segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Nos alcoólicos anónimos (17º dia)

O tema principal deste meu dia não é positivo, é um facto. A minha prima Vera, da qual eu sou bastante próxima, finalmente se decidiu a participar nos alcoólicos anónimos. Ela tem 29 anos e já envereda por esta vida? É certo que é graças a ela que sei de muitas histórias, loucuras e vícios das adolescentes e jovens das cidades e por estranho que me pareça compreende-me sempre, fazendo-me pensar até ao momento que ela está naquela transição entre uma vida urbana e uma vida pacata. No entanto, parece que escolheu o vício da bebida, tão típico das cidades, de modo que a primeira vida a subornou. Infelizmente de todas as vezes que ela concordava comigo certamente era porque estava sob o efeito da bebida, o que me deixa muito em baixo, pois ela era o único motivo para que eu pensasse que seria uma rapariga normal, agora acho-me anormal, uma atada, uma “fora do mundo” e das vivências normais, tudo o que sentia antes de a conhecer melhor. (…) Enquanto ela estava na reunião, vá chamemos assim, eu aproveitei para escrever. Este sítio assombra-me, afligi-me. Só vejo mulheres com batas brancas, como se se tratasse de um hospício. Caramba, a bebida é só uma questão de fraqueza na vida, onde não existe mais nada onde nos possamos agarrar, mas sei que no fundo nunca o faria e o que eu quero é minimizar os erros da Vera. Irrita-me profundamente quando as mulheres de cá se põe com sorrisinhos para as alcoólicas, como se vendessem escrúpulos, como se fossem as rainhas do mundo, enquanto que muitas já passaram pelo mesmo e estão sôfregas por receber elogios e de se convencer de que os outros não se vão desprender do vício como elas. Quando ela saiu abracei-a calorosamente e disse-lhe: Que lição tiras-te do dia de hoje? E ela respondeu: percebi que a partir de agora a bebida é como um punhal, que me olha com fervor e apenas me quer mal.

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