segunda-feira, 4 de julho de 2016

(in)dependência

butterfly, hand, and vintage image

Quero um amor tão certo como o galão da manhã ou o pôr do sol ao fim da tarde. Quero um amor como um pombo correio, que seja livre e descomplicado mas que sabemos que sempre irá voltar. Quero um amor tão simples como uma parede pintada de branco, tão especial como o desabrochar de uma flor, tão seguro como os alicerces da minha casa e ao mesmo tempo tão leve quanto a brisa de primavera. Quero um amor que rime com natureza, com sementes a florescer, com raízes fortes, que rime com sonhos e com o calor entre duas mãos. Quero um amor um tanto controverso e incoerente, um amor que rime com comédia e seriedade, com desapego e posse, com aventura e sedentarismo, quero um amor que rime com as quatro fases da lua. Quero um amor que seja o prolongamento do meu gosto pela brisa doce ao fim da tarde, do equilíbrio que ela trás e do sentido que nos dá à vida. É isso que um amor nunca nos deve tirar. Um verdadeiro amor preserva a simplicidade da vida, dá continuidade à paz que vivemos e que queremos criar e proliferar. Se antes de amar gostamos de viver a natureza, depois de amar é normal gostarmos ainda mais. O amor preserva rotinas. Apenas acrescenta sonhos. Eu sei que quando eu tiver de lutar, luto, sei exatamente o que fazer quando chegar a pessoa certa, sei abdicar da minha fragilidade, assumir os meus erros e admitir vezes sem conta o que preenche o meu coração. Sei que existe dentro de mim a potencialidade de um grande amor, mas por enquanto guardo as minhas energias para cuidar de mim e viver a vida com a intensidade que não pode ser vivida por quem está envolvido em sentimentos de posse constante e em problemas impossíveis de resolver. Porque o amor não morre, ele apenas reacende perante a esperança de um futuro. Percebi que sou completa ao sentir-me sozinha e isso não é apenas força e valorização, é dádiva. Uma dádiva que nós mesmos criamos com a nossa fé e amor próprio. Sim, nós, seres humanos, somos criadores de dádivas e criadores da nossa própria sorte, porque a sorte vem dos caminhos que escolhemos seguir. Neste mundo podemos escolher ser frustrados ou lutadores e, apesar da segunda opção ser bem mais custosa, a primeira mostra-nos o peso do remorso e da dor constante. Se temos a opção de não nos alimentarmos de frustração então vamos lutar por nós, pelo nosso amor pela vida e se, eventualmente, esse amor que temos à vida tiver origem numa pessoa, então encontras-te o tesouro. Se a pessoa te acrescenta esse amor a tudo o que te rodeia e te acrescenta sonhos e ambições, então é a pessoa certa. Por isso não desistas de ti para que um dia tenhas forças para também não desistir de alguém. Luta por ti e pelos teus atributos para que a pessoa certa se cruze contigo e repare em ti, porque se desistires de ti essa pessoa será só mais uma que passa na rua e te vai fazer falar mal do destino. Não percas essa oportunidade! Não percas a oportunidade de investir em ti, porque ao fazê-lo estás um passo mais perto de encontrar a pessoa certa. É por isso que muitas desilusões existem na vida pela escolha de pessoas erradas, e porquê? Porque não estavas a investir em ti próprio. Não desistas de ti!