domingo, 7 de agosto de 2011

No topo da montanha (13º dia)

Cá estou eu no topo da montanha mais próxima da minha residência, apenas 12km! Estou com os músculos desfalecidos, com o olhar ressequido e com o cabelo desgrenhado. Como poderia ter pior aspecto? Parece fácil e encorajador subir para esta ilha aérea, mas deu cabo de mim, agora até de descer tenho medo. (…) Estar aqui em cima é… soberbo e… sumptuoso! Sabendo que despendi de tamanha garra para agarrar esta paisagem, cujo suporte é o horizonte. (…) Neste momento estou a presenciar o pôr-do-sol e se bem me lembro nunca escrevi tão lentamente, pelo facto do meu ser estar obstinado por tamanha realeza. Quem disse que a noite mete medo? Aqui em cima sinto-me completamente segura sob esta festa de sentidos, onde penetro o ar e procuro chegar à origem daquela luz, e sobretudo onde danço com as estrelas que começam a aparecer, onde vislumbro o luar a assaltar as casas e as florestas, onde repousa o amanhecer neste sossegado cume. Quanto mais permaneço rígida, mais repenso neste quadro real ofuscado, que me deixara a mim também ofuscada, obcecada. Quero desprender-me deste diário, mas sinto que este sentimento épico tem de ser gravado nalgum lugar, num instante qualquer, numa hora indefinida.

1 comentário:

  1. É admirável tamanha ligação com lugares tão naturais e elementares, que infelizmente há quem desvalorize e não sinta nem um pouco da relevância que têm estas paisagens, longe das luzes e das multidões.
    Aconselho realmente a um aproveitamento útil de cada minuto em tal sítio, para reflexão e proximidade com a natureza.

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