sábado, 15 de agosto de 2015

Crónica: Selfies


Hoje vou falar-vos acerca da palavra mais ouvida na atualidade. É verdade, selfies! Aquela palavra que ao pronunciarmos parece que estamos a vender peixe, mas enfim, não é importante. Nada contra este vício moderno! Aliás, tiro selfies quase todos os dias, é algo quase automático e acrítico. As redes sociais e a televisão estão repletas de selfies. Elas invadiram o nosso mundo e nós acolhemo-las como nossas. Mas como é que isto tudo começou? Provavelmente porque nos custa bastante pedir a alguém para nos tirar uma fotografia, temos vergonha, receio, deixamos de nos sentir à vontade, não sei. É irónica a forma como ficamos tímidos perante os outros, mas sorrimos confiantes para selfies que mostramos ao mundo todo. Custa-nos o simples facto de dizer "boa tarde" a um desconhecido e pior do que isso, dizer "desculpe" e "obrigado". Passamos a achar um frete a boa educação, e porquê não contornar isso com uma selfie? Agimos por moda e não paramos para pensar que estamos a inibir-nos a nós próprios, a restringir as interações sociais, no fundo, a reprimir a sociedade. Tudo para que possamos ir de férias sem abrir a boca e apenas sorrir e ser o centro das atenções. Tudo focado em nós próprios, e a sociedade egoísta a assistir. Não é propriamente algo mau ao nível individual, porque muitos de nós viveriam bem sem selfies, mas refiro-me à sociedade, à mentalidade das gerações. Antigamente existia um convívio até com as pessoas a quem pedíamos para nos fotografar e sempre que se desfolhava os álbuns havia uma história por detrás de cada foto. Hoje em dia não. Existem braços na periferia das fotos ou selfie stick´s a "segurar a foto". Colecionamos a maioria dos momentos, construímos grande parte das memórias, com a pessoa de sempre, aquela com que sempre contamos para qualquer viagem. Nós mesmos. Fiéis e serenos egocêntricos. 

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