segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Halloween

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Quem não se lembra do seu disfarce de bruxa em criança? Quem não se lembra daquelas palhaçadas sem piada rigorosamente nenhuma? Quem não se recorda de querer encarnar o papel de pessoa má, enquanto que com aquela carinha de inocentes não enganávamos ninguém? E quem não avista na sua memória aquele vipe em que todos nos tornávamos pândegos ao saber que estávamos no dia 31 de Outubro? Tínhamos as nossas desavenças, as nossas rotinas, mas no dia de halloween lá estava a turminha toda junta e sem qualquer desacato para tornar reais aqueles actos burlescos! Tudo para nos armarmos em espertinhos e irmos ao cemitério à noite, onde uns tremiam de medo (eu!) e outros mostravam-se fortes, por uma questão de maturidade ou mesmo de valentia. Mas nós insistíamos em procurar aquela inexistência de luz, que talvez nos fizesse fortalecer a nossa débil armadura da infância. Um feixe de luz era motivo para ficarmos todos pálidos, pávidos e serenos como espíritos (que julgávamos que existiam), uma sombra era motivo de repousar a nossa vivacidade e aumentar drasticamente o diâmetro das nossas pupilas, um som era motivo de gritos e então se alguém nos tocasse, sentíamos toda a robustez a dissipar-se. À horinha de ir para casa (meia-noite!) lá íamos nós, com tamanho atropelo, ou eufóricos pela quantidade de doces, ou roucos de tanto discutir pela sua partilha ou então com os rolos de papel higiénico completamente gastos, as latas de chantilly vazias e uma mágoa profunda ao levar com milhentes portas na cara!... Sim, as travessuras eram a iguaria da noite, já doces, viste-los. Era uma balbúrdia completa, mas talvez fosse essa azáfama que nos fizesse sentir realmente unidos.

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