segunda-feira, 14 de abril de 2014

O que sou agora

Férias da Páscoa. Melancolia. A minha cama. Jogos de computador. Noites quentes. Idas à aldeia do meu namorado. É este o ponto da situação. Sinto-me finalmente feliz, porque finalmente posso fazer o que me apetece. Cá em casa anda tudo de olho numa bicicleta para mim, a vontade de respirar ar puro é enorme, tudo porque a cidade não oferece o ar límpido aqui das montanhas. O próprio tempo livre que lá passo não é canalizado para escrever nem para fazer algo de produtivo, fico simplesmente trancada em casa, a comer bolachas, a olhar para o vazio e a pensar em como seria a minha vida se estivesse na vila ou se ele estivesse na cidade. É nesses momentos que me sinto mais uma refém da injustiça, que me sinto tão inconstante como a meteorologia e, por segundos, sinto completamente que a vida não vale a pena ser vivida. Ando um pouco mais positiva, apesar de não parecer, mas as saídas à noite com as minhas amigas fazem-me realmente bem, no entanto, a verdade é que elas simplesmente camuflam os problemas por umas horas e tudo volta a descambar. O problema já nem são as praxes, a mudança de rotina, as pessoas novas ou o chegar a casa com os ouvidos estoirados, o problema é e sempre será a angústia de estar longe e a dificuldade do curso, que se agrava obviamente com a ausência. Tenho sido bem mais participativa nas praxes, as doutoras adoraram um teatro que fiz e já não sou vista como a pessoa que falta a tudo, nesse aspeto senti algum orgulho, porque correspondi às expectativas de algumas brincadeiras. No fundo, a praxe resume-se ao espírito aberto, mesmo que isso implique deixarmos de ser nós próprios, ao sorriso sem preconceito, à entreajuda e ao facto de tratarmos todos os colegas por igual, mesmo que isso implique dar um desconto a quem menos gostamos. A fórmula é ser criança, mas sempre consciente! Quanto à rotina, essa mais tarde ou mais cedo teria forçosamente de mudar. As caras mudaram e o cenário tornou-se mais cinzento. As lidas domésticas e os horários que temos de cumprir independentemente são parte do nosso crescimento e é como uma preparação divertida para o nosso futuro. Mas a saudade está em todas as tarefas que faço, desde que acordo até me deitar. Esteja eu a ver um filme de comédia ou a contar uma piada, a tristeza tem sempre o seu lugar reservado. À parte de tudo isto, o curso está a correr melhor do que no primeiro semestre, o que não era difícil. Ando mais aplicada e sei que se me esmerar agora, menos anos tenho pela frente. O meu estado de espírito encontra-se ali entre a saudade e a promessa, mas no fundo é uma mistura de ódio, esperança e amor.

8 comentários:

  1. Minha querida, vou falar-te um bocadinho do meu exemplo. O meu primeiro ano também foi muito complicado, sentia saudades de casa, do meu secundário, tinha saudades de ser feliz como era no secundário e tudo mais. Mas depois o tempo foi passando, não desisti, continuei a ir às praxes, a conhecer um bocadinho mais dos outros e dar-me a conhecer a mim também. No segundo as coisas começaram a ser diferentes, conheci as pessoas certas e percebi que ali podia fazer amigos e ter tempos muito felizes. Claro que a saudade do que tinha antes de ir para a faculdade está cá, mas a verdade é que já é um bocadinho compensada pelos momentos bons que vou vivendo.
    O que te posso dizer é para teres força, para não desistires, que o melhor ainda está para vir. Não te feches em casa e, por mais cansada que estejas, vai beber aquele café para que te convidaram.
    Continuarei aqui deste lado para te ler e para ver como tudo está a melhorar

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    1. Compreendo perfeitamente a tua antiga situação, mas como referis-te a saudade é apenas em parte compensada pelos bons momentos da faculdade, a ausência das pessoas de quem gostas e a nostalgia da vida antiga que tinhas nunca vai desaparecer e é isso que me deixa frustrada. Muito obrigada pela força e pela dica. E sim, vai acompanhando sempre que puderes, porque eu vou tentar publicar com alguma frequência, nem que seja simplesmente uma frase a dizer o meu estado de espírito.

      Beijinhos!

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  2. tb passei por momentos assim, mas tudo começou a melhorar qd mudei de casa e comecei a viver com as pessoas certas. beijinho e força :D

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    1. Imagino, a mudança de casa também é urgente para mim neste momento! Ter um bom ambiente sempre que chegamos a casa é fundamental.

      Beijinhos e obrigada!

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  3. Bom regresso depois das férias, querida! Aproveita estes últimos meses para os tornares especiais e para serem os melhores do teu ano de caloira :')

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    1. Muito obrigada pelo positivismo!

      Beijinhos grandes :)

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  4. Acabaram as férias e já tiveste um jantar brutalíssimo! Não te queixes! Beijinhos :p

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    1. É verdade sim senhora, mas isso só foi graça a vocês, miguitas do secundário :D

      Beijitos!

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