terça-feira, 21 de julho de 2015

Super Bock Super Rock!


O dia começou com a ansiedade disfarçada de insónias acentuadas. Sim, acordei às 5 da manhã e desde aí não dormi. Os planos eram grandes e a euforia ainda maior. Toda a rotina foi turbulenta para que o tempo da maquilhagem não fosse interrompido. Afinal, eu ia para a capital e para o festival do Rock!! Ainda que restrita ao meu pequeno quarto de estudante universitária, já sentia à flor da pele uma espécie de liberdade privilegiada. Depois da turbulência do autocarro e da sonolência do comboio lá chegou o momento de pisar a terra Lisboeta. Comemos, passeámos e desfrutámos. A paisagem era, de facto, diferente da simples vilinha de onde vim e até mesmo Coimbra tornou-se uma aldeia aos nossos olhos. Já se ouvia som e o entusiasmo cada vez mais se instalava. Até que entrámos e corremos todos os cantos. Os palcos mais pequenos preencheram a tarde onde a cidade era o seu belo cenário. Conheci boas vozes e bons estilos, principalmente por estar na fila da frente. Os brindes preenchiam as nossas mochilas tal como os sorrisos o nosso coração. Visitámos a exposição, aparecemos na sic em segundo plano, tirámos fotos super originais e andámos sempre de palco em palco ao sabor da música, como verdadeiras aventureiras a seguir as pisadas das notas musicais. Os Unknown Mortal Orchestra impressionaram-me com a sua simplicidade e singularidade. Foi um achado! Já no Meo Arena assistimos aos Christal Fighters, onde se deu o auge da originalidade. Tão puros, tão genuínos, tão cativantes, é assim que os descrevo. Adorei cada música e cada gesto, fiquei fã, definitivamente. Eles não representam apenas um tipo de música, mas também um estilo de vida, uma forma singela de apresentar a música aos ouvintes. Como se desenhassem a música na sua forma mais natural e a entregassem às pessoas como se fosse uma dádiva. De seguida, Franz Ferdinand! Outra voz inconfundível, gestos peculiares e uma meiguice natural. Confesso que tenho saudades de o ver a atuar mais isolado e a ser o centro das atenções, mas não deixei de gostar do concerto, até porque acabaram em grande, com músicas fantásticas e das quais todo o público fez questão de acompanhar. E foi então que, finalmente, chegaram os Florence. Meu Deus! Muitos guardaram a energia para aquele momento e canalizaram todas as suas forças para acabar a noite em grande. Eu não fui exceção. Afinal, tivera chegado aquela força da natureza, aquela deusa com movimentos de ave, aquele sorriso acanhado carregado de pureza, aquele timbre inconfundível e completamente viciante. A energia foi mais que positiva, as músicas foram mais que cantadas e o público vibrou como nunca. O facto de sermos todos seres humanos e estarmos ali unidos pela música, naquela batida repetida, naquela união calorosa, fez-me dar valor às coisas mais simples da vida. Coisas tão simples como o facto de andarmos todos descalços como ela. Emocionei-me! Em especial quando ela pegou na bandeira de Portugal. Foi épico! É verdade que um festival é sempre um investimento que para muitos custa, mas garanto-vos que não ficam a perder. O espírito vem renovado, ganhamos novas perspetivas de vida, enfim, tudo aquilo que trazemos connosco na memória e no coração não se paga nem nunca pagará. Um dia não estaremos a recordar o quanto poupados éramos, mas o quanto aproveitámos a vida e o quão vastas são as nossas histórias. O que restou foi uma enorme nostalgia e uma vontade incontrolável de referir todos os pormenores que vivemos para que nos possamos sentir mais uns segundos a pisar aquela terra festivaleira. E acreditem que são os segundos a relembrar estes momentos que nos dão sentido à vida.

18-07-2015

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