sábado, 23 de abril de 2011

No jardim de infância (8º dia)

Encontro-me aqui encostada à janela que eu tanto mirava em criança, talvez já andando eu à procura de uma inspiração para escrever. O ambiente lá dentro é de barafunda, como sempre fora à uns largos anos, exceptuando as sessões de histórias após o almoço. A infância é o passaporte da nossa vida, sem ele não há viagem para ninguém, é um álbum de recordações que não podemos negar, é uma paz interior e uma algazarra exterior que nos completa, é a fatia da nossa vida que só deve desaparecer se morrermos, é a inocência espelhada nos nossos actos… Mas para mim, que já a vivi, é mais do que toda essa transparência, aliás, é mais do que qualquer palavra escrita num simples e banal papel. Cada vez que olho para aquelas crianças vejo-me a mim e à máquina do tempo a retroceder. Esse desejo de voltar a ser criança é como um impulso involuntário que guardarei ao longo da minha vida, esperando que no céu seja possível voltar a ser criança! Deixei de imaginar aquele tão semelhante ambiente pelo facto de um raro silêncio me invadir o espírito. Era mais uma sessão de histórias, onde as crianças já estavam a entrar no mundo dos sonhos e a repousar as suas personalidades. Vou levar este silêncio na minha alma para assim regressar em segurança.

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