sexta-feira, 16 de outubro de 2015

A emoção da serenata ♥



Não foi exatamente a última serenata, está até um pouco longe de o ser, porque o mestrado ainda me vai trazer muitas emoções nestes dias tão especiais. Mas a verdade é que, não sei se por estar no último ano da licenciatura, esta serenata comoveu-me bastante! Estes são aqueles dias em que, logo ao acordar, começamos com uma ânsia enorme de ouvir aquelas belas vozes e de sentir Coimbra ao rubro. A noite começa com a euforia dos jantares e, de seguida, são de esperar mil passos comoventes em direção àquele momento. Tudo porque as serenatas são muito mais do que noites particularmente negras, do que vultos com o mesmo destino, muito mais do que um frete em estar de pé. A serenata é algo para ser vivido de forma intensa e única, é uma forma muito pessoal de nos afirmarmos em silêncio, de criarmos um pequenino espaço dentro de nós para o nosso orgulho enquanto estudantes universitários, é uma forma de benzermos todos os nossos momentos vividos naquela cidade até ali. Para mil pessoas existem mil formas diferentes de se sentir a serenata. Cada um com uma história, com uma lágrima impiedosa que se soltou, com todas as vitórias dentro de si, mesmo as mais pequenas, porque a serenata engrandece os nossos pequenos feitos, cada um com a sua carga especial de felicidade e de emoção no rosto. Ficamos, por segundos, com a sensação de que somos úteis para a sociedade, lutadores na vida e jovens na forma de viver. Percebemos, nas entranhas do nosso coração, que nos momentos em que todos se afastam de nós temos a cidade de Coimbra de braços abertos a acolher-nos como nunca ninguém de carne e osso o fará. Ganhamos a certeza de que, por entre aquelas badaladas e lágrimas de saudade, pisámos o topo do mundo, fomos filhos acolhidos por todos os invernos, todos os outonos e todas as primaveras, porque cada um de nós não é só mais um no meio da multidão, é sim mais um rebento cuidado e acarinhado por Coimbra, mais uma pessoa, cuja sua vida mudou, os seus horizontes ampliou e a sua maturidade afirmou. Muita coisa vem ao de cima quando se chora, podem vir desilusões, desentendimentos, podem vir histórias das quais nunca entenderemos o seu cruel fim, mas saberemos sempre aquilo que representamos, o valor que temos e os trilhos que todos os dias criamos! E tão bom que é haver oportunidade de poder desabafar com a vida numa linguagem de lágrimas onde ninguém nos poderá julgar, onde todos nos expressamos na mesma língua e todos sabemos que Coimbra é o nosso ponto em comum. É a fraqueza da nossa saudade e a lança dos nossos méritos. Poderia dizer que todos entendem as lágrimas que lá deixei, mas a verdade é que apenas Coimbra entende. Apenas tu, Coimbra.

Latada, 2015

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