sábado, 20 de agosto de 2011

"Pérfida Nostalgia"

(POEMA ORIGINAL SOBRE MEMÓRIAS DE INFÂNCIA)
Com uns espaventosos números de palmos,
Sou alguém etéreo, benévolo e com radiância;
Um ser sem ira, sem injúrias, sem alvos,
Todavia alteroso pela sua riqueza em substância;

Confesso, sou uma criança repleta de inocência,
Cicio-vos que gosto de olhar o mundo de outra forma;
Somente tenho um ar mordaz em situações de contingência,
Mas vivo livremente sem um padrão ou norma.

Já com o peso dos anos e da vileza,
Vence um laivo iniludível de agastamento,
Onde vem à tona o peraltismo inato sob a destreza,
E onde perdura um antro de refolhamento;

Sou portanto alguém crescido, maduro e com gravata,
Amarrado por estas apostas de jogadas estranhas,
Onde o cerne da questão está na roupa caricata;
Olho em volta e gere-se-me um sentimento que me revolve as entranhas;

Queremos ser um modelo de virtudes e elegância,
Enquanto que vivemos num antagonismo latente,
Mas esquecemo-nos de preservar o nosso interior com relutância,

Uma etapa onde vemos o próximo como repetente;
Perante esta síncope terei de viver com tamanha pujança,
Mas, espero, que com a alma e o coração de criança.

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