domingo, 6 de abril de 2014

Ao sabor do vento

Já me ensinas-te tanta coisa, apontas-te tantos caminhos
Contigo a vida é um mar de rosas, mas rosas sem espinhos
Aqui vou ser bem sincera, neste poema verdadeiro
Porque uma escrita pura vale mais do que dinheiro
São as palavras espontâneas que os papéis suportam
Porque a falsidade já as pessoas reportam
Quem escava minas nem sempre ganha para o seu pão
Mas eu escavei a minha e encontrei o teu coração
Agora vivo no luxo de possuir ouro amado
Com muito mais valor do que o estipulado pelo mercado
É por pedaços de metal que tantos ricos se maravilham
Mas é pelo teu coração bater que muitos diamantes brilham
Deste-me vida própria, deste-me um novo sorriso
Por isso é só para ti que faço este improviso
Porque se o amor fosse força, chamar-me-iam guerreira
E se tu fosses o vento, eu seria feita de areia
Seria moldada por ti em qualquer direção
E seguia o teu sopro como se te desse a mão
Mergulhava na tua essência e no segredo da magia
Seria o brilho dos sonhos e o caminho da fantasia
Porque eu não seria somente areia desfeita
Bastava o teu toque para ter a vida perfeita
Teria a forma que quisesses, faria de mim o que sonhasses
Seria a areia da praia com que tu brincasses
Podia ser aridez das planícies ou a solidão de um deserto
Mas eu nunca me entregaria a um vento incerto
Seria o chão de uma barragem ou o cascalho de um rio
Mas que junto à foz te visse a passar num navio
Seria resistente às secas e pisada pelas distâncias
Permeável à água e pousada por circunstâncias
Seria mais um pedaço de um perdido substrato
Mas talvez um dia fosse a areia do teu sapato
Constituía-me como tua e como a seiva dos minerais 
Mas no fundo só sonhava ser aquela que amais
Quero-te em frascos de vento, mesmo nos dias ingratos
Em que não apareces e não sinto os teus abraços
Quero que escrevas o meu nome com a minha essência
Escreve-o longe, para o mar não apagar a minha sobrevivência
O mundo não é feito para crentes, mas há esperança em cada grão
Porque o tempo foi paciente e o mar fez revolução
Erodiram-se as rochas e plantaram-se sonhos
A areia criou-se e esperam-se futuros risonhos
A areia e o vento vivem em comunhão
Porque tu, José, tens a areia e o meu coração
E todos os dias vivo com o medo que o amor remexeu
Mas também Deus criou as noites e também Ele as temeu.  

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