quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Ricardo Araújo Pereira 7*

“Quando se soube que os enfermeiros contratados pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo iam auferir 3,96 euros à hora, gerou-se alguma indignação. "É ofensivamente baixo", disse o sindicato dos enfermeiros; "é um balúrdio", pensou aquela gente que acha que os salários em Portugal são muito elevados (excepto os dos gestores de topo). Depois dos descontos, cada um destes enfermeiros leva para casa entre 250 e 300 euros. Mais do que suficiente para os profissionais que vão a pé para o trabalho, moram num parque de campismo, não têm muito apetite, apreciam viver às escuras e desprezam o banho. Aquela ínfima percentagem que desperdiça dinheiro em transportes, renda, alimentação, luz, gás e água, é natural que tenha dificuldades. Talvez assim aprendam a abdicar de alguns desses luxos. (…) Esta descida equipara os salários dos enfermeiros ao das empregadas de limpeza. A partir de agora, a limpeza e desinfecção de um ferimento e a limpeza e desinfecção de uma instalação sanitária são remuneradas da mesma forma. Para o Estado, um doente não é muito diferente de uma sanita. Compreende-se: é raro o doente que está interessado no empreendedorismo, que aposta na inovação e que promove o aumento da competitividade, que são os valores sagrados do nosso tempo. Uma sanita, por outro lado, é das peças de porcelana mais empreendedoras, inovadoras e competitivas.”

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