segunda-feira, 10 de junho de 2013

Fim do secundário

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Há quem diga que esteve à espera da chegada deste dia durante 12 anos! Afinal, este fim é o passaporte para o começo da liberdade, mas a verdade é que quando vemos tantos anos de recordações sorridentes a escapar-nos das mãos, a saudade vence. Agarrada às minhas origens, como sou, nunca aguardei com carinho a chegada desta data. Olhar para trás e recordar os momentos intensamente felizes com a turma torna-me na pessoa mais triste do mundo. Vamos todos começar uma vida nova e, por isso mesmo, eu bem sei que as promessas de nos encontrarmos com frequência se vão desvanecer mal façamos a primeira viagem para a Universidade. Angustía-me olhar para aquelas salas de aula vazias e ter a perfeita noção de que a nossa peculiar presença vai desaparecer daquela escola, a qual suporta tantas e tantas boas memórias e ousadas aventuras. A vida académica traz-nos muitas oportunidades e alegrias, como dizem, mas é preciso estofo para nos conformarmos com o abandono do nosso ninho da infância. Tantas referências se levam no coração. Desde as funcionárias que se lembram de nós desde a nossa entrada para 5º ano, como se de ontem se tratasse, à porta da sala de aula onde se fez um teste difícil. Desde as pancas e as histórias memoráveis dos professores mais polémicos (nome simpático para se dizer "péssimo professor"), àquelas fotos do anuário que tanto nos fizeram rir. Desde os jogos na educação física que faziam de nós seres competitivamente felizes, às próprias desavenças entre justiça e injustiça. Desde as visitas de estudo que, apesar de escassas, nos uniam por completo, aos truques malévolos que arriscámos usar para acedermos aos testes antes de os fazer. Desde os Dias Abertos de antigamente (sim, já lá vão uns anos!), onde deixavamos a nossa marca positiva quer pelas tortilhas espanholas, pelos bolinhos e chás ou meramente por uns passos de dança, de que tanto nos envergonhamos mas que, lá no fundo, nos orgulhamos, a todos os trabalhos de grupo que tanto nos deixaram de nervos em franja. Desde os sermões sobre ter ou não relógio aliados à nossa típica falta de pontualidade às 8:30, à comida que se levava para as aulas de Visual. Desde a pressa em ir para a catequese nas aulas de física e química, à aprovação desenfreada do lema: A primeira aula não se dá e a última não se recebe! Desde o sorriso com que entrei, ao rosto infeliz com que saio. E, apesar de saber que vou lutar por manter pessoas especiais no meu coração, independentemente da distância, torna-se sufocante e quase impossível não largar uma única lágrima que seja. Assim fui, assim estou, assim irei, mas ficarei, porque a minha vida mora cá e o sentido dela mora bem perto daqui!

1 comentário:

  1. Adorei ! A comida nas aulas de visual, que saudades! Mas vamos criar novas memórias, tão boas ou melhores do que todas estas , vais ver! E sim, vamos manter o contacto, estando a 50 ou 150 Km

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