sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O Homem de hoje

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Acordo de manhã. Foco-me, como todas as manhãs, no meu ser, na minha altivez. O meu primeiro olhar do dia é para o céu, e mesmo esse é egoísta. Depois avisto a marginal com tamanho orgulho, observo os bons carros que passam com ar competitivo, miro a montra da loja mesmo à frente da minha janela com tamanho desejo por estar repleta de blasers azuis escuros e, por fim, remato o meu olhar para o cartão de crédito, onde o agarro tão estupendamente que mais pareço um louco.
Vesti a camisa cinzenta clara com um ligeiro tom de bordô, as calças pretas de vinco, os sapatos envernizados, o casaco também preto e a gravata branca a tapar-me o coração. Como se alguma coisa houvesse de pura naquele coração! Pus gel no cabelo. Ajeitei o colarinho e olhei-me ao espelho com ar imponente. Saí de casa. Ou porque a minha companhia de todos estes anos não passara de um cigarro mal aceso com o pouco calor da manhã, ou porque continuo exasperante em manter o meu posto na minha profissão. Fui em direção àquela empresa de renome, aquela empresa que me faz passar por grandes superfícies onde as marcas e as novas tendências reinam, por estradas negras do alcatrão e negras de espírito, por avenidas salpicadas pelo fumo cinzento dos carros e pelos vistosos vestidos daquelas que mais se subornam a si mesmas e sempre desviando o olhar a mendigos, que, como lhes chamo, não passam de meras migalhas espalhadas pelo sujo chão das pedras da calçada. Admito. Sou um homem!!

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