sexta-feira, 12 de junho de 2015

A força que me deste

Às vezes penso no destino e em como ele me derrotou
Dois corpos separaram-se como um laço que se desatou
Desmembrámo-nos por orgulho e desfez-se um coração
Sempre fiz tudo para merecer uma cordial explicação
Como se o destino apoiasse os teus erros e a tua folia
E a minha vida acabasse como um café que esfria
É ridícula a maneira como duas pessoas sentem o tempo
O que para ti já é rotina para mim ainda é contratempo
Uns têm lúcido o passado, outros vivem do presente
Ergueste-te livremente e eu tão forçosamente
Ajudaste-me a tornar numa pessoa cada vez mais derrotista
Mas lembra-te que deitaste fora a tua própria conquista  
Se fosses parte do meu cérebro, eras o meu cerebelo
Mas se fosses um estado físico, serias um cubo de gelo
Os opostos atraem-se, mas não quando alguém desiste
Quem conhece o amor é aquele que mais persiste
Quem nos faz sentir especiais é quem nos faz sentir inúteis
Todas as lutas que criei foram tratadas como fúteis
Quando menos querias magoar, era quando mais magoavas
Foste em direção ao precipício que ainda hoje cavas
Vi de perto os teus erros e tu sentiste o arrependimento
Foi com palavras bonitas que mascaraste o teu lamento
Mas as palavras o vento leva e com as fronteiras são ardidas
Enquanto elas são momentos, as ações representam vidas
Qualquer um emite promessas a troco de nada
Mas a atitude requer objetivo, sem nunca estar cansada
As palavras nada valem, apenas revelam fascismo
Enquanto proferir e agir se separarem por um abismo
Os políticos provam isso e qualquer cobarde também
Toda a vida foram os grandes feitos a fazer do amor refém
Não sei se te voltarei a ver na minha vida ou apenas na tua
Mas não vou ficar ao relento à espera que passes na rua
Agiste sem pensar naquela noite pouco banal
Como se tudo estivesse programado como tal
Ainda assim eu sabia que eras o meu amor eleito
Mas passaste do presente para o pretérito perfeito
O meu coração não aguentou e o choque moveu mundos
Só a minha alma sabe de cor os sofrimentos profundos
Trocaste a vida por minutos, o amor pela ilusão
Nem tu desejavas para ti momentos de repulsão
Provavelmente não te reconheceste e caíste em decadência
Mas há outras explicações para além da adolescência
Porque se fosses a alma de uma balança, serias a sua indecisão
E se fosses um planeta, chamar-te-ias Plutão
Fui feliz ao amar, mas sofrer fez-me ganhar um escudo
Tornei-me mais forte com cada grito tido como mudo
Sabes que o meu silêncio representa sofrimento,
E ainda assim ignoras e alimentas o tormento
Tornaste-te tão frio e tão distante
Já te esqueceste de como eras aconchegante
Não tenho o direito de pedir que voltes nem que sejas racional
Mas podemos falar do tempo ou de um qualquer desejo carnal
Pedir para voltares provaria a minha estupidez
Para voltar, volta-se por amor e volta-se de vez
Sei que parece desistência mas tem o nome de coragem
Forço-me para acreditar que foi um sonho de passagem
Lembra-te que não me abandonaste apenas a mim,
Abandonaste-te a ti próprio e ao dia de S. Valentim
Mas há uma coisa que se deve sempre dizer a quem se perdeu
“Apesar de tudo, obrigado por teres sido meu.” 

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