quarta-feira, 28 de outubro de 2015

3º ano e o atirar do nabo

O terceiro ano é diferente de todos os outros! Vejo o primeiro como a adaptação, o segundo como um esforço contínuo e o terceiro como um equilíbrio entre o sucesso e a liberdade. É neste ano que nos sentimos verdadeiramente acolhidos por Coimbra e carregamos o orgulho em estar nesta cidade em todos os passos que damos na rua. Já é um acumular de vivências, de emoções, de obstáculos ultrapassados que nos fazem olhar para trás, para todo o suor e todas as lágrimas, e perceber que o tempo passa a voar e que até então já suportámos muita coisa e já fomos vencedores! É por esta altura que, já sentindo um pouco a nostalgia da despedida, aprendemos a valorizar as pequenas coisas enquanto cá estamos e arranjamos sempre tempo para um passeio pela cidade. O dia do cortejo contempla tudo isto, desde a dor da primeira despedida dos nossos pais à comunhão com as grandes tradições de Coimbra! O cansaço é imenso, todos sabemos, mas o que se leva no coração é ainda maior, sabemos que o orgulho que levamos foi uma conquista só nossa, apenas nossa. É das maiores provas que podemos dar a nós mesmos! O atirar do nabo é o simbolismo do passar do tempo, é o atirar dos medos, das angústias e dos poderes do mal. É a ponderação de toda a caminhada, é o equilíbrio de todos os feitos, é a pesagem de tudo o que nos sucedeu e o renascimento de uma parte de nós. Sim, passa a existir uma porção privilegiada de orgulho dentro de nós que olha para a vida já com experiência e sabedoria, já com vitórias dentro de si que custaram e exigiram sofrimento da nossa parte e, é neste cortejo, que percebemos que foi esse o grande salto. Atirar o nabo é, também, como o recuperar do tempo que abdicámos por motivos, agora, pouco significativos, é o recolher da esperança, da motivação e do ânimo que precisamos. E conquista após conquista ali estamos nós exaustos, já de meia rota ou sapato encravado, mas estamos de pé e sabemos que cada pedaço de cansaço tem na sua base a alegria e a determinação. E depois, enquanto atiramos o nabo naquela fração de segundo, pensamos em tanta coisa bela! Os amigos de curso inseparáveis, as noitadas enérgicas, a subida à torre, os fados em cada esquina, as fitas das pastas, os cortejos incansáveis, os emblemas, a capa forte e protetora, os sapatos a tropear nas calçadas, as afilhadas, as serenatas, os mares de gente e todo o tempo investido neste percurso que nos deu vida e que nos trará vida sempre que cá voltarmos! É uma bênção poder acolher Coimbra e deixarmo-nos acolher por ela! Imagino-me um dia, já com família, a olhar em vão para Coimbra e a ver-me no auge da juventude a atirar o nabo com tamanha euforia. São coisas que marcam! E tudo o que marca segue-nos a vida inteira! Foi um dia emocionante e afirmá-lo penso que será pouco. É então que o nabo beija as águas do Mondego e por momentos a nossa respiração é feita tanto de alívio como de nostalgia. É um misto de emoções que só um estudante universitário poderá saber ao certo. Olha-se para o nabo e o silêncio invade toda e qualquer forma de vida que, por momentos, rima com uma espécie de luto. E assim fica o nabo a navegar, sem sustento ou ritmo de vida, e assim ficamos nós, também a navegar pelas boas memórias que temos para contar. 

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