segunda-feira, 25 de junho de 2012

Exame F.Q.

Posso dizer que foi melhor que o exame de biologia e que o teste intermédio de F.Q., de resto correu mais ou menos. O que agora quero e mereço são umas semaninhas de puro descanso! E depois, lá voltarei a pensar em médias.
Mais pormenores, dia 9 de Julho.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Exame bio/geo

Bem, ao que parece sou só mais uma que, depois de duas horas e meia entre corações palpitantes, saí do exame igualmente deprimida do que quando entrei.
2ª fase, como penso tanto em ti.

domingo, 10 de junho de 2012

Bairro pobre

Era uma rua comprida, estreita e atulhada de dissabores e agonia em cada porta. Era essa a única calçada com pedras mal cimentadas que seguia as pisadas de um povo trabalhador, que armazenava as lágrimas e o suor de uma vida esmerada, que segurava os antagónicos pontos de vista e que sustentava o vidro estilhaçado das rotinas noturnas. Desde aquela madeira tingida das portas ao surro do sabão das casas abandonadas, desde o ar faminto que pairava no ar às mãos castanhas e estendidas dos mendigos, desde os calos dos pés gretados dos homens às rugas definidas das mulheres campesinas, desde gatos moribundos à espera de um osso seco à ferrugem das maçanetas, desde a bola de farrapos rota e desfeita das crianças às carcaças dos pães podres que lambiam, desde os sorrisos exageradamente amarelos às doenças proliferadas pelos dejetos dos animais, desde a lousa das casas e das sepulturas ao talho da esquina que albergava órgãos carunchosos de animais ao relento, desde o nevoeiro que sobrevoava os telhados repletos de líquenes ao ar taciturno e triste da cara dos que tinham os dias contados. Aqueles árduos engenhos até ao pôr-do-sol, aquelas vidas sem ornamentos, aqueles magros mas saudosos filhos, aquela humildade pura, aquela honestidade sã e aquela garra perene figuravam como feições de uma raça sem preconceitos. As saias compridas e fluidas das mulheres a roçar no chão deslavado das varandas rimava com os ventres afagos prontos a dar à luz novas sombras consumidas por moscas. A água espumante lavava os largos paralelos da estrada, enquanto o escasso perfume a detergentes baratos invadia as lixeiras e dava anos de vida às velharias. E à noite, as luzes dos candeeiros do último século destacavam as sombras dos buracos das camisas rotas de quem por ali passava. Uma vida divorciada de futilidades, artificialismos e artimanhas e que constitui, justamente, um oásis de magnanimidade, onde é o suor que une e cimenta os paralelos do chão que pisamos.