que esteja interessado numa auto-estrada para o Porto. Não há nenhuma auto-estrada para o Porto no Canadá, por exemplo. Nem na Noruega. (Eu confirmei estes dados.) São países ricos, aos quais uma auto-estrada para o Porto pode dar jeito. Fica a proposta. Não é a mais absurda que já vi."

quarta-feira, 20 de março de 2013

A Primavera chegou! E chegou, mais uma vez, com os seus poderes sobrenaturais. A alegria e o espírito renovado, a sensação de estarmos felizes só por abrirmos os olhos todas as manhãs, o positivismo transportado no pólen, uma vontade ofegante de esquecer os problemas e um determinismo puro em consumir a filosofia de Ricardo Reis.
Boas tardes de sol! ;)

segunda-feira, 18 de março de 2013

Capítulo das desgraças!

Tumblr_mh9uh8ipic1qgu5b6o1_1280_large

Desculpem a minha ausência, mas a transição da escola para as férias nunca foi fácil para mim, apesar de muito desejada. Por um lado não sei como agir com tanta felicidade ao ver os jogos de computador e as séries a chamar por mim, mas por outro, ouço mais frequentemente as vozes da minha consciência a dizer que há muito que estudar para os exames, apesar de lhe calar a boca imediatamente. Por um lado, existe o lado criativo que me faz olhar para o sol da manhã de maneira diferente e para a minha secretária de maneira positiva, mas por outro, o Memorial do Convento e a minha obrigação em lê-lo destroem toda esta fugaz fantasia, como quando se destrói um cigarro. Por um lado estão os meus pensamentos curiosos sobre o que vestir para o baile de finalistas, mas por outro, só consigo relembrar o que a professora de matemática nos disse no último dia de aulas: se vocês este período já deslizaram tanto nas notas, então se se puserem a bailar no baile, aí é que deslizam mesmo!    
E como se não bastasse, dado que o sol está a aparecer, as borbulhas também aparecem. Tipicidades minhas! Queria viajar e conhecer o mundo, mas estou ligada por milhares de fios invisíveis a esta porra...
Eis o que resulta de todo este turbilhão: melancolia!

Torneio de ténis de mesa

2º lugar!...

sábado, 9 de março de 2013

Mais uma semana chegou ao fim! Agora à que estudar com afinco para o último teste, psicologia. Quando esta rotina acabar talvez escreva um texto positivo e enérgico :)

sábado, 2 de março de 2013

Ricardo Araújo Pereira 10*

""Quem mais vocalmente contesta o que estamos a fazer são aqueles que têm mais", disse esta semana Passos Coelho, também vocalmente. Escutei estas declarações auditivamente e não pude deixar de meditar nelas mentalmente. O primeiro aspecto que retive foi a pormenorização feita pelo primeiro-ministro: os que têm mais são os que mais contestam vocalmente. Os que contestam gestualmente, supõe-se, são os que têm apenas alguma coisa, pouco ou nada. Faz sentido que seja gente mais dada a gesticular. Sobram ainda os que, contestando também vocalmente, contestam menos, e que por isso também não pertencem ao grupo dos que têm mais. Há ainda os que não contestam de modo nenhum, que nesta altura são, pelas minhas contas, 132 cidadãos: 108 da bancada parlamentar do PSD e 24 da bancada parlamentar do CDS. (…) O primeiro-ministro conta-se entre os maiores apreciadores de vocalizações, e só não as pratica mais porque Filipe La Féria, no gesto mais antipatriótico da História de Portugal, o impediu de vocalizar melodias num dos seus espectáculos musicais. Se há crítico abalizado para avaliar o que se vai fazendo vocalmente é o chefe do Governo. Se há juízo que sabe valorizar vocalizações é o dele. As palavras de Passos Coelho oferecem ainda um retrato sociológico surpreendente. Todos assistimos às manifestações em que um grande número de pessoas contestava vocalmente o que o Governo está a fazer. Ficamos agora a saber que aquelas multidões eram constituídas por aqueles que têm mais. Em retrospectiva, recordo a quantidade enorme de beatas de charuto que cobria o chão, após as marchas. Percebo agora a elegância dos manifestantes, todos vestidos de Armani e Chanel. Compreendo finalmente os engarrafamentos provocados pelos protestos: os vocalizadores foram transportados para a manifestação pelos respectivos motoristas. Mas só tomei consciência disto depois de ouvir a análise do primeiro-ministro. (…) Se essa gente aguenta mais austeridade? Ai aguenta, aguenta - como disse, com conhecimento de causa, um deles. Na altura, não percebi e discordei. Afinal, estou de acordo."

José Luís Nunes Martins

"Vivemos no caos. Tudo parece relativo, pois a falta de sentido nem sempre nos preocupa. Aborda-se a vida como um trabalho a cumprir, um custo. Por vezes pressente-se uma obrigação, mas na mais estúpida das ingenuidades: quer-se muito, quase tudo, aqui e agora, já. E porque a realidade deste mundo nunca é tão generosa como o egoísmo lhe exige, amua-se. Opta-se então pelo sonho, escolhe-se dormir em vez de erguer-se e sair para construir a vida. A missão é simples: sermos o que podemos ser. Este dever ser o que se pode, e não o que se sonha, constitui-se como uma fonte de sentido capaz de enfrentar as piores das horas más, com todas as lágrimas e dores que se sentem na cara, no corpo, na inteligência e na alma. Uma atitude corajosa capaz de se sobrepor à imaginação que nos alimenta os medos. Que nos mantém mortos no sono. Que nos invalida. O caminho é longo, cheio de derrotas, terrível ao ponto de sermos várias vezes confrontados com a derradeira prova de fé: andar adiante, seguir o caminho no preciso momento em que o desespero mais fundo, qual Abraão de cutelo em riste, se prepara para sacrificar a nossa alma. Mas é quando se perde a esperança que se derrota o medo! Algo surge e nos garante que estamos no caminho certo, a noite apenas atrasa o amanhecer – há uma esperança e uma certeza maiores. Afinal, se neste mundo não conseguimos ser tudo quanto podemos, então é porque não somos daqui."

sexta-feira, 1 de março de 2013

Motivos para (não) sorrir

543042_436050596448956_730254050_n_largeE assim se passou mais uma semana! É sexta feira, o que deveria ser motivo para sorrir, mas foram péssimos estes dias. A frustração do teste intermédio, o tédio do noticiário, a melancolia incontrolada das horas de almoço, o stress da rotina, os raspanetes dos professores e a ansiedade por já quase cheirarmos as férias da Páscoa. Nesta semana parece que se tornou típico deitar-me cedo para esquecer... esquecer todos os segundos daquele dia, daquela febre, daquele fardo!