domingo, 11 de dezembro de 2016

Nuvens são sonhos de algodão

hand, photography, and vintage image

Nuvens são como expectativas, não lhes tocamos mas somos os seus fiéis espectadores, queremos objetivá-las ao atribuir-lhe uma cor nos desenhos da infância, mas a verdade é que quando as perfuramos nos aviões dos sonhos tudo se dissipa. Nuvens e expectativas. Sabemos que o seu tom pálido rima com o seu horizonte infinitamente intocável, com sentimentos de falta e com tetos que nunca iremos tocar. Encaramos nuvens e expectativas como horizontes longínquos, que nos definem enquanto seres insatisfeitos, e que tanto devem aos sonhos. Porque os sonhos dão-nos asas enormes, maiores do que nós mesmos, enquanto a realidade encarna nas pontas afiadas das tesouras que as cortam. Nuvens são sonhos de algodão. Sonhos que flutuam sobre o seu ar meigo e singelo, são carícias impalpáveis em forma de expectativa. A expectativa sobrevoa a atmosfera da nossa rotina, expectamos acordar, respirar e andar, expectamos não cair na rua, receber uma sms que não seja de redes telefónicas ou ouvir algum elogio sempre que perdemos horas ao espelho, expectamos que o professor chegue a horas, que o dinheiro sempre chegue para aquela bola de berlim da vitrine ou que a nossa mãe não se irá esquecer de nos ligar. Nadamos em expectativas e a verdade é que expectar algo é como acreditar no destino, o que nos faz crer que todos, bem lá no fundo, acreditamos no destino. Não num testamento escrito prematuramente e que dita de forma objetiva todos os passos que iremos dar, mas um sentimento refugiante, sabes? Aquele sentimento de ausência que muitas vezes temos, ausência de uma amizade forte, de um romance incurável, de um conselho maduro e sincero, de um abraço apertado, ou até mesmo a vontade enorme de viajar! Entramos num antro de amargura e de questões que só o destino consegue responder e, mesmo que não consiga, é ao destino que entregamos grandes álbuns de frustrações e mágoas, como forma de pedido de viragem. A verdade é que quando algo é dúbio na nossa vida existe uma parte sonhadora e esperançosa de nós que acredita que a nossa sorte irá chegar. É aí que a expectativa e o destino dão as mãos num panorama sonhador e um tanto racional. Nuvens são sonhos de algodão. Sonhos que flutuam sobre o seu ar puro e inocente, são instintos humanos em forma de destino. O destino das nuvens é o vento, assim como a capacidade de sonhar é o nosso destino, aquilo que nos conduz para um lugar, que julgamos nós, idealizado como melhor do que a vulgar rotina que vestimos todos os dias. Mas a verdade é que sermos algemados pelo destino é como nos entregarmos a ventos remotos e nos deixarmos levar para caminhos que poderão não ser sequer os que merecemos, é por isso que temos de agir e acreditar que uma grande parte de nós é aquilo que nos vai levar à terra prometida. Temos de agir aqui e agora! Tudo aquilo que é merecido é porque outrora exigiu sacrifício e resiliência. Lembra-te que entregar tudo ao destino é uma fraqueza, é anularmo-nos a nós mesmos, é viver na penumbra das nossas expectativas. É a prova viva de que somos incapazes de traçar o rumo certo, e onde não existem rumos também não existem crenças e objetivos e, logo, não existe personalidade. Sejamos como as nuvens, moldáveis consoante as tempestades da vida mas sabedoras do vento a seguir, conhecedoras de dias de sol e dias atribulados mas sempre em direção ao rumo certo. Nuvens são sonhos de algodão. Sonhos que flutuam sobre as trevas e os contos de fada, são antagonismos implacáveis em formato de ser humano. Nuvens são sonhos de algodão porque assim têm de ser em todo o texto metafórico que fale sobre devaneios inconstantes, em todos os corações apaixonados pela vida e que nela procurem um sentido mais vincado para escrever sobre sonhos e amor.

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