terça-feira, 22 de julho de 2014

Tu e a minha janela

Love.

Foi a indecisão a marcar a partida, foi o medo a decidir a meta. Mas avanças-te com um sorriso escondido, daqueles sorrisos que ficam na ombreira da porta até chegar um vento alheio que o faça escorregar e apresentar-se ao mundo. Havia naturalidade, curiosidade e tudo o que rimasse com verdade. Cada passo era uma descoberta e uma expectativa, era como uma gota fresca a cair num galho seco. Quis mostrar-te o mundo, colher-te uma estrela como um jardineiro colhe o fruto mais apetecido, aquele fruto que ele viu crescer pela janela, que viu respirar sempre que lhe remexia a terra. Quis dirigir os ventos e tornar-te no papagaio do céu do meu quarto, mas o que fiz foi abrir a porta do meu coração e mostrar-te a minha essência, levar-te ao local onde as minhas emoções, sentimentos, desilusões e memórias se compactam. E isso bastou-me para ser feliz, para viver até ali e receber o teu beijo ao mesmo tempo que sentia o vento a tornar-nos livres. Foi esse beijo à janela que concretizou todos os meus devaneios de infância. Olhar em vão e apenas querer perder-me nos teus olhos, e poder fazê-lo porque estavas ali em carne e osso, fez-me, por momentos, acreditar em duendes e unicórnios. Antes, eu era uma criança naquele ninho inocente e, se adivinhasse que no futuro tu irias estar ali, na ombreira dos meus pensamentos, no horizonte da minha preguiça, no regaço dos meus sonhos, eu iria a correr para a rua a anunciar que tinha o dom de acolher anjos! Seria a criança que queria crescer depressa, que sonhava com o futuro, que pulava nas nuvens com força para que o paraíso descesse à terra. Seria a criança que vivia na ansiedade de ver alguém perfeito a ver a mesma paisagem que eu. E agora estavas ali! Sim, eu sentia o teu braço a empurrar o meu, porque nenhuma janela é suficientemente grande para o nosso amor, e ainda bem que não. No fundo, aquele espaço sempre fora a bíblia de ti convertida em eco durante anos. Ver-te ali foi mágico e, agora, a amnésia da infância seria cruel, sabendo que tu és o meu fóssil e o nosso amor é âmbar. Fora daquela janela a rotina olhava-nos, os preconceitos rugiam, os carros espelhavam a monotonia dos olhares alheios, todos pareciam ter rugas a mais do que nós. E sabes porquê? Porque este é um dos meus humildes sonhos que já concretizei contigo, ver-mos as montanhas do lado de dentro da janela do sítio onde cresci e me apaixonei por ti, onde acordei e adormeci contigo na presença da minha imaginação. E agora sim, posso dizer que sobrevoas o céu do meu quarto e até o papel de parede fizes-te sorrir!

Sem comentários:

Enviar um comentário

Um comentário vale mais que mil palavras! Thanks :)