segunda-feira, 4 de julho de 2011

No miradouro da ponte (10º dia)

Uma subida agreste que se fizera sentir pelo constante suor. Pousava eu a bicicleta junto a um poste antigo de electricidade, quando voltei a cabeça e o meu olhar foi subornado pela intensa paisagem de ricas cores que se sobrepunham. Um miradouro é sempre algo de louvar pelo brilho que nos dá aos olhos e pelo espírito positivo que nos dá à alma. Mas este é especial… Sinto que é o lugar ideal para qualquer poeta se inspirar, para qualquer músico criar uma nova melodia e qualquer pintor espalhar as cores reais na sua tela. Que trabalhosa fora esta ponte, naquele tempo! Tudo para que possamos ter a grande oportunidade de vislumbrar aquele vento a trespassar os ramos das verdes árvores, as pequenas pessoas irreconhecíveis como negros vultos, os caminhos como castanhas águas a percorrer as ruelas, os sons desvanecidos pelo som do ferreiro local, os carrinhos vermelhos a entregar o correio, a cor amarelada do arenito da marginal, os tons amarelos da areia da praia, as cores ora claras ora escuras do azul do carregado mar, um grande barco branco a saborear as ondas que o oceano lhe oferecera… Estar aqui é bem melhor do que andar de helicóptero, pelo menos aqui podemos conduzir o nosso olhar para pormenores pitorescos que marcam toda a diferença. É quase irreal ver esta paisagem que se assemelha a um aquário gigantesco onde a nuvens carregadas fazem tensão sob toda a paisagem e onde o sol se desvanece e vai abandonando as montanhas. Quem sabe se não pintarei um quadro inspirada nesta paisagem? (…) Depois de tirar algumas fotos para assim recordar este sonho tornado realidade, achei que já se fazia tarde e que ainda tinha muito que pedalar.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Um comentário vale mais que mil palavras! Thanks :)