quarta-feira, 13 de abril de 2011

Bairro social (1º dia)

Ando eu a vaguear por um bairro dito normal. Desloco-me sob os velhos paralelos desta rua que me fazem estremecer a bicicleta e o coração. Pairo eu ao sabor do vento, cuja direcção se impõe no meu caminho e me guiou para este bairro social. Aqui a alegria é como um bafo de calor no Verão, nem à sombra nos despedimos dele. Aqui a honestidade é como a nossa sombra, não nos larga. Aqui a entreajuda é como o coração, um bem vital. Ao virar a esquina deparei-me com crianças a jogar inocentemente com a bola da vida, a qual nem sempre segue o rumo da baliza ou por vezes se põe do lado do adversário. Logo à frente deparei-me com um grupo de jovens que se uniam pela dança da capoeira onde uns caiam e outros armavam espectáculo. No quarteirão seguinte decorreram competições de skate, o qual lhes dá uma rampa de lançamento para a popularidade. Jovens estes que se seguram numa prancha com rodas! Não dá para me interiorizar. Uns metros à frente segui o ritmo dos rappers, batendo com as mãos nos joelhos, mas mal eu consigo tirar ambas as mãos da bicicleta. Improvisavam desenfreadamente e com um notável talento e rapidez, tal como eu inspirava aquele ar puro. Já no terminar daquele bairro, como assim indicara a placa, começam a aparecer gotículas em direcção descendente, as quais repousaram sobre a terra seca, os velhos paralelos e a relva que se tornara fresca. Agora de impermeável, já que a prevenção é tudo, estou a caminho de casa (parando eu uns segundos para escrever esta frase). Já em casa a minha bicicleta repousou, escorrendo gotas de água e ansiando pela próxima viagem.

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