segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Sonhar em praça pública (14º dia)

Não é que andava eu a pedalar perto da minha zona e oiço uma excelente sinfonia lá ao longe, que mesmo entre os ruídos dos autocarros, me parece acatar o meu coração e subornar a minha audição. (…) É claro que não ia consentir ouvir aquele tom melodioso sem ir ao cerne da questão! Cá estou eu, entre badalos, cânticos e notas afinadíssimas. Olhei em volta e deparei-me com uma rotunda linda, como as que há no centro de Madrid! Estava numa praça que outrora não tinha conhecimento, que ignorância a minha. (......) Quando dei por mim, tinha acabado de acordar sobre um pedragulho imundo, recheado de musgos de diversas texturas. É certo que ali ninguém me vira, mas podia ter sido atacada por algum animal. Bem, na verdade, o pensamento que me envolveu durante sensivelmente 24 minutos, tinha a ver com a própria música. Há uns largos anos fui trompetista numa grande banda na França. Eu vivia lá e sinceramente foram os melhores momentos da minha vida. Até choro quando me imagino lá nessa banda, bem na linha da frente. Parece que todos os meus problemas se dissipavam mal saía de casa, tal como o álcool ao sair do frasco. Sempre dei imenso valor à música, isto porque estive cega durante o segundo ano da minha vida, mas felizmente tudo se resolveu. Agora, deparar-me com uma banda destas num ápice só me podia ter feito sonhar.

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