segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Ricardo Araújo Pereira 8*

“(…) O primeiro-ministro estava a discursar numa universidade quando um grupo de estudantes se levantou e, em silêncio, exibiu uma faixa que dizia: "Demite-te". Os seguranças de Passos Coelho, temendo que aquelas oito letras pudessem pôr em perigo a integridade física do primeiro-ministro, aproximaram-se dos estudantes e tentaram tirar-lhes a faixa. (…) Os seguranças, que privam com ele diariamente, conhecem o zelo com que o primeiro-ministro cumpre directivas, e talvez tenham receado que ele pudesse satisfazer a ordem dos estudantes com a mesma velocidade com que satisfaz as de Angela Merkel. Acabou por não ficar completamente esclarecida a intenção dos seguranças. Quereriam remover a faixa por completo? Fazer-lhe alterações que a tornassem mais decente, por exemplo substituindo a familiaridade malcriadona do "Demite-te" por um mais formal "Demita-se?" Ir um pouco mais longe e alterar a mensagem para um muito mais cordial "Demita-se, se faz favor"? Recomendar-lhes que optassem pela humildade compreensiva de um "Pondere demitir-se, mal encontre tempo para isso na sua preenchida agenda"? (…) Não chegámos a perceber o objectivo da intervenção dos seguranças, porque Passos Coelho interveio (…). Disse ele: "Pedia ao Serra que deixasse os senhores ostentarem o cartaz sem nenhum problema, porque vivemos, felizmente, numa situação de boa saúde da nossa democracia, e não vemos nenhuma razão para que os senhores não possam ostentar as faixas que entenderem." (…) Nos países que vivem uma situação de boa saúde da democracia, o primeiro-ministro não tem de pedir aos seus seguranças que deixem os cidadãos manifestar-se como entendem. Lá, os cidadãos não têm autorização para se manifestar, têm o direito de o fazer. (…).”

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