domingo, 24 de março de 2013

José Luís Nunes Martins 2#


Nos momentos de crise, todos nos agarramos ao que parece dar segurança.
Quanto mais difíceis são as conjunturas, mais a vertigem do erro se apodera da nossa capacidade de decisão. A responsabilidade de vivermos sempre no tempo, que pela sua essência jamais torna atrás, vai-nos preparando, melhor ou pior, para gerir os instantes mais exigentes. Muitas vezes fingimos e fugimos, acreditando em naturezas cíclicas e em prazos longos... o que está claramente fora da verdade.
Em circunstâncias difíceis, a qualidade das nossas referências é posta à prova. É tempo de experimentar o que prometeu aguentar-nos. Mas descobre-se que quase tudo é embuste, que pouco há de verdadeiramente seguro. E é neste quase vazio que se revela a verdade: estamos sós e dependemos apenas de nós. Alguns entendem que se trata de um dom, outros de uma condenação. Uns sorriem, outros choram.
A liberdade é mais do que o poder de escolha, é agarrar a vida como matéria-prima e fazer com ela uma obra pessoal, algo que, mais que meu, sou eu. Eis o verdadeiro dom (talvez divino): ser livre. Poder dar sentido à vida, dando-lhe um ponto de partida, um rumo, um sustento e um verdadeiro fim.
A verdade só pode surgir num contexto de liberdade. Para que as coisas e as pessoas se revelem, é preciso deixá-las ser. Só quando se dá liberdade se pode esperar verdade. Afinal, a essência da verdade é a liberdade.

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