quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A minha primeira discoteca (19º dia)

Foi na cidade, como seria de esperar. A vila daqui de perto já me surpreende pela negativa, mas ainda não tiveram a ideia de pôr lá uma discoteca. Vou com a minha prima Vera, como é óbvio, mas desta vez a mãe dela pediu-me que a acompanhasse e que encarasse esta entrada na discoteca como um teste à sua força de vontade em deixar a bebida. Eu cá acho que entrar numa discoteca é bastante prematuro ainda, o mais provável é cair no mesmo erro… (…) A minha tia Constância acabou de chegar e estou pronta para entrar no carro. Ao chegarmos, mal a Vera abriu a porta quando ainda estava a escrever sob os solavancos que outrora passámos. A minha tia piscou-me o olho e saímos. Eu bem sei o que lhe ia na cabeça. (…) Entrámos e a Vera foi abraçar uns amigos que, ao que parecia, conhecia de longa data. Para variar, isolei-me um pouco e vim parar a um cantinho simpático onde preside mais luz, menos barulho e menos gente. Estas discotecas são o passaporte para o declínio da vida. Mas mais que isso, as pessoas compram esse passaporte e usam-no vezes sem conta. O tecto deste edifício mal se consegue ver, aquelas bolas brilhantes que nem sei se servem de candeeiros fazem questão de me irritar e fechar os meus olhos. Olho em volta e está tudo embriagado, não exceptuando a Vera. Eu juro que tentei ser sociável com os amigos dela, até perguntei as horas e tudo. Mas eles insistiam em olhar-me de alto a baixo com tamanho desdém e onde rematavam o seu olhar para o meu diário. Aí sim, aqueles olhos pareciam punhais. Depois vi a Vera a cair. Corri na sua direcção e ajudei-a a levantar-se. Ela disse-me: Eu sabia levantar-me sozinha, gaja. Ainda andas com essa m**** de livro atrás? Nem na Universidade eu escrevia quanto mais… E eu respondi: Eu tenho noção que é demais andar com um diário atrás, mas pelo menos reflicto sobre a minha vida a qualquer momento, especialmente se bebesse álcool, se estraga-se a minha vida e sobretudo se fosse uma desilusão para a minha família! Cresce Vera, cresce uns bons palmos mentalmente. (…) Achei por bem ficar em casa da Vera esta noite para amanhã conversarmos com calma. O dia de ontem foi péssimo, mas percebi que sou mais forte do que pensava.   

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