segunda-feira, 18 de abril de 2011

Na linha de comboio (5º dia)

Pedalei, suei e mais uma vez viajei. Tudo para observar de perto os raros e vagos vestígios que restam de uma linha de um caminho-de-ferro. Simples ferros intercalados, enferrujados e abandonados, mas com um significado tal que me fez avivar memórias passadas, através de histórias dos nossos avós e livros antigos, já que os caminhos-de-ferro não são do meu tempo! Encostei-me a uma árvore com uma vasta copa, que se fez sentir na sua abrangente sombra, e imaginei aquele antigo ambiente, que os filmes retratam a preto e branco, recheado de fumo e alvoroço, mas acima de tudo de alegria. O condutor puxava constantemente a maçaneta, que soltava o clima aparatoso de festa e se faz sentir no som do apito, para chamar a atenção, as pessoas estavam sempre curiosas ao ver a paisagem a mudar como quem segura uma tela e se põe a correr adjacentemente ao comboio, as crianças a tropeçarem umas nas outras para se dirigirem para a saída… Depois, as paragens de um comboio é como a vida, podem ser boas, se as pessoas mostrarem um sorriso rasgado e vierem com os seus esbeltos vestidos floridos até aos pés, ou más, se as fagulhas que o comboio largou fizeram questão de pintar de preto as suas apresentáveis roupas. Dessas paragens podem também resultar grandes surpresas ou grandes desilusões, tal como o tamanho das suas bagagens. Acordei deste sonho com o barulho de uma maçã a cair no chão, mas infelizmente a lei da gravidade já fora descoberta. Passei do alvoroço para a calma… E aqui vou eu a caminho de casa.  

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