terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

14 de Fevereiro


red, flowers, and rose image

Aprende a amar-te no dia de São Valentim, coisa que oitento por cento das pessoas se esquece. Sim! Primeiro de tudo porque oitenta por cento das pessoas têm parceiro, mas confesso que essa não é a principal razão, apesar de ser inevitável dizê-lo. É o dia do ano em que as pessoas menos pensam em si mesmas e menos investem no seu amor próprio, os apaixonados porque passam o dia a tirar selfies aos chocolates que receberam ou ao filme romântico que foram ver, e os solteiros porque, sabendo que se tratam de uma minoria, têm a tendência para cair na frustração e se ausentarem das redes sociais para simplesmente ver um filme sobre solteiros. E por isso mesmo é, também, o dia do ano mais previsível. A verdade é que há tantos dias do ano para mostrar afeto mas neste dia parece que tudo se torna numa competição pela prenda mais original ou pelo parceiro mas romântico, sem dúvida que haveriam muitos candidatos ao óscar. Para nós, solteiros, pode haver neste dia uma enorme atração para a melancolia, mas a meu ver temos tudo do nosso lado! Temos a liberdade de escolher o que fazer, qual o primeiro passo a dar quando saímos da cama, qual o programa a realizar, se virar a casa ao contrário e resolver mudar a decoração, se dedicar o dia à culinária ou simplesmente ficar horas ao telefone com a melhor amiga, podemos decidir por nossa livre opção entre um fato de treino ou um vestido, a qual café ir ao fim de almoço, se pela música ambiente ou por podermos falar e rir com alguém simpático que se sente ao nosso lado, podemos programar todos os horários sem nunca nos atrasarmos porque conhecemos o nosso ritmo e a forma de lidarmos com isso, podemos ir ao parque, ao museu ou ao teatro sem a constante aprovação de alguém, sem um estado de espírito que não combina com o nosso dia e sem garantir exclusivamente dois bilhetes em lugares lado a lado, podemos fugir de onde estamos para ir atender a um contratempo sem deixar outra pessoa na mão e lhe ficarmos a dever uma, podemos ter um pacote de pipocas só para nós no cinema, podemos comprar as rosas que julgamos mais bonitas e mais cheirosas sem termos de fingir que as que nos dão são exatamente as nossas preferidas, podemos preferir o ginásio aos típicos chocolates em forma de coração e se os quisermos verdadeiramente basta irmos comprá-los ao supermercado mais próximo, sempre queimamos calorias a vir para casa, podemos ir a uma festa com um grupo de amigas e dançar aquela batida que realmente mexe connosco e nos oferece juventude, podemos mostrar o quanto o nosso sorriso reflete felicidade mesmo quando sabemos que ao chegar a casa não temos ninguém à nossa espera, é essa a verdadeira felicidade, aquela que existe por nós próprios e sem um motivo aparente e que condiga com os estereótipos da sociedade, porque quem está completo em todas as áreas da sua vida nunca saberá ser feliz sozinho. E o melhor de tudo isto é que o podemos voltar a fazer no dia seguinte e nos 365 dias do ano! Por isso, se neste dia ficarmos em casa arroxados à almofada não é por lamento nem pena de nós próprios, mas porque saberemos que temos um mundo livre de oportunidades quando nos apetecer, sem nos subjugarmos a uma data ou a uma assinatura num cartão vermelho. Ser solteiro torna-nos versáteis, lutadores e realistas mas, acima de tudo, torna-nos donos das nossas escolhas.

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