sábado, 2 de julho de 2011

Numa caverna obscura (9º dia)

Hoje dedico o meu dia à pouca coragem que me resta. Sempre tive imenso medo do escuro, mas tenho de o conseguir ultrapassar sozinha! (…) Já me encontro perto de uma dita caverna, à qual se encontra subjugado um mito ou lenda que as pessoas da aldeia criaram. (…) Já vejo o escuro da caverna mesmo próximo de mim… Pousei a bicicleta. Ansiei. Receei. E dei finalmente um passo em frente. Trouxera a lanterna que não pegara desde a minha última viagem de noite, e foi de facto uma excelente companhia. (…) Viajar de noite é diferente, há luzes na rua e nas casas, mas aqui dentro nada se vê, nem o sol nem as estrelas, se fosse de noite. Cada vez se encobria mais a entrada da gruta e se iluminavam aos poucos as paredes da caverna, à velocidade dos meus passos, que foram sempre curtos e receosos, pelo meu estado de nervosismo intenso. Consegui ver desenhos dos primórdios, com tons avermelhados que provêm do sangue e tons mais escuros do carvão. Eram de facto tempos bem diferentes dos de agora. Tudo ali parecia compactado e misterioso. O ambiente da caverna tornara-se quase palpável. À medida que andava, o silêncio quebrava-se com o gemido da gelada água que ia arrastando. Por outro lado o pouco sol que ainda penetrava a caverna "fugia" cada vez mais, o que me fez sentir frustrada por não o conseguir apanhar! Quando saí da gruta por momentos fiquei cega, parecia que os meus olhos tinham dado a minha visão à escuridão quando saísse, em troca da minha atracção pelas pinturas rupestres, que me dominaram mais que o próprio medo do escuro. (…) Depois de comer o farnel fui para casa antes do sol se pôr, e sentindo-me eu uma pessoa mais forte e confiante por em parte ter ultrapassado um dos meus maiores medos, o escuro!

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