quinta-feira, 14 de abril de 2011

No telhado de uma casa de pescadores (2º dia)

Aqui me encontro eu, no telhado de uma casa de pescadores, depois de tanto pedalar neste tremendo deserto, já que o suor não me largou por um segundo. Foi uma viagem de um calor tal e de uma constante declamação por um refresco, que talvez não volte a trazer a minha bicicleta por estes lados. Tive a rara sorte de encontrar uma escada velha e esta linda casa que parece só ter companhia de manhã, já que os pescadores voltam de madrugada. Estou cansada, é um facto, mas acho que esta paisagem tão rica em harmonia me compensa os ânimos, graças à elevada altitude desta casa. Daqui vejo uma imensidão de casas e de outros telhados, alguns dos quais já sem cor definida de tanto apanhar raios de sol, miro um bando de pássaros que lá ao longe sublinham os limites de um pomar, pondo-me a desvendar os desenhos que eles vão fazendo no céu, como seria de esperar vejo o mar, e toda a sua costa que faz questão de desenhar o areal da praia através da espuma branca da margem, oiço o chiar de um baloiço azul-escuro, que contrasta com o azul do mar, oiço também risos de homens que, quanto a mim, já têm alguma idade e que com alguma simpatia afirmo que apreciam um bom vinho… Já no pôr-do-sol estou de volta a casa.

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